"Imagens são sempre reais, ainda que todo o conteúdo seja falso."
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
indeixável
Bueno
o que a mulher do einstein disse quando ele tirou a camisa?
mariana
hmmm
Bueno
"Nossa, que físico!"
mariana
ahhhh
mariana
achei que tinha a ver com algo tipo "eureka!"
Bueno
ahahah
Bueno
se ele fosse o arquimedes
mariana
eu acho que todos os cientistas falam eureka, tá? me deixa.
Bueno
nunca
Bueno
tu é indeixável
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
vingança.
-ó. um marido pra ti.
(eu)
-bah! que lindo! onde será que eu acho ele?! mas tem um problema: o que eu vou dizer pro meu namorado?
-nada, ué. esconde dele.
a vingança feminina tarda mas não falha.
e ela só tem 8 anos.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Sobre as cotas
.
o que eu mais tenho escutado nos últimos meses em relação a tudo isso que tá acontecendo no país é "pelo menos".mas não é um "pelo menos" como os outros. esse vem carregado de uma falsa sensação de (des)compromisso, um sentimento que beira a comodidade, a negligência. cruza com a hipocrisia.
pessoas são assaltadas, sequestradas, têm suas coisas materiais e morais roubadas. mas "pelo menos" estão vivas.
descobrem um escândalo por dia em brasília. mas "pelo menos" estão investigando.
esses "pelo menos" estão tornando as pessoas mais covardes, mais resignadas, descrentes. está acontecendo um cultivo geral de um tipo de desonestidade que atrapalha qualquer visão que queremos ter da sociedade. é a desonestidade com a gente mesmo. é fingir que tá tudo bem, quando tudo está desmoronando.
ser honesto é saber lidar com a realidade como ela é.
essa é a melhor definição que eu já ouvi.
muito bem. existe uma realidade que dorme e acorda com a gente, todos os dias. mas é preciso que a gente também acorde todas as manhãs junto com a realidade.
eu fiz questão de escrever sobre as cotas por inúmeros motivos. mas principalmente porque todas as vezes que tentei discutir sobre isso com pessoas que pensam diferente de mim, ouvi exatamente o mesmo discurso, as mesmas frases.
primeiro, me acusaram ora de racista, ora de burguesa, pra que eu perdesse o fio da meada. comecei a me dar conta de que eu estava quase pedindo desculpas por não ter tanta melanina assim, ou por ter estudado em colégio particular desde o jardim. o jogo de inversões é tamanho, que é preciso muita coragem pra dizer isso em público. o pior é que o público normalmente estudou no mesmo colégio que tu, e tem as mesmas condições financeiras.
eu não vou me justificar, dizendo que eu não sou racista nem burguesa, porque eu já não me abalo mais com essas facadas de baixo-nível. meus conceitos de racismo e burguesia vão além de tudo isso.
na maioria das vezes, parece que surge um efeito coletivo de alívio, um efeito placebo, um monte de "pelo menos" quando se fala nas cotas. na verdade, problema nenhum está sendo resolvido com isso. todo mundo sabe. mas é muito mais social e politicamente correto se dizer a favor, do que arriscar ofensas pejorativas e PRECONCEITUOSAS, se dizendo contra.
a população brasileira tem uma enorme dificuldade em se reconhecer como sociedade e conviver com a realidade. desde sempre, todo mundo é acostumado com governos paternalistas, sem importar a legenda do partido. se elege aquele que conquista a maioria dos mais pobres e promete mais coisas. sempre foi assim. um péssimo hábito que, como todos os hábitos, vai ser muito difícil de abandonar.
essa desonestidade tá tão encravada no povo que fica quase impossível falar sobre o assunto. e, só pra encurtar a história, eu vou me preocupar em falar sobre as cotas para alunos de escolas públicas, porque falar de raça no brasil e determinar fenótipos é quase tão subjetivo quanto dar opinião sobre um filme ou um livro.
"as cotas são uma medida provisória e imediata."
teoricamente, até podem ser. com tantos anos de medidas imediatas no brasil, poderíamos ter investido numa mudança de verdade, no caso da educação, investindo em escolas de ensino fundamental, por exemplo. o bolsa-família é pra ser uma medida imediata, pra minimizar a fome. mas, o que acontece na realidade? as famílias têm mais filhos, lógico! assim, garantem mais dinheiro. quem vai recriminar essa atitude? sabem que tem o governo pra ajudar, ué! sendo assim, as medidas imediatas, vão transformando a sociedade e gerando um círculo vicioso de inter-dependência entre povo e governo.
"ah, mas pelo menos tem o bolsa-família e o sistema de cotas...."
mais uma pra coleção dos "pelo menos". essa justificativa é extremamente rasa, é como dizer que "pelo menos não tem vulcão nem terremoto no brasil", apesar de tudo estar um caos. é quase uma ironia.
"precisamos dar uma chance aos pobres e aos negros, pra que eles possam estudar."
não se resolve um problema histórico de um jeito tão superficial como esse. repito: o que me revolta, não é a tentativa de instituir a igualdade, mas sim, o jeito que isso é feito. A sociedade é desigual, sim, e sempre foi. Mas só tem um jeito de tentar minimizar isso, o que vai levar vááários anos e o sistema de cotas só vem pra segregar e deixar a sociedade cada vez mais segmentada.
mesmo com o sistema de cotas, os pobres vão continuar pobres e os negros beneficiados pelas cotas vão continuar negros e pobres. mas, mais uma vez, o governo foge das suas obrigações e devolve o problema pro povo, que continua se matando por qualquer tipo de oportunidade.
.
O que me enoja nas pessoas que se dizem a favor, é o ar de petulância e prepotência e superioridade que respiram. O "ser do povo" e toda a conotação intelectual que vem junto. O mesmo ar de petulância e prepotência que Hitler respirava. Exatamente o mesmo.
Nomes pomposos, titulação, um breve currículo que dá respaldo a toda aquela opinião que vem logo em seguida. Como se a gente precisasse de "moral" acadêmica e científica pra soprar a neblina da hipocrisia que cega os mais ortodoxos, apontando a realidade que acorda com a gente e que parece passar longe dos olhos dos pró-cotas.
O que me enoja também é que, a maioria dessa gente, discute e defende tudo isso com o nariz empinado, pregando a igualdade entre as classes, na beira da piscina tomando whisky, do alto da sua cobertura na zona nobre da cidade, de dentro do seu carro importado ou sentada no salário gordo que o governo paga.
Querem começar com a igualdade? Discutam sobre o vestibular. Acabem com essa farsa, essa forma eliminatória e injusta de ingresso nas universidades! Assim, ninguém vai precisar das cotas.
Pra que haja igualdade, tem que mexer no bolso. O pior racismo, o racismo velado, é esse encoberto pelos títulos dessa classe elitizada de professores universitários, diretores, reitores, ministros, que preferem consentir com um absurdo desses do que baixar o padrão de vida. E o pior de tudo, é que o povo aceite isso como um grande favor, fortalecendo a grande filosofia brasileira, da "lei da vantagem".
Mariana Batista Lima, fonoaudióloga clínica de pobres, negros, índios e brancos, atualmente inserida em escolas infantis, promovendo a saúde, a educação e prevenindo o preconceito e os problemas de comunicação.
domingo, 12 de agosto de 2007
dose dupla
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Flhos do Paraíso
Nada disso. Eu assisti terça feira na NET, em casa, de pijama e pantufa, sem nenhuma condição de fingir um ar blasé. Peguei no começo, sem querer e acabei atrasando a hora de dormir porque simplesmente não conseguia parar de ver.
Vejam. Vocês não vão se arrepender.
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/filhos-do-paraiso/filhos-do-paraiso.asp


quinta-feira, 2 de agosto de 2007
maldito gene
- ah, muito boas, fui pra praia.
- ah é? qual praia?
- balneário gaivota, em santa catarina.
- ahh que legal!
- bah, nem consegui ir na aula segunda. desde sexta só futebol de dia e festa de noite.
- hmmm
- ah, fiquei com uma guria.
- é mesmo?
- é, teve uma festa na casa de um amigo meu.
- mas e a tua namorada? não ficou braba?
- ah, ficou. mas eu não contei pra ela.
- e como ela sabe?
- ficou sabendo por outros. mas ela já tava braba comigo porque eu fui pra praia.
- mas e tu não vai falar com ela?
- vou, claro!
- e o que tu vai dizer?
- ah, que essa outra aí eu só dei uns beijinhos, foi uma noite só. ela até nem era bonita. vou dizer que eu gosto mesmo é dela.
- e se ela continuar braba?
- ah, eu resolvo isso. escrevo um cartão, dou um bombom. tenho até um colarzinho com o nome dela ó! daí ainda convido ela pra passar o verão comigo lá na praia. sei que ela vai gostar de mim de novo.
- aham.
.
essa conversa não teria nada de mais se quem tivesse conversando comigo não fosse um paciente meu, de 11 anos. ONZE ANOS, vocês leram bem!
depois dessa, eu definitivamente dei o braço a torcer. essa canalhice de "eu traio e depois (penso que) conserto" é parte da estrutura genética masculina.
onze anos...puta que pariu!
domingo, 29 de julho de 2007
cada escolha, uma renúncia.
eu tenho essa mania nata de ficar fazendo "balanços", pensar e repensar sobre tudo o que aconteceu comigo.
todo mundo sabe que eu só voltei porque eu não consegui renovar o visto. eu teria ficado lá sem muitos problemas. amei o lugar, conheci gente fantástica e me adaptei perfeitamente à europa. eu tava num momento maravilhoso pra fazer aquele tipo de viagem e o melhor de tudo: fazendo um estágio exatamente na minha área. eu imagino que eu estaria muito bem se eu tivesse conseguido ficar. provavelmente teria estabilizado e legalizado minha situação e estaria ganhando dinheiro de algum jeito. não muito dinheiro, mas o suficiente pra me virar.
tudo isso, claro, se eu tivesse conseguido sobreviver ao inverno. porque eu nunca passei tanto frio durante um verão, como passei em munique. imagina nos meses que faz frio DE VERDADE...
pois é. mas tudo isso não passa de um "se...".
eu voltei meio a contragosto, mas voltei. e pouco a pouco fui me firmando na minha profissão. hoje eu tenho vários trabalhos e pacientes no consultório. já tenho uma pós-graduação engatilhada e projetos semi-concretos pro mestrado.
tou feliz, apaixonada e cheia de planos possíveis.
sempre que a gente faz uma escolha, mesmo que essa escolha seja forçada, como no meu caso, a gente ganha e perde.
eu perdi uma chance quase única de morar na europa. mas ganhei tantas outras coisas com a minha volta, que talvez o destino tenha acertado em me mandar de volta.
"Mas o homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de
verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se
errou ou acertou ao obedecer a um sentimento."(Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser)
domingo, 15 de julho de 2007
Enquete 2
Em primeiro lugar, resolvi escrever porque não acredito nesta pretensa objetividade e parcialidade que muitas pessoas apregoam por aí. Entre outras coisas, como o próprio debate epistemológico sobre a inexistência da objetividade, acho que viemos ao mundo para dar a cara à tapa, ou seja, demonstrar nossas opiniões, dizer o que pensamos e sentimos, e sermos passíveis de recebermos críticas e elogios por isso.
Acredito que este post complementar ao da Mari seja importante para, acima de tudo, acima de evidenciar a minha posição favorável (não sem críticas) em relação à implementação do sistema de cotas na UFRGS ou em qualquer universidade brasileira, seja importante para esclarecer algumas coisas que, insistentemente, esta imprensa fascista teima em negligenciar, omitir e distorcer, para, eternamente, garantir a permanência da ordem instituida, como se vivêssemos em um mundo que não precisasse ser urgentemente modificado.
Vamos lá, então:
Desfazendo o primeiro mito, que considero o mais insistente: as cotas não são racistas, como muitos têm apregoado. O primeiro critério para inclusão nos 30% das cotas é o critério sócio-econômico, ou seja, TEM QUE SER ALUNO DE ESCOLA PÚBLICA. Destes 30%, 50% são destinados a afro-descentedes.
Em segundo lugar, as cotas não terminam com o critério da "meritocracia" (o que estabelece que passam no vestibular aqueles que estudam/sabem mais). Se tu é um aluno da escola pública, negro, e passa com 800 pontos em Medicina, tu vai tirar o primeiro lugar de qualquer jeito, e não entrar por cota! Aliás, vocês já pararam para pensar se o critério atual de ingresso na universidade é válido e justo?
Por fim, porque poderia seguir com uma série de argumentos que sustentariam a minha defesa das cotas na universidade, não vou apelar à questão da "dívida histórica" para com as minorias. Simplesmente vou deixar claro que as condições não são as mesmas para todos, as regras são diferentes conforme a situação socio-econômica e o fenótipo da pessoa. Sinto muito em que se tenha que tomar medidas como estas (desiguais) para tentar, ao menos, um mínimo de igualdade de oportunidades, mas é mais do que necessário. Acredito que a principal medida que deveria e deverá ser tomada é um gigantesco investimento na escola básica, fundamental e média, mas medidas de choque precisam ser tomadas, igualmente, para que se desfaça esse comodismo de ver somente pessoas brancas no ensino superior. Este choque, nesta sociedade racista em que vivemos, onde o pior nem é o racismo explícito daqueles que picham a universidade com frases como "negro, volta pra senzala" ou "negro só na cozinha do RU", mas o pior é o racismo velado, aquele que vem a tona quando os privilégios históricos conquistados vão ao chão.
Coisa nojenta foi ver a manifestação dos anti-cotas, maioria de pré-vestibulandos com mochilas "Fleming", "Pré-med", e outros cursinhos que cobram até 1.300 reais por mês. Querem passar no vestibular? Estudem. Independente de existir cotas ou não, de serem 3 ou 40 vagas, se vocês pagam cursinhos exorbitantes e são tão inteligentes assim, vocês vão passar no vestibular.
sábado, 14 de julho de 2007
enquete
cada vez que alguém acessar o outrasmentiras, a janelinha vai aparecer. isso não significa que vocês tenham que votar todas as vezes, logicamente.
o assunto da vez são as cotas nas universidades públicas. dá pra comentar na própria enquete, se quiserem. dá pra fechar a janela sem votar, também, porque este blog é democrático (pelo menos até onde eu acho que ele deva ser.) :)
VOTEM!
quinta-feira, 12 de julho de 2007
canalhices
- e aí, meu?! tá sabendo da festa dos guris sábado?
- não, que festa?
- bah, festerê forte, na casa do Evandro.
- sábado?
- é. só não sei o que vou dizer pra minha mina.
- ah, é festa sem mulher?
- sem as NOSSAS mulher! (risadas) pior que eu durmo na casa dela nos finais de semana. vou ter que inventar que eu tou doente, que não vou poder dormir lá, senão vai fuder a night.
- bah, meu.
- ah, certo. digo com jeitinho "amorzinho, não vai dar pra dormir aí hoje, tou cansado, gripado..." aposto que ela ainda vai me tratar bem no outro dia.
- bah, não sei se eu consigo mentir pra minha mina, meu.
- ah, pára! bom, eu vou aparecer lá, sem dúvida. as mina que o cara consegue são umas cachorrona. tá, vou descer na próxima, meu. qualquer coisa dá uma ligada. falou.
- falou.
canalhice pouca é bobagem.
não dá. hoje em dia é um olho no gato e o outro no peixe. ou um olho no cachorro e outro na piranha, se preferirem.
me roí de raiva.
terça-feira, 3 de julho de 2007
não há amor que resista ao caos.
2. o bando de filhinhos-de-papai mimado que agrediu a mulher de graça na parada do ônibus.
3. o sistema de cotas na ufrgs e no resto do brasil.
4. bala perdida na assis brasil e uma vida a menos.
5. balas perdidas no rio, muitas vidas a menos e o pan querendo maquiar a situação.
6. médicos que não sabem diferenciar um infarto de um ataque de asma. mais uma vida a menos.
7. gente que ainda lava a calçada de mangueira.
8. gente que ainda não separa o lixo.
9. o medo traduzido: falta de educação e mau-humor.
10. o apagão aéreo.
11. a seleção do dunga.
12. arrastão no centro de porto alegre.
eu sempre amei esse país e todo mundo sabe. mas não há amor que resista ao caos.
ou a gente acorda ou vamos todos juntos, pra muito além do fundo do poço.
eu quero ir embora - de novo.
tá foda.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
all you need is love
lembro que eu acordei com dor. uma dor no corpo, na cabeça, na alma. eu tava me tornando uma pessoa fria e amarga: prometi que nunca mais ia me apaixonar. é, eu e essa minha mania de achar que eu tenho o controle de tudo.
passaram-se muitos meses. e em meados de 2004, levei uma belíssima puxada de tapete do destino. como se ele me dissesse "quem manda em mim sou eu, não tu, pirralha".
e eu me apaixonei.
no começo eu fingia que não, que eu tava "só curtindo". mas ninguém sustenta uma mentira por tanto tempo.
furacões, tornados, terremotos, maremotos, desabamentos. e eu voltei a ter medo. peguei o desgraçado do destino pela gola da camiseta e cuspindo fogo, perguntei se eu não tinha razão de não querer nunca mais me apaixonar. ele continuou sorrindo pra mim e disse "não".
os meses passaram. os anos passaram.
eu posso dizer que 2007 tem sido o melhor ano da minha vida, desde muito tempo.
muita coisa boa acontecendo, mas, principalmente por causa do vinícius, que já é fundamental na minha vida.
eu devia fazer uma homenagem em praça pública, ou dar um troféu, uma medalha, botar um outdoor, contratar um avião pra jogar pétalas de rosa ou soltar foguetes na frente da casa dele, mas eu acho que nem tudo isso junto ia ser suficiente pra retribuir o que ele fez comigo.
é muito bom estar tão apaixonada, de novo.
'brigada, amor.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Invasões Bárbaras
hoje eu cheguei na clínica que eu trabalho, que atende DE GRAÇA centenas de crianças de classe média-baixa e me deparei com uma cena que eu nunca gostaria de ter visto: portas arrombadas, paredes quebradas, sujeira, armários revirados.
a TV de 14" que havia sido comprada com a ajuda das mães, que contribuíram com 2, 5 e 10 reais durante MESES, já não tava mais na sala de espera.
dos computadores que recém ganhamos depois de uma longa briga com as instituições responsáveis e, principalmente com o governo, só sobraram os fios.
a multifuncional que também tínhamos recém conseguido, já era.
me deu raiva, não tanto pelas coisas materiais (que, com esforço, vamos conseguir de novo), mas sim por me dar conta do quão vulnerável estamos. e como nos tornamos impotentes.
alguns pacientes meus choraram. de medo, de tristeza. gente que não tem nada, agora tem menos ainda.
outros pacientes, que parece que já nasceram com esse espírito de fênix, me ajudaram a bolar idéias pra arrecadar dinheiro pra uma TV nova ("eu gostava de ver bob esponja enquanto tu não me chamava pra sessão...") e pras grades que queremos colocar.
chego em casa, explico tudo o que aconteceu. depois de uns 10 minutos, minha irmã de 8 anos aparece com desenhos ("pra enfeitar a salinha"), uma sacola de brinquedos ("que ela não brinca mais") e muitas idéias pra arrecadar dinheiro pras coisas novas que temos que comprar. (algumas hilárias!)
não é porque ela é minha irmã, mas é por esse tipo de atitude que vale a pena brigar. eu espero que o mundo esteja um pouco melhor quando ela crescer.
e é só pelas minhas crianças que vão de havaianas pro atendimento às 8:00 de um dia de inverno, que não reclamam por ter que acordar cedo, que fazem um esforço enorme, lutando contra as condições sociais, emocionais, culturais e até cognitivas me mostrando que sim, são capazes de melhorar e de corrigir seus erros... é só por elas que eu tenho vontade de voltar lá amanhã.
quero que essas pessoas que invadiram e saquearam a clínica morram. e que os direitos humanos vão pra puta que pariu.
Eu não tenho dado.
adoro esses joguinhos de 1,99! são perfeitos! além de baratos, podem ser incrementados com muita criatividade.
mas há algumas semanas venho sentindo falta de um DADO. sim, um dado: cubo, 6 lados, pontinhos pretos marcando a quantidade. nunca vi um dado pra vender. nem sei em que loja se compra um dado.
eis que domingo de noite, vejo minha irmã caçula faceira, brincando com um dado lindo de E.V.A. (não sabe o que é EVA, procura aqui), todo colorido, lindão. Perguntei com aquela cara de lobo faminto que vê um cordeirinho suculento, já babando:
- Luísa! Que dado lindo! De onde saiu?
- Ganhei na pescaria da festa junina do ano passado. é do 1,99.
pensei em pedir, mas fiquei com pena da guria visto que eu volta e meia roubo os brinquedos e jogos dela pra usar nas terapias. pensei em roubar, mas ela ia desconfiar de mim. aí, achei melhor ir comprar um.
hoje, saindo do consultório, fui até uma loja de 1,99 pra procurar o bendito dado. me deparo então com a pergunta clichê que eu NÃO PODERIA fazer aos donos da loja. eu não poderia perguntar, por exemplo:
- oi, o senhor tem dado?
comecei a ficar nervosa, rindo sozinha.
andei pela loja inteira, o que não levou mais de 10 segundos. ninguém me perguntou nada. ninguém ofereceu ajuda. e eu não tinha como perguntar se eles tinham ou não o que eu queria. não me vinha outra coisa na cabeça senão a maldita piadinha infame.
passaram-se uns 5 minutos (uma eternidade!) e enfim, resolvi perguntar:
- oi, o senhor tem jogos em E.V.A.? (sorri por dentro por ter sido tão inteligente!)
- ahm...jogos não, tenho só aquelas letrinhas ali. o que tu queria?
- ah, eu precisava de um dado.
- não, não...só as letrinhas mesmo.
vejam que ele QUASE respondeu que ele não tinha dado, o que causaria um momento constrangedor pra nós dois.
agradeci e saí da loja.
nunca pensei que fosse tão complicado comprar um dado.
domingo, 27 de maio de 2007
não tenho atualizado isso aqui com frequência. mas tenho um motivo bem simples: falta inspiração. sim, exatamente. a mesma coisa que me fez desativar o blog por uns tempos. reativei achando que eu ia conseguir escrever, mas....não.
às vezes eu até penso "bah! vou escrever sobre isso!", mas na hora eu travo e acabo nunca escrevendo nada. não tenho vontade.
ainda bem que o meu inferno astral tá chegando ao fim. pode ser que tudo melhore depois do meu aniversário e eu volte a ter idéias como antes. ou não.
o fato é que eu tenho me sentido bem rasa, quase vazia.
é. eu ando bem chata.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Extreme Makeover - Reconstrução Total

segunda-feira, 7 de maio de 2007
TÍTULO
terça-feira, 1 de maio de 2007
Da série: coisas que eu gostaria de ter inventado.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu, sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente, não podia.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. (...)
(Mário Prata)

