quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009


sem crise (e sem trema), com dinheiro (e muito trabalho), com sucesso e reconhecimento, com saúde, sem dívidas (nem dúvidas), com mudanças (pra melhor), sem medo, sem tragédias, com música, com títulos pro grêmio e (acima de tudo) muito amor (sem crise, por favor...)

que venha um doismilenovo.
pra todo mundo que merece.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

feliz natal?

não me lembro de um final de ano tão desastroso.

nos últimos 5 dias: meu salário atrasou, discuti com a minha chefe, esqueci metade dos documentos pra inscrição da pós graduação, caí no meio da rua me machuquei toda e quase morri atropelada, perdi a apresentação de dança da minha irmã, a manicure retalhou meus 20 dedos com um alicate, minha mãe queimou meu vestido na hora de sair pra festa, meu secador de cabelo estragou.


como não dá pra dormir agora e acordar só no dia 2 de janeiro, fica aí meu cartão de natal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

chega!

quero mais minutos nas minhas horas
mais travesseiro no meu sono
mais nescau nas minhas manhãs
mais ócio nos meus dias
mais vida na minha vida.

quero mais mariana pra mim mesma.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

raiva.

ando notando que estou meio agressiva.

no último domingo senti uma onda de cólera tomar conta do meu corpo dentro do olímpico quando um cara insistiu em passar por cima de mim, encostando todas as células epiteliais SUADAS dele em mim. não bastasse isso, ele foi super gentil e me empurrou eqüinamente ao descer com dois copos de cerveja SEM ÁLCOOL pelas arquibancadas lotadas.

junta isso com o nervosismo natural daquela partida e com a minha predisposição para brigas com gente de quem eu normalmente levaria uma surra se eu não fosse tão sortuda. e metida.

- "tá. deu. ninguém mais passa aqui." (eu, gritando)
- "então vão passar por cima." (o cara, pedindo umas bifas)
- "só um pouquinho, meu. fica frio e não responde pra ela." (o vinícius prevendo o meu desequilíbrio emocional)
- "GWUASRJREFILHODAPUTAFYRWUEVAITOMARNOCUHJVERQUERBRIGARÔIMBECILILNGJTR" (eu, com a cara do soldado daquele jogo wolfenstein, quando ficava com os olhos injetados de raiva dos nazistas)
- "calma, deu, chega..." (vinícius amenizando a situação)

*

hoje eu tive vontade de cagar a pau um guri que derrubou GUARANÁ no meu pé, dentro do habib's. não tem coisa mais desagradável do que sentir o meio dos dedos melecados. sério. olhei pra ele com fome de fígado e mandei ele ter mais cuidado. sefudê.

espero que o espírito natalino invada meu coraçãozinho nos próximos dias. ou então, vou virar o michael douglas no "um dia de fúria". alguém vai sair machucado.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

resumindo 2008...

obrigada mais uma vez, tricolor.

e:






que venha 2009.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

mari sofistinha

eu tenho um paciente filósofo. não, não é força de expressão, ele tá fazendo até mestrado na pucrs e durante as sessões, enquanto eu corrijo o sotaque, algumas palavras ainda inadequadas, a oratória e a articulação dele, ele me dá aulas de filosofia.


eu tou adorando. sabe como é geminiano, se intressa por todos os assuntos existentes no mundo: da astrologia ao calendário maia, ao sistema de cotas, política econômica da coréia do sul, fofocas de famosos, futebol, artes cênicas, desfiles de moda, novidades hi-tech, pinturas renascentistas, e cinema.


no fundo, eu sempre gostei de filosofia. era aplicadíssima nas aulas do segundo grau e até hoje tenho na memória frases impactantes do tipo: "o ser é. o não ser não é. porque se o não ser fosse, o ser nada seria." genial. eu assisti uma aula todinha sobre a dialética e me lembro que existe uma tese, uma antítese e uma síntese.


mas enfim. o meu paciente tá, novamente me despertando esse interesse adormecido. resgatei o livro que eu usei no colégio e de vez em quando busco textos ali pra discutir com ele.


esses dias, falamos dos sofistas. pra quem não sabe, os sofistas foram os primeiros filósofos do período socrático. quando o cara me falou deles, na hora me identifiquei. não exatamente com o rótulo de "charlatães" que eles carregam, mas sim com o poder de argumentar e persuadir pessoas. os sofistas tinham a manha da oratória e convenciam uma galera sobre coisas que, muitas vezes, eram consideradas sem importância. eles foram extremamente criticados, logicamente, já que iam de encontro a tudo o que a filosofia prega. eles eram os reis do discurso vazio. foram também, considerados os primeiros advogados.


so que, claro: quando meu paciente falou dos sofistas eu fiquei na minha. na saída, ficou a pergunta do tema de casa: "mariana, pensa sobre o que tu considera verdade absoluta". eu falei: "ah, isso depende" e antes que eu iniciasse um discurso inventado na hora sobre a verdade, ele me interrompeu e riu: "bah, que baita sofista tu é."


eu acho que se eu tivesse que escolher outra profissão, eu entraria pra política ou seria atriz. ou pastora de igreja evangélica. não sei, escolheria qualquer coisa que me permitisse inventar, aumentar, distorcer, persuadir, inverter, argumentar, contra-argumentar, confundir... é muito difícil pra uma sofista moderna trabalhar com crianças e na área da saúde onde, como manda a ética, uma única verdade deve reinar absoluta. não posso inventar, por exemplo, que um nódulo de prega vocal é um cisto ou que um "r" pode, sim, se passar por "l" ou que deficiência auditiva é uma questão de ponto de vista.


acho que tá explicado o motivo de eu ser apaixonada por teatro e ter feito aquele curso no TEPA. deve explicar também o fato de eu ter feito meu tcc com atores de teatro. e deve ser por isso também que desde pequena eu fui tachada de chata (odiava quando me respondiam "nada" quando eu perguntava o que tinha antes de surgir o universo) e teimosa (porque eu sempre argumentava até quando levava chinelada na bunda).

eu sempre fui uma sofista incompreendida, isso sim.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

só pra quem pode.

Sou vizinha DE PORTA do mais novo e moderno centro de compras compulsivas e capitalistas da região sul:

/shoppingsul.


preparem-se: vou virar um baita perua sarada, com 400ml de silicone em cada peito e só vou usar salto 7. só vou comprar roupas na animale, na m.officer, na triton, na osklen e na conte freire. vou fingir que sou superculta e passar o dia na fnac, arrumar os cabelos no hugo beauty e depois jantar no marco's com vista panorâmica pro lago guaíba.

sigam-me os bons.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

chiclé de bolha

tem coisas muito estranhas de se fazer. coisas que não combinam e beiram o absurdo.
por exemplo...tomar banho mascando chiclé. não dá certo.

cheguei e fui direto pro banho. de repente, me dou conta de que eu tou mascando algo com gosto de xampu. coisa mais desagradável.

...não é proibido!

só pra complementar o post abaixo, deixo aqui um registro da minha musa-mor, mrs. marisamonte.


essa música lariquenta quase que já basta pra satisfazer aquela fissura que bate de vez em quando...QUASE...


em tempo:

há uns 5 ou 6 anos eu tinha esse mesmo cabelão crespo dela, e isso me rendeu o apelido de marisa. eu adorava, porque sempre fui fã e ouvia as fitas que meu pai tinha no carro. me dei conta de que ela era minha primeira cantora favorita quando ouvi a música abaixo. eu tinha 9 anos.


Lenda das Sereias - 1991

tá, ela tem um filho chamado mano vladimir. mas...quem nunca cometeu um absurdo?
canta, marisa!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

lanchinho

desde que comecei a puxar uns ferros lá na academia eu tenho tentando controlar as minhas lombrigas e tenho cuidado um pouco mais da minha alimentação.

tou há um tempão sem tomar nescau, comer pãoquentinhocommanteigaquederrete, comer os doces da banquinha do shopping total e outras coisas boas.

tudo bem. já vi resultado: minhas calças voltaram a fechar confortavelmente na cintura e eu não me sinto tão pesada.

PORÉM (todo sacrifício tem um porém), hoje eu enfiei o pé na jaca. meu lanche da tarde que costmava ser um iogurte light, hoje foi uma generosa porção de gorduras trans. nem sei o que são as gorduras trans, só sei que são vilãs famosas e fazem mal de algum jeito.

fissura total. larguei um paciente 10 min. mais cedo e fui correndo no zaffari. voltei com um pacote de trakinas de morango e um pacote de cheetos de requeijão. larica total. comi quase tudo em 15 minutos.

o bom é que eu como essas porcarias e nem fico com consciência pesada. não tenho o menor talento pra bulimia.

há pouco gastei o dobro (ou o triplo) na academia. pronto. comi, me esbaldei e malhei. voltamos ao marco zero novamente.

e viva o meu espírito de gorda.

domingo, 9 de novembro de 2008

licença para matar.

sempre gostei das histórias do james bond. e mesmo estando longe de ser uma especialista nas obras do ian fleming, me sinto apta a dar opiniões consistentes sobre os filmes. afinal, [entrando de sola] o blog é meu e eu falo o que eu quiser. [/entrando de sola]

quando anunciaram o daniel craig como novo james bond me deu um frio na espinha. "como assim um james bond loiro e saradão?! ficaram loucos?!"
aí fui ver o casino royale.
BAH.

além do filme ter uma fotografia sensacional, aquele quê de glamour típico dos filmes do james bond estava com uma atmosfera fresca, moderna e impecável. mas a melhor surpresa foi mesmo o daniel craig. não, ele não é bonito. mas ele é a cara do james bond como ele é originalmente. pelo menos pra mim.

casino royale é o primeiro filme, e explica como bond virou um agente 00 e também inicia a justificativa pra ele ser tão frio e pragmático nas relações amorosas. james bond se apaixonou pela mulher que traiu sua confiança do pior jeito pra um agente secreto: sendo chantageada pelo inimigo. isso é motivo suficiente pro cara nunca mais conseguir confiar em ninguém. nem nele mesmo.

ontem eu vi o quantum of solace. admito que não é tão bom quando o primeiro, mas é a continuação. e merece ser visto.

os dois primeiros filmes são pedreira. mostram o drama interno de bond e ao final do segundo filme, a redenção. apesar das marcas profundas, james edifica seu caráter, amadurece e recebe o reconhecimento de M. e toda MI6.

são filmes essenciais. e daniel craig foi uma grande escolha. só ele conseguiu, ao mesmo tempo, todos os requisitos básicos de james bond antes de ser, verdadeiramente, james bond: canalhice, imaturidade, brutalidade, inconseqüência (continuarei usando o trema. que se dane a nova gramática.) e aquele ar sedutor irresistível.

queria MESMO é que ele refilmasse TUDO.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

pensamentos rápidos

resolvi baixar algumas músicas meio esquecidas por mim, mas de uma banda que eu ouvi muito durante a minha adolescência.

terra de gigantes do engenheiros do havaí hoje embalou minha caminhada até o centro pra recarregar meu cartão TRI com créditos pra usar no ônibus. e essa música hoje me chamou atenção pra uma parte que sempre passou batido quando eu ouvia nos tempos idos.

"...a juventude é uma banda
numa propaganda de refrigerantes"

aí me dei conta de que as próximas décadas serão décadas perdidas, apáticas e totalmente descaracterizadas. as gerações que virão, tendem a ser piores que a geração de jovens de hoje. os adolescentes de hoje parecem muito menos maduros e muito mais alheios ao mundo do que as gerações anteriores.

como diz na música, o mundo todo é uma ilha. lamento muito que essa galera que tá vindo aí seja tão...vazia...despreparada...superficial.

se eu fosse pessimista, repensaria a minha idéia de ter filhos. mas eu ainda acredito que a herança moral, o exemplo de caráter, a ideologia, o respeito e toda a educação que a gente deixa pra essas pequenas criaturas, é suficiente pra que elas sigam em frente e não desistam, apesar das adversidades.

e é isso que falta pra geração atual. faltam pais caudilhos. na minha modesta porém incisiva opinião, lógico.


"se for preciso, eu volto a ser caudilho (...)
porque eu não quero deixar pro meu filho,
a pampa pobre que herdei de meu pai..."
(Herdeiro do Pampa Pobre - Gaúcho da Fronteira e Vaine Darde)

domingo, 26 de outubro de 2008

ZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzz........

ter muito sono pode ser doença.
ultimamente eu ando muito desconfiada de que eu tenho algum distúrbio muito sério de sono. sabe como é, a gente tem um problema, aí bota no google e se impressiona com as coisas que aparecem. atualmente eu acho que tenho narcolepsia. ou apnéia. isso segundo o dr. google, claro.

é que eu durmo muito. aliás, eu durmo umas 6 horas por noite. é normal, mas durante o dia eu passo mal de tanto sono. e eu durmo em qualquer lugar. cochilos breves, alguns segundos. suficientes pra eu perder a força e sonhar.
andei dormindo no trabalho, no meio de um ditado. ditei um treco nada a ver. eu não tenho aquela fase de sonolência, que tu tá quaaase dormindo. não. eu pulo da fase "acordada" pra "sono profundo". esses dias eu dormi 10 horas. e passei o dia relativamente bem. cochilei bem menos. mas dormir 10 horas é demais! isso faz mal!

agora eu vou fazer uma polissonografia. é uma exame que tu faz numa clínica, passa a noite lá e fica o tempo todo sendo monitorada. é a prova de fogo. ou eu vou sair de lá com status de preguiçosa, ou vou poder me defender dessas acusações usando algum termo bem difícil e exigir respeito. vou até reivindicar o direito de ficar na fila de "pessoas especiais" nos bancos. VAI QUE eu durmo e me esborracho no chão do estabelecimento. ah, é danos morais (e físicos, se é que isso existe) na hora. meto os papel.

e vou pedir de natal essa invenção aqui, ó:



quinta-feira, 16 de outubro de 2008

johnny


delícia até sem barba.
eis a oitava maravilha do mundo moderno.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão

quando eu tinha uns 6 anos, minhas vizinhas gêmeas tinham 4. as duas me mordiam, me beliscavam, puxavam meu cabelo e eu ficava quieta. nunca bati nelas, nunca mordi, nada. sempre achei injusto, pois me achava muito grande e seria covardia.
eu nunca me queixava pra minha mãe. ficava quietinha, dentro da bancada que tinha no hall de entrada do prédio, escondida, até minha mãe vir me procurar. eu nunca entregava elas.

um dia a mãe delas viu a cena, pegou as duas e deu umas palmadas. e veio pra mim, dizendo que eu tinha que bater nelas também, só assim elas entenderiam.

eu nunca bati. nunca fiz papel de vítima também.

desde pequena eu aprendi a confiar na verdade. sempre foi a escolha mais difícil, mais lenta, mais indigesta. a espera pela verdade pode ser mais amarga do que a vingança.

essa passividade me acompanha até hoje. claro, hoje eu tenho mais malícia que não tinha quando criança, mas ainda prefiro esperar. só que a vida adulta é muito mais carregada de armadilhas e puxadas de tapete e, muitas vezes essa minha filosofia budista- que muitos criticam e outros tantos não acreditam- não sustenta a situação e eu acabo "perdendo". já fiquei com cara de paisagem infinitas vezes, quando fui rechaçada, acusada, julgada, retaliada por pessoas que eu posso enumerar, ainda bem. conto nos dedos de uma das mãos os meus desafetos.

e, embora as cicatrizes permaneçam, pois fazem parte do crescimento e da estruturação do caráter, não há mágoas, nem rancor, nem gosto amargo na boca. eu sempre perdoei tudo, todo mundo, engoli coisas a seco. engoli, digeri e devolvi pro lugar de onde vieram. e a verdade sempre reinou absoluta.

atualmente, tou numa situação muito delicada num dos lugares onde eu trabalho. tou sendo minada por uma pessoa que eu sempre considerei mais do que colega de trabalho. o que dói mais é a falta de caráter, a decepção, a traição.

só que agora o meu emprego tá em risco. talvez eu não tenha tempo pra esperar a verdade aparecer, dessa vez. é possível que ela só apareça depois que eu já tiver sido demitida, por exemplo. por mais que não existam motivos pra tanto.

mas nunca se sabe até onde o ser humano é capaz de ir quando a situação é ameaçadora. eu não sei mais do que essa minha colega é capaz. e talvez não queria pagar pra ver.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

todo mundo tem seu preço

no último sábado foi a minha vez de saber o meu valor. valor, mesmo, em reai$. sim, podia ser em dólar, mas eu sou chinela, eu valho em reais mesmo.

saímos do olímpico após grêmio x botafogo e o vinícius quis abastecer. muito bem. paramos num posto ali na oscar pereira e ele mandou ver:
"coloca 50 reais de gasolina, por favor".

a guria botou os 50 reais e na hora de pagar, bateu o desespero:
"bah, tu tem dinheiro? cartão?" - me diz ele apavorado.
"tenho 25 pila"- por acaso naquele dia eu tinha levado donheiro a mais, já que ele não tinha ido ao banco antes, pra gente não se atrasar pro jogo.

tá, e aí? o que se faz numa situação dessa?
encostamos o carro e confabulamos por alguns minutos. a mulher já devia estar certa de que ia tomar um tufo.

"bom, negocia com ela. deixa esses 25 e vai lá em casa pegar tua carteira." - eu disse.
"e tu?"
"eu fico aqui de garantia, te esperando" - notem que o "te esperando" foi um reforço verbal estratégico, pra que ficasse gravado no inconsciente dele...vai que o guri nunca mais volta pra me pegar.

aí fiquei, né. eu ali, num posto podre de chinelão, sem lojinha de conveniência, assistindo a saída do jogo sentada numa mureta de concreto, praticamente sem nada, só com meu celular e o cartão de sócia no bolso.

meia hora depois a guria me olha meio desconfiada, sorrindo meio sem graça.
"é que eu moro na zona sul, imagina o movimento que ele deve tar enfrentando, blablabla....mas daqui a pouco ele taí."

passados alguns minutos, peguei o celular e fingi que tava falando com ele: "ah tá, já tá voltando? tá bom. beijo."

"moça! ele já tá voltando..." - grande coisa o meu comentário.

depois de UMA hora, chega o vinícius com o cartão.
entrei no carro e pensei, meio triste:

"eu valho 25 reais."

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

aprender a falar.

o que fazer quando a mãe do paciente começa a frase dizendo: "preciso te contar uma coisa que eu nunca falei pra ninguém aqui da clínica." aí ela joga uma bomba em cima da tua mesa, chora e se desespera dizendo que há 6 anos é espancada pelo ex-marido na frente das crianças.

aí ela levanta a perna da calça, a manga da blusa e mostra aquelas marcas que me causaram náusea. eu não queria ter que saber dessas coisas. mas o lugar onde eu trabalho não me permite escolher. ela me escolheu. poderia ter mostrado pra psicóloga, pra psicopedagoga, pra delegada da delegacia da mulher...mas foi a mim que ela escolheu.
e eu senti a responsabilidade. todos aqueles podres que ela vomitava através de choro, raiva e palavras arrastadas de tanto pavor, pesavam toneladas na minha consciência. era um pedido de socorro.

claro que eu orientei ela a prestar queixa na delegacia da mulher, mesmo que ela esteja sendo ameaçada pelo covarde. falei que tem leis que protegem ela nesse caso, que todo mundo vai ficar do lado dela e que o primeiro passo quem tem que dar é ela e aí sim, as outras pessoas vão poder ajudar. mas eu sabia que aquele blablabla havia sido simplista demais. ela ouve isso de um monte de gente, toda hora. precisava ouvir mais.

acabei aprofundando a dica e reforçando várias outras coisas, falei das crianças, do quanto isso tá prejudicando elas também, falei que ela haia sido muito forte e corajosa por ter começado a enfrentar tudo isso de frente, no momento que resolveu me contar. a conversa levou quase uma hora. ela parou de chorar e aos poucos foi se encorajando. na saída, me deu um abraço demorado e deixou escapar um "obrigada" por entre os dentes. eu sou muito emotiva, mas dessa vez, engoli o choro e sorri tímida junto com ela.

pra muita gente esse episódio não vai terminar além de um comentário idiota do tipo "ah, apanha há 6 anos?! então é porque ela gosta." eu ouvi isso quando contei essa história. essas pessoas normalmente são aquelas que não têm coragem de vomitar os próprios problemas como essa mulher fez. são covardes, porque jamais teriam essa atitude.

suspendi o atendimento de fono do guri. enquanto ele sofrer tamanha violência, vai precisar de alguém que, primeiro, ajude ele a engolir e digerir essa realidade. depois, vai aprender a falar. que nem a mãe dele.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

pequenos prazeres

tem duas coisas que me fazem feliz só de pensar:

- horário de verão. ADORO. só de saber que não vou mais sair da clínica de noite, me dá um alívio imenso. acho até que gosto mais do horário de verão do que do próprio verão. devo ser a pessoa que mais está esperando pelo dia 18 de outubro.

- atender no sábado de manhã. não, não sou louca. eu tenho gostado da idéia de não perder mais as manhãs de sábado e ainda ganhar dinheiro com isso. mas o melhor de tudo, e talvez o que mais me deixe feliz MESMO é que agora tem café da manhã no Mc Donald's que fica na frente do meu consultório! IUPIIIII! Comi semana passada um croissant e um capuccino. Nossa, quanto prazer...ainda bem que amanhã já é sexta!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Julieta Venegas

agradável (e tardia) descoberta musical. pra provar de uma vez por todas que chaves, tequila e cancún não são as únicas coisas legais do méxico.

julieta é um doce. mas daqueles doces que não são enjoativos. daqueles doces que te fazem querer mais, pela energia e felicidade que te proporcionam.

ela é contundente. do tipo que te diz "vai à merda" de um jeito tão fincado e tão elegante que tu fica sem resposta.

primeiro, ouvi duas músicas e já baixei mais um monte. todas muito diferentes entre si. muitos estilos numa só, muitas opiniões sobre tudo, muitos jeitos de pensar, de tocar, de cantar. ela diz. e deu.

virei fã de cara. é, uma espécie de identificação instantânea...e pensei em todas as vezes que eu fui (e ainda sou) meio ela...claro, sem o talento musical, sem a voz afinada, sem a fotogenia, o charme e o sotaque que cai como uma luva nas músicas.

inspiradora. pela ousadia de, em plena era eletrônica, segurar um acordeão, empinar o nariz e fazer música de qualidade.

se fosse o caso, eu comia.