Hallo!
Aqui comecam os relatos da minha viagem!
Bom, vamos comecar pelo comeco...primeiro, vao se acostumando com a ausência do til e do cedilha...
De 15/05 a 16/05
Muito bem, a jornada ate aqui foi longa...primeiro, o voo Porto Alegre-Rio atrasou 4 horas por causa da serracao que interditou o aeroporto...por sorte, eu tinha horas de sobra entre um check-in e outro. Cheguei no Rio às 2 da tarde, tendo que fazer o check-in pra Paris em 45 minutos. Mal deu tempo de comer qualquer porcaria numa lancheria fuleira e embarquei. Tava com o estomago embrulhado, de nervoso e de correr.
Já no saguao, vi que a delegacao masculina juvenil de vôlei embarcaria no mesmo vôo que eu, inclusive o bernardinho...fiquei com vergonha de tietar e acabei nao tirando foto com eles (até porque eu me sentiria muito pequena ao lado dos gigantoes...hehehe).
Entrei no aviao e sentei ao lado de um casal coisamaisquerida: um senhor portugues e sua esposa carioca. Minha sorte...nao fosse a Dona Nadja e a aeromoca francesa, eu tinha caido solta no chao, na hora que passei mal. Sim, fiasquinho rolou solto, desmaiei, vomitei e o meu nariz nao parava de sangrar. Passado tudo isso, melhorei, relaxei mas nao consegui dormir.
Chegando em Paris, passei tranquila pela imigracao (deve ser por causa da minha cara de europeia), mas me fizeram abrir todas as necessaires na hora de embarcar pra Munique. Como a unica erva que eu tava levando era a erva-mate, que tava na mala que eu despachei, fui liberada em seguida. O aeroporto de Paris é monstruoso e muito lindo. Dei uma passeadinha, liguei pra mae e fui logo pra sala de embarque novamente.
Quando sentei nas poltronas, ouvi uma conversa em português que soou como música...quanta felicidade! Me virei e já fui me apresentando, dizendo que também era brasileira.
Eram um casal do rio (mochileiros) e mais um cara que trabalha na Embratel e tava vindo pra Munique pra cobrir a Copa. Ficamos juntos ali. Incrível como qualquer brasileiro fora do brasil soa praticamente como família.
O vôo até munique foi bizarro. Era um aviao da Air France também, mas esse tremia muito, porque tava chovendo e tinha muita nuvem carregada que fazia o aviao balancar horrores...eu já tava anestesiada, nem me desesperei tanto. Durou menos tempo do que Porto Alegre/Rio de Janeiro.
Chegando no aeroporto de Munique, fui correndo buscar minhas malas. Todas ok, nada de extravio, ainda bem. Logo no desembarque, avistei o Bruno (meu amigo que tá me hospedando aqui) e senti alívio. Enfim, tinha dado tudo certo e eu tava no meu destino, inteira.
O casal de mochileiros foi com a gente até o centro de Munique, no mesmo trem.
Cheguei em casa, tomei um banho e saímos pra comer.
Fomos a um restaurante onde todos os pratos custam €6,95. Escolhi um com uns bifoes e salada de batata. Os bifes, coitados, sao medíocres e a salada de batata é estranha, mas nao é ruim.
Voltei pra casa e DORMI na horizontal, enfim.
No próximo post, falo sobre as primeiras impressoes sobre a cidade e as pessoas...
Auf Wiedersehen!
"Imagens são sempre reais, ainda que todo o conteúdo seja falso."
terça-feira, 16 de maio de 2006
sábado, 29 de abril de 2006
É...
Template novo pra já entrar no clima da nova fase que começa daqui alguns dias!
FIQUEM LIGADOS!
Em breve neste blog:
- superando o medo de aviões
- como passar pela imigração francesa sem falar francês
- como permanecer na alemanha sem falar alemão
- notícias e movimentações da copa do mundo
- oportunismo: "como me tornei camelô na europa vendendo bugigangas verde-amarelas"- depoimento de uma jovem brasileira
- tire suas dúvidas sobre o verdadeiro sabor da cerveja alemã
- os alemães tomam banho todo dia? saiba tudo nas próximas edições!
- a pizza italiana é realmente boa?
- Exclusividade: saiba quem entortou a Torre de Pisa!
acompanhe tudo em detalhes!
FIQUEM LIGADOS!
Em breve neste blog:
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- como passar pela imigração francesa sem falar francês
- como permanecer na alemanha sem falar alemão
- notícias e movimentações da copa do mundo
- oportunismo: "como me tornei camelô na europa vendendo bugigangas verde-amarelas"- depoimento de uma jovem brasileira
- tire suas dúvidas sobre o verdadeiro sabor da cerveja alemã
- os alemães tomam banho todo dia? saiba tudo nas próximas edições!
- a pizza italiana é realmente boa?
- Exclusividade: saiba quem entortou a Torre de Pisa!
acompanhe tudo em detalhes!
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Depois de algum tempo sem postar,
eu só queria deixar um pequeno depoimento encorajador, praquelas pessoas desiludidas que acham que a perfeição, a felicidade e a leveza não existem mais nos dias de hoje:
elas existem. e as três podem ser vividas juntas, num final de semana na praia, por exemplo.
experiência própria.
plenitude. e eu não queria que essa sensação terminasse. nunca mais.
elas existem. e as três podem ser vividas juntas, num final de semana na praia, por exemplo.
experiência própria.
plenitude. e eu não queria que essa sensação terminasse. nunca mais.
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Nostalgia:ON
Até os onze anos, mais ou menos, eu costumava passar as férias de julho na minha fazenda. Ficava uma, duas semanas solta por lá, convivendo com cachorros, patos, galinhas, porcos, ovelhas, cavalos, bois e vacas. Acordava cedo -mas só às vezes- pra "ajudar" o Tio "Freita" (o tio que trabalha lá até hoje) a tirar leite da vaca.
Depois, tomava café com pão de casa, bolo de milho, manteiga feita em casa e ia brincar.
Daí, me metia no meio dos matos de eucalipto com uma mochila cheia de comida e água, pegava um pedaço de bambu pra fazer de cajado (meu pai me ensinou a me defender dos perigos do mato assim), e fingia que tava numa expedição interminável...ficava andando por horas, em companhia do melhor cachorro que eu tive (o Saddam - uma mistura de pastor com labrador) e, algumas vezes, da minha irmã do meio, que na época devia ter uns 5 anos. Meu sonho era me perder de verdade por lá, e achar o caminho de volta sozinha...mas eu conhecia aquilo como a palma da minha mão.
Eu alimentava as galinhas, colhia ovos, atolava os pés nos cocôs das vacas, passeava na beira do açude a cavalo (minha égua se chamava Liberdade...) enfim...Mas o grande evento, capaz de reunir toda a família (tios, avós, primos e agregados) era a marcação e a castração do gado.
Normalmente fazíamos num sábado e, enquanto o churrasco era assado - nessas valas feitas no chão mesmo- a gente assistia ao espetáculo dos pampas. Eu, como sempre fui metida, era extremamente atuante: tocava o gado pro brete, maquiavélica e corajosamente, como se fosse uma espécie de líder nazista ou um general qualquer da ditadura. E enquanto todos recebiam a marca feita a ferro quente pelas mãos do meu pai, os touros iam sendo castrados e transformavam-se em meros boizinhos. E o que "sobrava" na mão do castrador, era minuciosamente assado e servia como aperitivo pro churrasco. Uma carne peculiarmente deliciosa, devo admitir. (sim, pra quem não entendeu, nós comíamos as bolas do touro mesmo).
Eu acompanhava o abate de porcos, ovelhas e galinhas e achava tudo muito interessante. Talvez por isso eu não seja tão fresca hoje, embora tenha medo de lagartixa e rãs (essas meio transparentes).
Alguns anos depois, aprendi a dirigir o trator e andava faceira com meus primos no reboque.
Presenciei nascimento de terneiros, fui bicada por quero-queros furiosos, pisei em cobras e em urtigas, cravei felpas nas mãos, ralei joelhos e me salvei de inúmeras picadas de marimbondos pq. o meu pai se deitou por cima de mim, caí de um cavalo xucro e desmaiei (mas voltei a andar a cavalo no outro dia mesmo).Na páscoa, meus pais escondiam os ovos nas árvores do pátio e a gente acordava cedo pra procurar tudo, de pijama e pantufa. Hoje eles ainda fazem isso com a Luísa.
***
Nesse feriado, eu andei em volta do mesmo açude, mas dessa vez, foi pra recolher o lixo que as pessoas insistem em jogar, apesar da cerca que existe ali.
Muito triste...enchemos dois sacos com garrafas pet, sacolas, chinelos, carteiras de cigarro, vidros e etc.
Hoje o pasto virou plantação de soja e não tem mais boi. Nem porco, nem cavalo e nem o Saddam. Minha vó não tá mais aqui pra fazer pão de casa em forma de bonequinhas. Eu não piso mais nos cocôs de vaca só pra transgredir as "regras" e me falta coragem pra enfrentar o mato de eucaliptos. Nunca mais dirigi o trator também.
Mas é assim mesmo. Eu fico feliz por ter conseguido aproveitar a minha infância naquele lugar tão especial, que me abstraía da atmosfera da "cidade grande".
Fico feliz por ter ouvido do meu pai: "não seja cagona, guria!", inúmeras vezes, quando eu dizia que tinha medo de atravessar o campo por causa dos bois brabos, por exemplo...frase que na hora me deixava com raiva, mas que hoje ecoa na minha cabeça toda vez que eu penso "tenho medo disso".
A infância vai embora e leva detalhes preciosos.
Eu tento resgatar esse sentimento inconsequente de onipotência e coragem cada vez que volto na fazenda, mas essa aproximação vertiginosa do mundo adulto age como um repressor e me trava, diante de tudo.
Só espero que a minha irmã pequena descubra toda essa magia da fazenda, antes que seja tarde demais.
Impressionante como a gente fica vulnerável quando cresce.
Depois, tomava café com pão de casa, bolo de milho, manteiga feita em casa e ia brincar.
Daí, me metia no meio dos matos de eucalipto com uma mochila cheia de comida e água, pegava um pedaço de bambu pra fazer de cajado (meu pai me ensinou a me defender dos perigos do mato assim), e fingia que tava numa expedição interminável...ficava andando por horas, em companhia do melhor cachorro que eu tive (o Saddam - uma mistura de pastor com labrador) e, algumas vezes, da minha irmã do meio, que na época devia ter uns 5 anos. Meu sonho era me perder de verdade por lá, e achar o caminho de volta sozinha...mas eu conhecia aquilo como a palma da minha mão.
Eu alimentava as galinhas, colhia ovos, atolava os pés nos cocôs das vacas, passeava na beira do açude a cavalo (minha égua se chamava Liberdade...) enfim...Mas o grande evento, capaz de reunir toda a família (tios, avós, primos e agregados) era a marcação e a castração do gado.
Normalmente fazíamos num sábado e, enquanto o churrasco era assado - nessas valas feitas no chão mesmo- a gente assistia ao espetáculo dos pampas. Eu, como sempre fui metida, era extremamente atuante: tocava o gado pro brete, maquiavélica e corajosamente, como se fosse uma espécie de líder nazista ou um general qualquer da ditadura. E enquanto todos recebiam a marca feita a ferro quente pelas mãos do meu pai, os touros iam sendo castrados e transformavam-se em meros boizinhos. E o que "sobrava" na mão do castrador, era minuciosamente assado e servia como aperitivo pro churrasco. Uma carne peculiarmente deliciosa, devo admitir. (sim, pra quem não entendeu, nós comíamos as bolas do touro mesmo).
Eu acompanhava o abate de porcos, ovelhas e galinhas e achava tudo muito interessante. Talvez por isso eu não seja tão fresca hoje, embora tenha medo de lagartixa e rãs (essas meio transparentes).
Alguns anos depois, aprendi a dirigir o trator e andava faceira com meus primos no reboque.
Presenciei nascimento de terneiros, fui bicada por quero-queros furiosos, pisei em cobras e em urtigas, cravei felpas nas mãos, ralei joelhos e me salvei de inúmeras picadas de marimbondos pq. o meu pai se deitou por cima de mim, caí de um cavalo xucro e desmaiei (mas voltei a andar a cavalo no outro dia mesmo).Na páscoa, meus pais escondiam os ovos nas árvores do pátio e a gente acordava cedo pra procurar tudo, de pijama e pantufa. Hoje eles ainda fazem isso com a Luísa.
***
Nesse feriado, eu andei em volta do mesmo açude, mas dessa vez, foi pra recolher o lixo que as pessoas insistem em jogar, apesar da cerca que existe ali.
Muito triste...enchemos dois sacos com garrafas pet, sacolas, chinelos, carteiras de cigarro, vidros e etc.
Hoje o pasto virou plantação de soja e não tem mais boi. Nem porco, nem cavalo e nem o Saddam. Minha vó não tá mais aqui pra fazer pão de casa em forma de bonequinhas. Eu não piso mais nos cocôs de vaca só pra transgredir as "regras" e me falta coragem pra enfrentar o mato de eucaliptos. Nunca mais dirigi o trator também.
Mas é assim mesmo. Eu fico feliz por ter conseguido aproveitar a minha infância naquele lugar tão especial, que me abstraía da atmosfera da "cidade grande".
Fico feliz por ter ouvido do meu pai: "não seja cagona, guria!", inúmeras vezes, quando eu dizia que tinha medo de atravessar o campo por causa dos bois brabos, por exemplo...frase que na hora me deixava com raiva, mas que hoje ecoa na minha cabeça toda vez que eu penso "tenho medo disso".
A infância vai embora e leva detalhes preciosos.
Eu tento resgatar esse sentimento inconsequente de onipotência e coragem cada vez que volto na fazenda, mas essa aproximação vertiginosa do mundo adulto age como um repressor e me trava, diante de tudo.
Só espero que a minha irmã pequena descubra toda essa magia da fazenda, antes que seja tarde demais.
Impressionante como a gente fica vulnerável quando cresce.
quinta-feira, 13 de abril de 2006
domingo, 9 de abril de 2006
Grenal em tópicos:
1. Tá desculpado, Pedro Júnior!
2. A-ha, U-hu, o chiqueiro é nosso!
3. Ganhei 3 cevas!!! (aê bueno, quando quiseres me pagar, estarei à disposição!)
4. Vai tomar no cu, Pedro Ernesto!
5. Dá-lhe Tricolor!
6. Não vou colocar aquela que diz "puta que pariu....a m...se f...no beira-rio" em respeito ao meu grande amigo colorado.
GRÊMIO CAMPEÃO GAÚCHO 2006
(na casa dos "diamantes")
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Frases curiosas que eu já ouvi de gente alcoolizada:
- Não dirija bêbado, dirija um carro! (enquanto EU dirigia o carro do bebum em questão)
- Tira esses urubu daqui! (criatura desesperada, tapeando mosquitos, sentado debaixo do chuveiro)
- Eu tenho medo, me tira daqui, eu quero descer! (depois de ter subido corajosamente na casinha do salva-vidas)
- Eu não tou bêbado, me ajuda a caminhar, não sinto meus pés! (aos gritos, fazendo um papelão no meio da rua)
- Tu viu que ele nem olhou pra mim? (bêbada)
- Ele quem? (eu)
- Não sei, tou me sentindo sozinha! (bêbada)
- Hm, só tem nós duas aqui no quarto...(eu)
...silêncio...
- Tu acha que ele já tá com outra? (bêbada)
- Ele quem, criatura? (eu)
- O Marcos Palmeira, ele se separou, coitado. (bêbada chorando)
E a mais patética:
- Me deixa voaaar! (deitado na cama, viajando total)
- Tira esses urubu daqui! (criatura desesperada, tapeando mosquitos, sentado debaixo do chuveiro)
- Eu tenho medo, me tira daqui, eu quero descer! (depois de ter subido corajosamente na casinha do salva-vidas)
- Eu não tou bêbado, me ajuda a caminhar, não sinto meus pés! (aos gritos, fazendo um papelão no meio da rua)
- Tu viu que ele nem olhou pra mim? (bêbada)
- Ele quem? (eu)
- Não sei, tou me sentindo sozinha! (bêbada)
- Hm, só tem nós duas aqui no quarto...(eu)
...silêncio...
- Tu acha que ele já tá com outra? (bêbada)
- Ele quem, criatura? (eu)
- O Marcos Palmeira, ele se separou, coitado. (bêbada chorando)
E a mais patética:
- Me deixa voaaar! (deitado na cama, viajando total)
terça-feira, 4 de abril de 2006
help
Ontem de noite me bateu um desespero. Acho que caiu a ficha. Uma não, várias fichas.
Eu tou indo MORAR em um outro país, durante um tempo indeterminado e tava com sérias dificuldades em assimilar isso como um troço sério, que dá trabalho e requer o mínimo de dedicação. Eu tava muito displicente, daí quando vi a LISTA de coisas que eu tenho que resolver, me apavorei.
O tempo tá passando e eu decidi não planejar mais nada na minha vida social.
Eu não consigo mais dormir direito e já acordo com o coração acelerado. Eu empaco em decisões simples, que poderiam ser resolvidas numa ligação telefônica. Sequer fiz meu seguro saúde, não acabei os check-ups médicos ainda, nem decidi o que vou fazer com o meu celular. Não consigo me dedicar nas aulas de alemão. Não me mexi em relação à minha festa de despedida. Isso pra não falar no monte de coisas que eu preciso comprar.
Tá difícil. Eu tou aflita, nervosa e tenho medo de botar os pés pelas mãos.
Por favor, sejam legais comigo.
Eu tou indo MORAR em um outro país, durante um tempo indeterminado e tava com sérias dificuldades em assimilar isso como um troço sério, que dá trabalho e requer o mínimo de dedicação. Eu tava muito displicente, daí quando vi a LISTA de coisas que eu tenho que resolver, me apavorei.
O tempo tá passando e eu decidi não planejar mais nada na minha vida social.
Eu não consigo mais dormir direito e já acordo com o coração acelerado. Eu empaco em decisões simples, que poderiam ser resolvidas numa ligação telefônica. Sequer fiz meu seguro saúde, não acabei os check-ups médicos ainda, nem decidi o que vou fazer com o meu celular. Não consigo me dedicar nas aulas de alemão. Não me mexi em relação à minha festa de despedida. Isso pra não falar no monte de coisas que eu preciso comprar.
Tá difícil. Eu tou aflita, nervosa e tenho medo de botar os pés pelas mãos.
Por favor, sejam legais comigo.
let's play the game
eu pensei, repensei.
havia cogitado a idéia de mudar este singelo blog de endereço, mas...desisti.
é que eu não gosto quando as minhas coisas começam a se espalhar muito, mas depois de uma longa conversa com um amigo que é o meu mentor para assuntos aleatórios, acabei desistindo.
ele me persuadiu e me convenceu. me explicou que essas coisas de internet são assim mesmo e que, quem lê é quem gosta, pq. os que não gostam lêem uma vez e acabam esquecendo e nem fazem questão de olhar mais.
daí achei melhor deixar assim mesmo, até porque se eu for começar a mudar toda a minha vida por causa de pessoas que insistem em ultrapassar a linha do bom senso, eu vou virar uma louca anti-social, paranóica e chata pracaralho.
então, caros leitores, retomem seus assentos e fiquem novamente à vontade.
eu tenho que aprender a ser virtualmente sociável e, como diz o meu mentor: "aprende a conviver com esses fãs enrustidos que tu tem."
P.S. Agradecimento público e especial ao Luzera, que me surpreendeu no fotolog dele. :*
havia cogitado a idéia de mudar este singelo blog de endereço, mas...desisti.
é que eu não gosto quando as minhas coisas começam a se espalhar muito, mas depois de uma longa conversa com um amigo que é o meu mentor para assuntos aleatórios, acabei desistindo.
ele me persuadiu e me convenceu. me explicou que essas coisas de internet são assim mesmo e que, quem lê é quem gosta, pq. os que não gostam lêem uma vez e acabam esquecendo e nem fazem questão de olhar mais.
daí achei melhor deixar assim mesmo, até porque se eu for começar a mudar toda a minha vida por causa de pessoas que insistem em ultrapassar a linha do bom senso, eu vou virar uma louca anti-social, paranóica e chata pracaralho.
então, caros leitores, retomem seus assentos e fiquem novamente à vontade.
eu tenho que aprender a ser virtualmente sociável e, como diz o meu mentor: "aprende a conviver com esses fãs enrustidos que tu tem."
P.S. Agradecimento público e especial ao Luzera, que me surpreendeu no fotolog dele. :*
segunda-feira, 3 de abril de 2006
Uma Vida Iluminada
Surpreendente.
Uma produção independente da Warner na qual sobra qualidade.
Uma Vida Iluminada (Everything is Illuminated) é um road movie dos melhores.
O filme conta a história de Johnathan Safran Foer, um judeu americano que decide ir à Ucrânia em busca da mulher que salvou seu avô dos nazistas.
Parece uma história banal. E seria, não fosse a brilhante atuação do trio: Elijah Wood, Eugene Hutz e Boris Leskin.
Elijah encarna Johnathan Foer (o mesmo nome do autor do livro no qual o filme se baseia), um judeu esquisitão que cultiva uma mania peculiar: coleciona qualquer coisa (qualquer MESMO) que tenha relação com alguma pessoa da sua árvore genealógica. Acondiciona tudo em sacos plásticos e vai pendurando num grande painel, na parede do quarto.
Eugene Hutz é Alex, um ucraniano engraçado, meio inconsequente e aparentemente nada confiável. Gurizão, vai ser o tradutor e guia de Johnathan na Ucrânia.
O experiente Boris Leskin vive o avô de Alex, ucraniano totalmente pirado, pensa que é cego mas vai ser o motorista na longa viagem.
Pra completar, há ainda Sammy Davis Jr. Jr. (Jr. duas vezes mesmo), um cachorro feio e muito chato, fiel companheiro do avô demente de Alex, que vai render boas risadas em vários momentos.
E assim, o quarteto parte pra uma cidade chamada Trachimbrod, que sequer consta no mapa.
Mas o que chama atenção, além do magnífico roteiro, são fotografia e trilha sonora. Nunca vi um filme tão bonito, esteticamente falando: consegue ficar preto-e-branco mesmo sendo colorido em determinados momentos, ao mesmo tempo em que se apropria das cores mais vivas em algumas brilhantes cenas. Sem contar que a trilha sonora (composta por Paul Cantelon) é tão genial e se homogeniza de forma tão intensa com a história, que ficam praticamente indissociáveis.
Um filme suave e emocionante que surpreende a cada cena e te deixa com um sorriso tímido e lágrimas prestes a cair, durante todo o tempo. Toques de humor muito pertinentes fazem dessa produção, uma grandiosa obra de arte, de primeira linha.
(Curiosidade: O filme foi lançado em 2003, chegou agora em DVD aqui no Brasil, ao mesmo tempo em que estreou nos cinemas).
Uma produção independente da Warner na qual sobra qualidade.
Uma Vida Iluminada (Everything is Illuminated) é um road movie dos melhores.
O filme conta a história de Johnathan Safran Foer, um judeu americano que decide ir à Ucrânia em busca da mulher que salvou seu avô dos nazistas.
Parece uma história banal. E seria, não fosse a brilhante atuação do trio: Elijah Wood, Eugene Hutz e Boris Leskin.

Elijah encarna Johnathan Foer (o mesmo nome do autor do livro no qual o filme se baseia), um judeu esquisitão que cultiva uma mania peculiar: coleciona qualquer coisa (qualquer MESMO) que tenha relação com alguma pessoa da sua árvore genealógica. Acondiciona tudo em sacos plásticos e vai pendurando num grande painel, na parede do quarto.
Eugene Hutz é Alex, um ucraniano engraçado, meio inconsequente e aparentemente nada confiável. Gurizão, vai ser o tradutor e guia de Johnathan na Ucrânia.
O experiente Boris Leskin vive o avô de Alex, ucraniano totalmente pirado, pensa que é cego mas vai ser o motorista na longa viagem.
Pra completar, há ainda Sammy Davis Jr. Jr. (Jr. duas vezes mesmo), um cachorro feio e muito chato, fiel companheiro do avô demente de Alex, que vai render boas risadas em vários momentos.
E assim, o quarteto parte pra uma cidade chamada Trachimbrod, que sequer consta no mapa.
Mas o que chama atenção, além do magnífico roteiro, são fotografia e trilha sonora. Nunca vi um filme tão bonito, esteticamente falando: consegue ficar preto-e-branco mesmo sendo colorido em determinados momentos, ao mesmo tempo em que se apropria das cores mais vivas em algumas brilhantes cenas. Sem contar que a trilha sonora (composta por Paul Cantelon) é tão genial e se homogeniza de forma tão intensa com a história, que ficam praticamente indissociáveis.
Um filme suave e emocionante que surpreende a cada cena e te deixa com um sorriso tímido e lágrimas prestes a cair, durante todo o tempo. Toques de humor muito pertinentes fazem dessa produção, uma grandiosa obra de arte, de primeira linha.
(Curiosidade: O filme foi lançado em 2003, chegou agora em DVD aqui no Brasil, ao mesmo tempo em que estreou nos cinemas).
enfim,
ela havia entendido o porquê do cara ter aquela gana de mordê-la sempre:
havia perdido os dois dentes da frente, aos nove anos, num desses acidentes escolares.
teve os dois incisivos superiores reimplantados
e até hoje testa a competência do cirurgião-dentista no corpo dela.
havia perdido os dois dentes da frente, aos nove anos, num desses acidentes escolares.
teve os dois incisivos superiores reimplantados
e até hoje testa a competência do cirurgião-dentista no corpo dela.
sexta-feira, 31 de março de 2006
TOP 5
5 coisas que eu quero fazer antes de viajar:
1. Jantar no Al-Nur no dia que a mulher que lê a borra do café esteja lá.
2. Jantar na Sálvia Pizza - a melhor pizzaria de Porto Alegre
3. Passar um fim de semana na praia
4. Gravar algumas músicas que eu gosto pra levar e ouvir quando der saudade
5. Fazer um backup no meu computador
A quem interessar possa: faltam 45 dias.E eu ainda tenho um MONTE de coisas pra resolver. That's me o/
1. Jantar no Al-Nur no dia que a mulher que lê a borra do café esteja lá.
2. Jantar na Sálvia Pizza - a melhor pizzaria de Porto Alegre
3. Passar um fim de semana na praia
4. Gravar algumas músicas que eu gosto pra levar e ouvir quando der saudade
5. Fazer um backup no meu computador
A quem interessar possa: faltam 45 dias.E eu ainda tenho um MONTE de coisas pra resolver. That's me o/
ah,
eu não tou mais "perigosamente irada" já faz tempo...é que o site pra mudar o humor tá fora do ar.
só pra ninguém mais ficar com medo ou achar que eu ando de mal com a vida.
ó como eu tou feliz: :D
só pra ninguém mais ficar com medo ou achar que eu ando de mal com a vida.
ó como eu tou feliz: :D
quinta-feira, 30 de março de 2006
hein?!
A coisa mais engraçada em trabalhar com crianças, é ouvir elas falarem. As alterações de fala, muitas vezes, transformam a terapia em crise de riso.
Não que eu esteja rindo do problema nem da criança, mas sim, dos absurdos verbais que esses problemas originam.
A primeira vez que fiquei sozinha com um paciente, um menino de 6 anos, foi cômico. Ele me perguntou:
-tia, tu tem cílios?
eu achei a pergunta estranha, mas apontei pros meus olhos e mostrei que tinha cílios, sim.
daí ele fez uma cara de paisagem e explicou melhor:
-não, tia..."cílios", de pai, mãe e "cílios". Eu sou cílio da minha mãe, entendeu?
eu não sabia se ria ou se chorava e só naquele dia, caiu a minha ficha de que a partir dali, veria e ouviria as coisas mais bizarras do mundo.
Mas eu mesma, quando era pequena, falava um monte de coisas erradas como qualquer criança normal em fase de aquisição de linguagem (até os 5 anos, falar errado é tolerável) e aposto que todo mundo tinha as suas trocas que viraram marca registrada na família.
Por exemplo,
Eu tinha medo de andar na calçada, em Arroio do Sal, numa época em que tinha um monte de sacudos (cascudos) pelo chão.
Quando chegava na casa do meu tio, no Cassino, meus pais sempre tinham que me avisar quando a gente passasse pela couve-flor (catavento).
Minha mãe colocava roupas pra lavar na mánica (máquina).
O meu primeiro aniversário foi com personagens da turma da Môquina (mônica).
Quando eu tinha 8 meses, fiz uma plástica pra reconstruir o céu da boca, pq. cortei com uma colher. Por isso fiquei com a pancainha (campainha) tolta (torta). Eu mostrava pra todo mundo.
Depois eu fui crescendo e a complicação lingüística se estendeu:
Nos episódios do Chaves, eu demorei pra entender a sacada do Professor Girafales:
- Vim lhe trazer esse um mil de (humilde) presente! (achei que fossem mil rosas, sei lá)
Quando chegou a época das reuniões dançantes, eu gravei uma fita da banda da moda: Rock 7 (Roxette) - inclusive escrevi isso na capinha da fita, bem grande.
Mas eu tenho uma lista de coisas engraçadas que eu já ouvi de crianças, tipo:
-manoese (maionese)
-avenessário (aniversário)
-kekichupe (ketchupe) - FOI UMA CRIANÇA, OK? SEM PIADAS.
-fofudas (corcundas) - em uma música da xuxa, que falava do camelo que tinha 3 corcundas.
-church (água) - sim.
-chumiga (formiga)
-tic-tic-ná (tic-tac) - aqueles enfeites de cabelo, pra quem não sabe.
-bômbi (vôlei)
-nanadeu (penico) - pq. quem deu o penico foi a tia Nana.
-felefone (telefone)
e mais umas que eu não lembro agora...
E viva a minha profissão! :)
Não que eu esteja rindo do problema nem da criança, mas sim, dos absurdos verbais que esses problemas originam.
A primeira vez que fiquei sozinha com um paciente, um menino de 6 anos, foi cômico. Ele me perguntou:
-tia, tu tem cílios?
eu achei a pergunta estranha, mas apontei pros meus olhos e mostrei que tinha cílios, sim.
daí ele fez uma cara de paisagem e explicou melhor:
-não, tia..."cílios", de pai, mãe e "cílios". Eu sou cílio da minha mãe, entendeu?
eu não sabia se ria ou se chorava e só naquele dia, caiu a minha ficha de que a partir dali, veria e ouviria as coisas mais bizarras do mundo.
Mas eu mesma, quando era pequena, falava um monte de coisas erradas como qualquer criança normal em fase de aquisição de linguagem (até os 5 anos, falar errado é tolerável) e aposto que todo mundo tinha as suas trocas que viraram marca registrada na família.
Por exemplo,
Eu tinha medo de andar na calçada, em Arroio do Sal, numa época em que tinha um monte de sacudos (cascudos) pelo chão.
Quando chegava na casa do meu tio, no Cassino, meus pais sempre tinham que me avisar quando a gente passasse pela couve-flor (catavento).
Minha mãe colocava roupas pra lavar na mánica (máquina).
O meu primeiro aniversário foi com personagens da turma da Môquina (mônica).
Quando eu tinha 8 meses, fiz uma plástica pra reconstruir o céu da boca, pq. cortei com uma colher. Por isso fiquei com a pancainha (campainha) tolta (torta). Eu mostrava pra todo mundo.
Depois eu fui crescendo e a complicação lingüística se estendeu:
Nos episódios do Chaves, eu demorei pra entender a sacada do Professor Girafales:
- Vim lhe trazer esse um mil de (humilde) presente! (achei que fossem mil rosas, sei lá)
Quando chegou a época das reuniões dançantes, eu gravei uma fita da banda da moda: Rock 7 (Roxette) - inclusive escrevi isso na capinha da fita, bem grande.
Mas eu tenho uma lista de coisas engraçadas que eu já ouvi de crianças, tipo:
-manoese (maionese)
-avenessário (aniversário)
-kekichupe (ketchupe) - FOI UMA CRIANÇA, OK? SEM PIADAS.
-fofudas (corcundas) - em uma música da xuxa, que falava do camelo que tinha 3 corcundas.
-church (água) - sim.
-chumiga (formiga)
-tic-tic-ná (tic-tac) - aqueles enfeites de cabelo, pra quem não sabe.
-bômbi (vôlei)
-nanadeu (penico) - pq. quem deu o penico foi a tia Nana.
-felefone (telefone)
e mais umas que eu não lembro agora...
E viva a minha profissão! :)
quarta-feira, 29 de março de 2006
terça-feira, 28 de março de 2006
A propósito,
você já mandou algum brasileiro pro espaço?
Se ainda não, entre na moda e mande o seu.
Espaço aberto para xingamentos, baixarias, descidas do salto, rodadas de baianas, chutações de balde e paus de barraca. Fique à vontade.
Estatística:
- último brasileiro mandado pro espaço: Antonio Palocci
- penúltimo brasileiro mandado pro espaço: Agustinho (BBB 6)
- próximo brasileiro a ser mandado pro espaço: Astronauta Marcos Pontes
Se ainda não, entre na moda e mande o seu.
Espaço aberto para xingamentos, baixarias, descidas do salto, rodadas de baianas, chutações de balde e paus de barraca. Fique à vontade.
Estatística:
- último brasileiro mandado pro espaço: Antonio Palocci
- penúltimo brasileiro mandado pro espaço: Agustinho (BBB 6)
- próximo brasileiro a ser mandado pro espaço: Astronauta Marcos Pontes
segunda-feira, 27 de março de 2006
The Wonders
Como eu não sei fazer músicas, eu uso as dos outros. Mas o efeito é praticamente o mesmo.
That Thing You Do
You doing that thing you do!
Breakin' my heart into a million pieces
Like you always do.
And you, don't mean to be cruel.
You never even knew about the heartache
I've been going through.
Well I try and try to forget you guy
But it's just so hard to do.
Every time you do that thing you do!
I know all the games you play
And I'm gonna find a way to let you know
That you'll be mine someday.
Cause we, could be happy can't you see?
If you know me let me be the one to hold you
And keep you here with me.
'Cause I try and try to forget you guy
But it's just so hard to do.
Every time you do that thing you do!
I don't ask a lot guy but I know one thing's for sure.
It's the love that I haven't got guy.
And I just can't take it anymore.
Cause we, could be happy can't you see?
If you know me let me be the one to hold you
and keep you here with me.
Cause it hurts me so just to see you go guy
Around with someone new.
And to find that you, you're doing that thing.
Every day just doing that thing.
I can't take you doing that thing you do.
That Thing You Do
You doing that thing you do!
Breakin' my heart into a million pieces
Like you always do.
And you, don't mean to be cruel.
You never even knew about the heartache
I've been going through.
Well I try and try to forget you guy
But it's just so hard to do.
Every time you do that thing you do!
I know all the games you play
And I'm gonna find a way to let you know
That you'll be mine someday.
Cause we, could be happy can't you see?
If you know me let me be the one to hold you
And keep you here with me.
'Cause I try and try to forget you guy
But it's just so hard to do.
Every time you do that thing you do!
I don't ask a lot guy but I know one thing's for sure.
It's the love that I haven't got guy.
And I just can't take it anymore.
Cause we, could be happy can't you see?
If you know me let me be the one to hold you
and keep you here with me.
Cause it hurts me so just to see you go guy
Around with someone new.
And to find that you, you're doing that thing.
Every day just doing that thing.
I can't take you doing that thing you do.
sábado, 25 de março de 2006
Brilha Brilha estrelinha...

Eu tou numa fase péssima: falta inspiração pra escrever. Quando isso acontece, a melhor coisa a fazer, dizem os especialistas, é trocar tudo por uma imagem, uma foto qualquer.
Mas essa não é uma foto qualquer.
A estrelinha do mar aí em cima, é a pessoa que mais me dá colo, me mima, me enche de beijo com a boca suja de feijão, me assusta com lagartixas de borracha, me abraça "bem fortão" e me diz todos os dias que me ama. É quase uma extensão de mim mesma. E eu não acho que o fato de ela ser parecida comigo seja um mero acaso genético. Ela é a minha porção inocentemente transgressora.
Uma pequena grande mestre, me ensinou que sentar no chão e desenhar com lápis de cor pode ser a solução pra muitos problemas; que imitar o Nemo e a Dory, faz a gente rir até a barriga doer; que dançar na frente do espelho deixa a gente cansada, suada, mas...feliz; me ensinou que comer doce-de-leite escondido do pai e da mãe direto do pote, com o dedo, nem é feio. e não engorda. e o melhor: ela me mostrou que eu ainda tenho muito pique pra apostar corrida e ver quem chega primeiro no mar. Só me deixa com um nó na garganta quando ela pergunta, com os olhinhos de jabuticaba, se vai demorar pra eu voltar da alemanha.
Esse dia aí da foto, foi a apresentação final do curso de Ballet. A maioria das fotos não prestou porque a fotógrafa aqui, não sabia se batia a foto, se ria, ou se secava as lágrimas. Ficou tudo fora de foco.
E o que me deixa mais feliz, é que além de tudo, ela canta Lucy in The Sky With Diamonds e Let It Be.
E me olha fazendo careta quando toca funk em algum lugar.
'Brigada, Luísa.
(Em breve, mais um testemunho. É que eu tenho duas irmãs).
terça-feira, 21 de março de 2006
el dia que me quieras
venci minha desconfiança e, pela primeira vez, fiz uma compra online!
óbvio que morri de medo na hora que tava digitando os números do meu cartão de crédito na página do submarino, mas lembrando da felicidade do meu pai, quando viu o cd duplo do Carlos Gardel por apenas 23,90, eu me enchi de coragem e resolvi fazer esse agrado.
o cd acabou de chegar mas meu pai tá viajando.
já ouvi inteiro e é lindo, lindo.
não vejo a hora de mostrar pro pai, mesmo sabendo exatamente o que ele vai fazer: pula pra faixa 2 e cantar "por una cabeza" junto com o Carlitos.
e depois, vai fingir que é um exímio dançarino de tango e vai arriscar uns passos, no meio da sala.
o mercado livre que me aguarde.
óbvio que morri de medo na hora que tava digitando os números do meu cartão de crédito na página do submarino, mas lembrando da felicidade do meu pai, quando viu o cd duplo do Carlos Gardel por apenas 23,90, eu me enchi de coragem e resolvi fazer esse agrado.
o cd acabou de chegar mas meu pai tá viajando.
já ouvi inteiro e é lindo, lindo.
não vejo a hora de mostrar pro pai, mesmo sabendo exatamente o que ele vai fazer: pula pra faixa 2 e cantar "por una cabeza" junto com o Carlitos.
e depois, vai fingir que é um exímio dançarino de tango e vai arriscar uns passos, no meio da sala.
o mercado livre que me aguarde.
do not disturb.
daí se a gente tá meio alterada emocionalmente num dia, as pessoas logo estranham e ou fazem piadinhas bestas.
porque eu sou até bem equilibrada e não tenho grandes problemas de comportamento (ainda bem), daí é estranho mesmo quando eu fico um pouco....séria.
muitas vezes, eu fico assim porque eu sofro demais com uma coisa que se chama intuição. eu tenho ela tão, mas tão aguçada, que na grande maioria das vezes, eu fico alterada sem saber bem o motivo. é uma sensação de "putz. aconteceu alguma coisa que vai me deixar ou me deixaria triste", o famoso "deu merda".
podem me chamar de louca. i don't care.
quem já presenciou meus momentos intuitivos, sabe do que eu tou falando.
mas o interessante quando isso acontece é que a gente nota algumas coisas fundamentais:
-algumas pessoas te tiram pra "nervosinha", demonstrando total falta de tato, de respeito e de sensibilidade.
-outras pessoas perguntam se "tu tá na TPM", sendo que eu nunca na vida sofri com essas alterações exclusivamente femininas e acho um absurdo quando mulheres se utilizam desse artifício pra justificar toda e qualquer atitude (inclusive homicídios, em alguns países).
-tu percebe que a maioria não tá nem aí e sequer pensa duas vezes antes de mudar de assunto ou te deixar falando sozinha e tu acaba chorando de raiva (no meu caso).
-por fim, tu te dá conta que a maioria das pessoas não sabe lidar com a gente quando estamos um pouquinho mais alteradas do que o normal. então, vou dar a dica de como funciona comigo: trocar palavras por um beijo, um abraço, um sorriso, um colo ou, no mínimo, por silêncio.
porque eu não tenho mais idade pra passar por cima do que eu sinto pra agradar alguém.
porque eu sou até bem equilibrada e não tenho grandes problemas de comportamento (ainda bem), daí é estranho mesmo quando eu fico um pouco....séria.
muitas vezes, eu fico assim porque eu sofro demais com uma coisa que se chama intuição. eu tenho ela tão, mas tão aguçada, que na grande maioria das vezes, eu fico alterada sem saber bem o motivo. é uma sensação de "putz. aconteceu alguma coisa que vai me deixar ou me deixaria triste", o famoso "deu merda".
podem me chamar de louca. i don't care.
quem já presenciou meus momentos intuitivos, sabe do que eu tou falando.
mas o interessante quando isso acontece é que a gente nota algumas coisas fundamentais:
-algumas pessoas te tiram pra "nervosinha", demonstrando total falta de tato, de respeito e de sensibilidade.
-outras pessoas perguntam se "tu tá na TPM", sendo que eu nunca na vida sofri com essas alterações exclusivamente femininas e acho um absurdo quando mulheres se utilizam desse artifício pra justificar toda e qualquer atitude (inclusive homicídios, em alguns países).
-tu percebe que a maioria não tá nem aí e sequer pensa duas vezes antes de mudar de assunto ou te deixar falando sozinha e tu acaba chorando de raiva (no meu caso).
-por fim, tu te dá conta que a maioria das pessoas não sabe lidar com a gente quando estamos um pouquinho mais alteradas do que o normal. então, vou dar a dica de como funciona comigo: trocar palavras por um beijo, um abraço, um sorriso, um colo ou, no mínimo, por silêncio.
porque eu não tenho mais idade pra passar por cima do que eu sinto pra agradar alguém.
sábado, 18 de março de 2006
sexta-feira, 17 de março de 2006
Diálogo muito inteligente
entre a faxineira do meu prédio (que tá sempre mal-humorada) e dois piás que brincavam no saguão, de mochila nas costas, enquanto esperavam o transporte escolar:
- Vou dizer uma coisa pra vocês: larga desse negócio de estudar e vão jogar bola.
os piás se olharam...silêncio. Ela continuou:
-Verdade. Só quem se dá bem nesse país é jogador de futebol e político. E pra ser qualquer um desses dois, nem precisa saber das coisas que o colégio ensina. Agora, se não estudar e ainda tiver o azar de nascer pobre, como eu, vai morrer fazendo faxina. Isso, se conseguir um emprego.
E eu ali, esperando o elevador e lamentando profundamente que eu não tenha nascido rica, nem com habilidades futebolísticas nem com o mau caratismo indispensável pra outra sugestão da mulher.
Tenho mais é que me ralar nas aulas de Alemão mesmo.
- Vou dizer uma coisa pra vocês: larga desse negócio de estudar e vão jogar bola.
os piás se olharam...silêncio. Ela continuou:
-Verdade. Só quem se dá bem nesse país é jogador de futebol e político. E pra ser qualquer um desses dois, nem precisa saber das coisas que o colégio ensina. Agora, se não estudar e ainda tiver o azar de nascer pobre, como eu, vai morrer fazendo faxina. Isso, se conseguir um emprego.
E eu ali, esperando o elevador e lamentando profundamente que eu não tenha nascido rica, nem com habilidades futebolísticas nem com o mau caratismo indispensável pra outra sugestão da mulher.
Tenho mais é que me ralar nas aulas de Alemão mesmo.
quinta-feira, 16 de março de 2006
Chá de Viagem
Tem chá de panela, quando a mulher casa.
Tem chá de fralda, quando ficam grávidas.
Por que diabos não pode ter um chá de viagem, quando a gente viaja??
Po, viagem é um gasto enorme, nos últimos meses a gente vive numa contenção de gastos absurda e até a passagem de ônibus é calculada minuciosamente. Nem uma casquinha do méqui a gente pode comer sem culpa.
Não é fácil. As pessoas aqui em casa já emagreceram uns 10kg cada uma, menos a menorzinha que ganha merenda no colégio. Estamos sobrevivendo graças à colaboração dos vizinhos e do zelador do prédio, que todo mês nos dá uma cesta básica.
Mas tudo vai melhorar quando eu for embora de vez e começar a ganhar MUITA grana em Euro, lógico. Daí eu vou mandar 1/3 pra minha família, farei uma poupança e um plano de previdência com o outro 1/3 e com o resto eu me mantenho por lá. Então, quando eu voltar, estarei rica e vou construir a minha casa, com pátio, piscina, churrasqueira, playground, minizoo, jardim zen, academia, quadra de tênis, campo de golfe e um méqui só pra mim.
Mas...enquanto tudo isso não acontece, eu conto com a ajuda de vocês!
Eu podia estar nas ruas, fumando crack, cheirando cola, roubando e matando, mas estou aqui, educadamente pedindo qualquer colaboração: vale transporte, ticket refeição, notas de 10, 20, 50 e vou deixar uma listinha de coisas que eu preciso, caso alguém se sensibilize.
- kit de maquiagem (pode ser da Natura mesmo)
- kit de unhas (com alicate)
- pijama de verão
- sandália salto anabela, não muito alta, preta ou marrom
- calça jeans (pode ser da Ellus, tam. 38)
- Guia de Viagem "Langenscheidt", em Alemão, óbvio
- chinelos havaianas (pq. eu odeio quem fala "sandálias havaianas"), cores diversas, nºs variados porque é pra revender mesmo.
- All Star Preto, cano curto nº 37 (pq. o meu laranja tá detonado) - dica: na Voluntários é bem barato.
- Mochila de viagem, daquela marca Trilhas e Rumos (www.trilhaserumos.com.br)
- Bandeiras do Brasil, do RS e do Grêmio
- Câmera digital compacta com zoom óptico e digital, com resolução não inferior a 4.1 MP.
Acho que era isso!
Agradeço a colaboração!
Quem colaborar, ganha um banho de piscina na minha casa, quando eu construir.
Tem chá de fralda, quando ficam grávidas.
Por que diabos não pode ter um chá de viagem, quando a gente viaja??
Po, viagem é um gasto enorme, nos últimos meses a gente vive numa contenção de gastos absurda e até a passagem de ônibus é calculada minuciosamente. Nem uma casquinha do méqui a gente pode comer sem culpa.
Não é fácil. As pessoas aqui em casa já emagreceram uns 10kg cada uma, menos a menorzinha que ganha merenda no colégio. Estamos sobrevivendo graças à colaboração dos vizinhos e do zelador do prédio, que todo mês nos dá uma cesta básica.
Mas tudo vai melhorar quando eu for embora de vez e começar a ganhar MUITA grana em Euro, lógico. Daí eu vou mandar 1/3 pra minha família, farei uma poupança e um plano de previdência com o outro 1/3 e com o resto eu me mantenho por lá. Então, quando eu voltar, estarei rica e vou construir a minha casa, com pátio, piscina, churrasqueira, playground, minizoo, jardim zen, academia, quadra de tênis, campo de golfe e um méqui só pra mim.
Mas...enquanto tudo isso não acontece, eu conto com a ajuda de vocês!
Eu podia estar nas ruas, fumando crack, cheirando cola, roubando e matando, mas estou aqui, educadamente pedindo qualquer colaboração: vale transporte, ticket refeição, notas de 10, 20, 50 e vou deixar uma listinha de coisas que eu preciso, caso alguém se sensibilize.
- kit de maquiagem (pode ser da Natura mesmo)
- kit de unhas (com alicate)
- pijama de verão
- sandália salto anabela, não muito alta, preta ou marrom
- calça jeans (pode ser da Ellus, tam. 38)
- Guia de Viagem "Langenscheidt", em Alemão, óbvio
- chinelos havaianas (pq. eu odeio quem fala "sandálias havaianas"), cores diversas, nºs variados porque é pra revender mesmo.
- All Star Preto, cano curto nº 37 (pq. o meu laranja tá detonado) - dica: na Voluntários é bem barato.
- Mochila de viagem, daquela marca Trilhas e Rumos (www.trilhaserumos.com.br)
- Bandeiras do Brasil, do RS e do Grêmio
- Câmera digital compacta com zoom óptico e digital, com resolução não inferior a 4.1 MP.
Acho que era isso!
Agradeço a colaboração!
Quem colaborar, ganha um banho de piscina na minha casa, quando eu construir.
Cor-de-Rosa
Tá, template novo e tal.
Tava na hora de mudar. Gostei desse rosinha.
Mas assim, se eu soubesse que mudar o template envolveria tanta gente (pq. eu não sei fazer essas coisas de HTML, HSFDY, JSGDDV), não tinha começado a essa hora.
Então tá né.
Vai ter gente que vai gostar, outros não. Mas azar. Agora vai ficar assim por um tempo, só pelo trabalhão.
Agradecimentos especiais ao Rodrigo e ao Guto. Sem eles, eu não teria conseguido chegar até aqui. :D
Ah, depois eu converso com o Tialerson, pq. eu fui tosca e não sei o que eu fiz que apagou o nome dele como colaborador. Hehehehehe...
Tava na hora de mudar. Gostei desse rosinha.
Mas assim, se eu soubesse que mudar o template envolveria tanta gente (pq. eu não sei fazer essas coisas de HTML, HSFDY, JSGDDV), não tinha começado a essa hora.
Então tá né.
Vai ter gente que vai gostar, outros não. Mas azar. Agora vai ficar assim por um tempo, só pelo trabalhão.
Agradecimentos especiais ao Rodrigo e ao Guto. Sem eles, eu não teria conseguido chegar até aqui. :D
Ah, depois eu converso com o Tialerson, pq. eu fui tosca e não sei o que eu fiz que apagou o nome dele como colaborador. Hehehehehe...
quarta-feira, 15 de março de 2006
Dicionário
Eu li em algum lugar a frase "...viver pinicando a pele", e resolvi procurar o significado exato da palavra "pinicar" no dicionário (sim, dicionário é um vício).
Mas hoje foi curioso: abri o dicionário procurando "pinicar" e, quando eu vi, tava lendo o significado de "viver"...
-Mas eu sou tão desatenta que, muitas vezes, me pego procurando uma palavra em português, no dicionário de inglês e vice-versa.
Mas hoje foi curioso: abri o dicionário procurando "pinicar" e, quando eu vi, tava lendo o significado de "viver"...
airplanes and airports
tickets in her hand
she said there's no turning back
to get feet out of this land
a dream she always had
never asked no one about
how they got the news
a thought that flashed her mind
no longer these cheap thrills
wondering of other skies
leave all the ghosts behind
new air to open wings
gain height, climb, and fly
and airplanes and airports
she'll be flying soon
I had no option, I had no choice
I had no word, I had no voice
not even the right to speak about
she's not going to turn around
no option, no choice, no word, no voice
-
I get speechless everytime you ask me
do I feel happy with your dream come true
it's a fight between my selfish one
and the I that loves you
to get feet out of this land
a dream she always had
never asked no one about
how they got the news
a thought that flashed her mind
no longer these cheap thrills
wondering of other skies
leave all the ghosts behind
new air to open wings
gain height, climb, and fly
and airplanes and airports
she'll be flying soon
I had no option, I had no choice
I had no word, I had no voice
not even the right to speak about
she's not going to turn around
no option, no choice, no word, no voice
-
I get speechless everytime you ask me
do I feel happy with your dream come true
it's a fight between my selfish one
and the I that loves you
***
Foi o melhor presente pré viagem que eu recebi até hoje.
O melhor, e o pior ao mesmo tempo.
Bom pela intenção, pela intensidade, pelas revelações, pela surpresa, pela verdade.
Ruim pelo tom de despedida.
Daí eu vejo tudo escorrer pelos meus dedos...
E cresce um imenso e incômodo ponto de interrogação acima da minha cabeça: não tenho controle sobre a minha própria vida. Mas, quem tem?
segunda-feira, 13 de março de 2006
Beep Beep!
Todo mundo lembra daquele desenho do Papaléguas e do Coiote, né?
O foco central da história era sempre o mesmo: O Coiote vivia querendo acabar com o Papaléguas.
Pra isso, utilizava as mais bizarras armadilhas da ACME pra pegar o bicho, mas sempre davam errado, porque o papaléguas era bem mais esperto e desviava de todas com uma astúcia incrível.
O coitado do Coiote passou dias, meses, anos envolvido com a vida do Papaléguas que acabou esquecendo que tinha a sua própria. Enquanto isso, o Papaléguas, às vezes, aparecia como mero coadjuvante no desenho, passava correndo sempre, pelo simples fato de que ele tinha tanta coisa com o que se preocupar na sua vida (a vida do papaléguas era extremamente movimentada, sabiam?), que o Coiote acabou virando sua diversão.
Tá, a historinha pode ter várias lições no final, mas a mais simples e a que eu mais gosto tá representada nessa cena que ilustra esse post: o papaléguas sempre sabia a hora certa de parar. ;)

O foco central da história era sempre o mesmo: O Coiote vivia querendo acabar com o Papaléguas.
Pra isso, utilizava as mais bizarras armadilhas da ACME pra pegar o bicho, mas sempre davam errado, porque o papaléguas era bem mais esperto e desviava de todas com uma astúcia incrível.
O coitado do Coiote passou dias, meses, anos envolvido com a vida do Papaléguas que acabou esquecendo que tinha a sua própria. Enquanto isso, o Papaléguas, às vezes, aparecia como mero coadjuvante no desenho, passava correndo sempre, pelo simples fato de que ele tinha tanta coisa com o que se preocupar na sua vida (a vida do papaléguas era extremamente movimentada, sabiam?), que o Coiote acabou virando sua diversão.
Tá, a historinha pode ter várias lições no final, mas a mais simples e a que eu mais gosto tá representada nessa cena que ilustra esse post: o papaléguas sempre sabia a hora certa de parar. ;)

domingo, 12 de março de 2006
(sem título)
Andava enxergando tudo meio embaçado. Esfregava os olhos mas não adiantava. Pareciam pequenos arranhões, distorcendo as imagens e dificultando a visão - são meus olhos ou meus óculos?
Queria enxergar as coisas mais longes e não conseguia... Estava presa no presente.
Por vezes, lacrimejava e desistia. Fechava os olhos e viajava cega nos seus pensamentos nítidos.
Andava preocupada - até quando os arranhões vão atrapalhar o meu futuro?
Tropeçava, perdia ônibus, não enxergava mais os conhecidos com quem cruzava na rua.
Estava ficando cada vez mais atormentada, mais cega, mais distante dos sonhos.
Até que um dia, mexendo naquela gaveta das coisas esquecidas, achou os óculos antigos. Simples, com lentes intactas, límpidas e leves. Aproximou-o dos olhos e, como num passe de mágica a vida ficou mais transparente e colorida. E o futuro lhe sorriu o sorriso mais lindo do mundo.
Queria enxergar as coisas mais longes e não conseguia... Estava presa no presente.
Por vezes, lacrimejava e desistia. Fechava os olhos e viajava cega nos seus pensamentos nítidos.
Andava preocupada - até quando os arranhões vão atrapalhar o meu futuro?
Tropeçava, perdia ônibus, não enxergava mais os conhecidos com quem cruzava na rua.
Estava ficando cada vez mais atormentada, mais cega, mais distante dos sonhos.
Até que um dia, mexendo naquela gaveta das coisas esquecidas, achou os óculos antigos. Simples, com lentes intactas, límpidas e leves. Aproximou-o dos olhos e, como num passe de mágica a vida ficou mais transparente e colorida. E o futuro lhe sorriu o sorriso mais lindo do mundo.
sexta-feira, 10 de março de 2006
do verão de 2003
"as tardes na praia são frias, mas lindas. nós sentamos imóveis, falando pouco.
só deus sabe como viemos parar aqui.
eu lhe disse tudo que posso dizer. ela pensa que estou ocultando algo. não estou. só não sei muito.
nós furtamos olhares ocasionais um ao outro, sorrisos rápido e fugazes. estamos constrangidos agora. chegamos perto demais, falamos muito abertamente.
temos de recuar...deixar as coisas seguirem seu próprio ritmo.
eu tento não pensar a respeito do que aconteceu ou vai acontecer conosco.
tento ser uma parte do cenário, tão tranquilo quanto o mar ou o céu..."
só deus sabe como viemos parar aqui.
eu lhe disse tudo que posso dizer. ela pensa que estou ocultando algo. não estou. só não sei muito.
nós furtamos olhares ocasionais um ao outro, sorrisos rápido e fugazes. estamos constrangidos agora. chegamos perto demais, falamos muito abertamente.
temos de recuar...deixar as coisas seguirem seu próprio ritmo.
eu tento não pensar a respeito do que aconteceu ou vai acontecer conosco.
tento ser uma parte do cenário, tão tranquilo quanto o mar ou o céu..."
ovo
ela, irritada: "eu tou sempre tendo que me fazer clara!"
ele, irritando: "mas eu prefiro que tu gema."
ele, irritando: "mas eu prefiro que tu gema."
quinta-feira, 9 de março de 2006
início
quando viu, mal sabia que seria o início.
e olhar nos olhos dele era como submergir num mar agitado e sedento - por respostas, incansável.
aí, já estava sorrindo novamente das idéias insanas que brotavam de um jeito assustadoramente natural daquela mente fértil.
já estava concordando com as teorias absurdas dele que projetavam-na pra um outro mundo, em segundos.
ele tinha a capacidade de abduzi-la da realidade e, sem saber, alimentava suas idéias mais loucas.
tinha o poder de fazê-la flutuar com um sorriso.
e aí, ela só sentia-se à vontade quando olhava novamente aqueles olhos caídos e cansados que, por vezes, escondiam-se atrás de lentes numa tentativa de enxergar o mundo um pouco menos distorcido pela sua própria cabeça.
contava os dias, pra poder admirá-lo outra vez durante horas, dormindo displicente.
fechava os olhos só pra ficar mais fácil de imaginar o toque das mãos dele pelo seu corpo.
ele era a exceção de todas as suas regras e a mais deliciosa das transgressões.
quando viu, estava nessa de sonhar acordada com o dia em que pudesse realmente absorver, devorar, concordar, discordar, descobrir e mergulhar naquela interminável atmosfera de tantas coisas que lhe interessavam como se lhe pertencessem.
Enlouquecida, quis correr para longe... mas quando viu, era tarde demais.
e olhar nos olhos dele era como submergir num mar agitado e sedento - por respostas, incansável.
aí, já estava sorrindo novamente das idéias insanas que brotavam de um jeito assustadoramente natural daquela mente fértil.
já estava concordando com as teorias absurdas dele que projetavam-na pra um outro mundo, em segundos.
ele tinha a capacidade de abduzi-la da realidade e, sem saber, alimentava suas idéias mais loucas.
tinha o poder de fazê-la flutuar com um sorriso.
e aí, ela só sentia-se à vontade quando olhava novamente aqueles olhos caídos e cansados que, por vezes, escondiam-se atrás de lentes numa tentativa de enxergar o mundo um pouco menos distorcido pela sua própria cabeça.
contava os dias, pra poder admirá-lo outra vez durante horas, dormindo displicente.
fechava os olhos só pra ficar mais fácil de imaginar o toque das mãos dele pelo seu corpo.
ele era a exceção de todas as suas regras e a mais deliciosa das transgressões.
quando viu, estava nessa de sonhar acordada com o dia em que pudesse realmente absorver, devorar, concordar, discordar, descobrir e mergulhar naquela interminável atmosfera de tantas coisas que lhe interessavam como se lhe pertencessem.
Enlouquecida, quis correr para longe... mas quando viu, era tarde demais.
terça-feira, 7 de março de 2006
sobre o dia 08 de março
eu não tenho nenhum problema em andar de ônibus, mas podendo, eu cato caronas.
eu mudo meus horários se for pra ir de carro. pelo simples fato de ser mais rápido e mais confortável.
hoje eu tava voltando da clínica e liguei pra saber onde meu pai estava:
-oi pai, onde tu tá?
-aqui na depaschoal, fazendo balanceamento no carro.
-tá, tou indo aí te encontrar pra pegar uma carona pra casa.
-tá. te espero aqui.
chegando lá, esperei uns 10 minutos até o cara acabar.
daí chega o mecânico com a notícia:
-o pneu traseiro tá com defeito, acho melhor o senhor trocar.
-defeito?! mas eu troquei não faz 2 meses!
daí meu pai foi lá olhar e realmente tava com defeito.
como meu pai não é do tipo que deixa coisas pra depois (ainda mais em se tratando do carro), lá fomos nós na loja onde ele havia trocado os pneus.
eu, como tava de carona, tive que ir junto.
um lugar feio, sujo e cheio de homens suados e engraxados.
e eu lá, de tamanquinho, e bolsinha no ombro, me sentindo um ET naquele cenário, vendo eles falarem sobre coisas que eu não fazia a menor idéia que existiam.
ficamos, meu pai e eu, em pé ali do lado dos caras enquanto eles arrumavam o troço.
vendo que não tinha muita saída, resolvi aprender o máximo de coisas possíveis sobre carros.
prestei atenção nas peças que iam aparecendo e descobri que na roda, existe um negócio, chamado PRISIONEIRO, onde é afixado o pneu, dentre outras coisas.
e o meu pai me explicando tudo, didaticamente, com a paciência de sempre.
eu sabia coisas básicas, por ser curiosa (eu adoro ler manuais de coisas), questionadora (eu pergunto TUDO, sempre) e metida (metida mesmo), e por ter medo de que um dia eu tenha que ir sozinha a uma oficina e os caras tentem me engambelar, pq. eu sou mulher.
mas hoje fiz uma espécie de especialização intensiva.
eu troco lâmpadas, resistência de chuveiros, instalo antenas de tv (UHF, inclusive), conserto tomadas, faço extensões, sempre comprei cabos pro videocassete, faço as instalações de TV/DVD/SOM/COMPUTADOR, sem perguntar pra ninguém. e mato baratas sem o menor problema.
essa é a minha porção masculina, que funciona muito bem.
eu faço quase tudo aquilo cuja responsabilidade é (culturamente) masculina. mas...E DAÍ?
só faço tudo isso pq. o meu pai passa a semana viajando, e alguém tinha que aprender.
o meu lado feminino é TÃO superior, que quando eu casar, podem ter certeza de que o meu marido vai ter uma MULHER de verdade em casa - e não essas coisas esquisitas que têm por aí hoje em dia.
SIM, vou ser do tipo que trabalha fora, cozinha, lava, passa, cuida dos piás e ainda lembra de molhar as violetas. vou lembrar de ter sempre cerveja gelada- SIM, vou agradar o meu marido.
e tudo isso não me faz menos inteligente ou menos independente.
pq. também é com sutileza, carinho e parceria que conquistamos os homens - e o nosso espaço.
chega desse feminismo falso que tá acabando com a sensualidade e a graça natural das mulheres. eu não luto e não quero igualdade.
eu brigo por RESPEITO. mas isso só vai acontecer de verdade, quando as próprias mulheres aprenderem a se respeitar e a se reconhecerem como MULHERES (em caps lock).
e que se dane o dia internacional da mulher.
eu mudo meus horários se for pra ir de carro. pelo simples fato de ser mais rápido e mais confortável.
hoje eu tava voltando da clínica e liguei pra saber onde meu pai estava:
-oi pai, onde tu tá?
-aqui na depaschoal, fazendo balanceamento no carro.
-tá, tou indo aí te encontrar pra pegar uma carona pra casa.
-tá. te espero aqui.
chegando lá, esperei uns 10 minutos até o cara acabar.
daí chega o mecânico com a notícia:
-o pneu traseiro tá com defeito, acho melhor o senhor trocar.
-defeito?! mas eu troquei não faz 2 meses!
daí meu pai foi lá olhar e realmente tava com defeito.
como meu pai não é do tipo que deixa coisas pra depois (ainda mais em se tratando do carro), lá fomos nós na loja onde ele havia trocado os pneus.
eu, como tava de carona, tive que ir junto.
um lugar feio, sujo e cheio de homens suados e engraxados.
e eu lá, de tamanquinho, e bolsinha no ombro, me sentindo um ET naquele cenário, vendo eles falarem sobre coisas que eu não fazia a menor idéia que existiam.
ficamos, meu pai e eu, em pé ali do lado dos caras enquanto eles arrumavam o troço.
vendo que não tinha muita saída, resolvi aprender o máximo de coisas possíveis sobre carros.
prestei atenção nas peças que iam aparecendo e descobri que na roda, existe um negócio, chamado PRISIONEIRO, onde é afixado o pneu, dentre outras coisas.
e o meu pai me explicando tudo, didaticamente, com a paciência de sempre.
eu sabia coisas básicas, por ser curiosa (eu adoro ler manuais de coisas), questionadora (eu pergunto TUDO, sempre) e metida (metida mesmo), e por ter medo de que um dia eu tenha que ir sozinha a uma oficina e os caras tentem me engambelar, pq. eu sou mulher.
mas hoje fiz uma espécie de especialização intensiva.
eu troco lâmpadas, resistência de chuveiros, instalo antenas de tv (UHF, inclusive), conserto tomadas, faço extensões, sempre comprei cabos pro videocassete, faço as instalações de TV/DVD/SOM/COMPUTADOR, sem perguntar pra ninguém. e mato baratas sem o menor problema.
essa é a minha porção masculina, que funciona muito bem.
eu faço quase tudo aquilo cuja responsabilidade é (culturamente) masculina. mas...E DAÍ?
só faço tudo isso pq. o meu pai passa a semana viajando, e alguém tinha que aprender.
o meu lado feminino é TÃO superior, que quando eu casar, podem ter certeza de que o meu marido vai ter uma MULHER de verdade em casa - e não essas coisas esquisitas que têm por aí hoje em dia.
SIM, vou ser do tipo que trabalha fora, cozinha, lava, passa, cuida dos piás e ainda lembra de molhar as violetas. vou lembrar de ter sempre cerveja gelada- SIM, vou agradar o meu marido.
e tudo isso não me faz menos inteligente ou menos independente.
pq. também é com sutileza, carinho e parceria que conquistamos os homens - e o nosso espaço.
chega desse feminismo falso que tá acabando com a sensualidade e a graça natural das mulheres. eu não luto e não quero igualdade.
eu brigo por RESPEITO. mas isso só vai acontecer de verdade, quando as próprias mulheres aprenderem a se respeitar e a se reconhecerem como MULHERES (em caps lock).
e que se dane o dia internacional da mulher.
domingo, 5 de março de 2006
Passa, tempo!
Amanhã é segunda e, teoricamente, todo mundo que tirou férias (ou pelo menos alguns dias depois do carnaval) está voltando ao trabalho e retomando sua rotina normal, sem maiores problemas.
Menos eu.
Eu tou seriamente angustiada, ansiosa, agitada e aflita. Eu tou demorando pra me dar conta que 2 meses e meio é bastante tempo e que eu não posso ignorar esses dias e querer pular pro dia da minha viagem, como se nada mais na minha vida fosse importante.
Eu tenho pacientes me esperando. Tenho um monte de coisas pra organizar e tenho que levar esses meses normalmente. Mas tá difícil.
Talvez poucas pessoas saibam realmente o quanto essa viagem significa pra mim. É como se tu imaginasse uma coisa durante anos e, de repente, essa coisa magicamente começa a aparecer no horizonte. E vai ficando cada vez mais perto...uma chance imperdível e inadiável de realizar um dos meus grandes sonhos.
Eu já encomendei camisas da seleção, bandanas com a bandeira do brasil e outros cacarecos verde-amarelos pra uma tia que vai pra São Paulo no fim do mês (ela vai comprar na 25 de março, lógico) pra vender lá em Munique (não esqueçam que eu serei agraciada pela Copa do Mundo durante o tempo que ficarei lá). E agora, estou treinando as palavras "cerveja, refri e água bem gelados!" em alemão, pra vender na porta do estádio nos dias de jogos. (Hm. Talvez eu troque "cerveja" por "caipirinha", pq. na terra da Oktoberfest, cerveja é uma coisa comum demais).
No dia 18 de junho, (Brasil x Austrália) estejam atentos pq. o jogo é em Munique e eu farei de tudo pra tentar aparecer na TV e mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra "toda gurizada de porto alegre ÊEêEÊêEêêÊEêê!". Tá, se der, eu xingo o Galvão Bueno também.
O mais legal de tudo até agora, é que eu já garanti 6 dias na Itália, com passagem por Veneza e Roma garantidas.
Próxima meta: visita rápida ao Frankreich, com uma passadinha estratégica em Bordeaux, só por birra.
Assim que a gaiola for aberta, duvido alguém conseguir me pegar de volta. Há!
Menos eu.
Eu tou seriamente angustiada, ansiosa, agitada e aflita. Eu tou demorando pra me dar conta que 2 meses e meio é bastante tempo e que eu não posso ignorar esses dias e querer pular pro dia da minha viagem, como se nada mais na minha vida fosse importante.
Eu tenho pacientes me esperando. Tenho um monte de coisas pra organizar e tenho que levar esses meses normalmente. Mas tá difícil.
Talvez poucas pessoas saibam realmente o quanto essa viagem significa pra mim. É como se tu imaginasse uma coisa durante anos e, de repente, essa coisa magicamente começa a aparecer no horizonte. E vai ficando cada vez mais perto...uma chance imperdível e inadiável de realizar um dos meus grandes sonhos.
Eu já encomendei camisas da seleção, bandanas com a bandeira do brasil e outros cacarecos verde-amarelos pra uma tia que vai pra São Paulo no fim do mês (ela vai comprar na 25 de março, lógico) pra vender lá em Munique (não esqueçam que eu serei agraciada pela Copa do Mundo durante o tempo que ficarei lá). E agora, estou treinando as palavras "cerveja, refri e água bem gelados!" em alemão, pra vender na porta do estádio nos dias de jogos. (Hm. Talvez eu troque "cerveja" por "caipirinha", pq. na terra da Oktoberfest, cerveja é uma coisa comum demais).
No dia 18 de junho, (Brasil x Austrália) estejam atentos pq. o jogo é em Munique e eu farei de tudo pra tentar aparecer na TV e mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra "toda gurizada de porto alegre ÊEêEÊêEêêÊEêê!". Tá, se der, eu xingo o Galvão Bueno também.
O mais legal de tudo até agora, é que eu já garanti 6 dias na Itália, com passagem por Veneza e Roma garantidas.
Próxima meta: visita rápida ao Frankreich, com uma passadinha estratégica em Bordeaux, só por birra.
Assim que a gaiola for aberta, duvido alguém conseguir me pegar de volta. Há!
sexta-feira, 3 de março de 2006
quinta-feira, 2 de março de 2006
Navio
Quando passa um navio no rio guaíba, as TVs aqui de casa saem de sintonia, os fantasmas tomam conta da imagem e depois o chuvisqueiro domina: "chhhhhhhhhhhhhhhhhh"
O som fica distorcido, a imagem some e só reaparece quando o navio vai embora.
Eu também queria poder justificar os meus dias fora de sintonia- em que os fantasmas tomam conta e o som fica distorcido- dizendo que é só um navio passando. Um naviozão carregado de contêineres cheios de mau humor, que vai causando interferência por aí.
O som fica distorcido, a imagem some e só reaparece quando o navio vai embora.
Eu também queria poder justificar os meus dias fora de sintonia- em que os fantasmas tomam conta e o som fica distorcido- dizendo que é só um navio passando. Um naviozão carregado de contêineres cheios de mau humor, que vai causando interferência por aí.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006
Alô bateria...
Eu tenho uma relação estranha com o carnaval.
Até sábado passado, eu tinha dúvidas sérias se eu realmente gostava de pular carnaval ou se preferia pular o carnaval. Mas acho que era por pura preguiça de pensar, refletir e estabalecer uma posição definitiva.
Aos 5 anos eu ganhei um concurso de fantasia na minha praia. Por unanimidade. A fantasia era de "Dama Antiga" (ou damatíga, como eu dizia), lilás. Lindíssima. Meu pai fez uma faixa de incentivo e foi pra torcida com o resto da família.
Dos 5 aos 17 eu pulei carnaval na SAAS (sociedade dos amigos de arroio do sal) e eu esperava o veraneio inteiro por esses 4 dias. Mas eu sempre fui meio reservada. Sempre tive escrúpulos e limites. Limites pra mim e pros outros. Xingava muito, batia boca e, por vezes, esbofeteava um ou outro engraçadinho que resolvia achar que a minha bunda era um local público. Fui retirada do clube por seguranças algumas vezes, mas sempre voltava depois de esclarecer o barraco. Eu nunca beijei 15 numa noite só. Nem nas 4 noites de carnaval inteiras. Nem num verão inteiro. Nunca achei isso muito legal.
Daí, minhas amigas começaram a se desvirtuar e usar saias e shorts cada vez mais curtos e apertados durante o carnaval. Achavam legal usar anéis de latinhas de refri/cerveja penduradas numa corrente, com o número correspondente a quantos "pegaram" durante o carnaval.
E as fantasias se resumiram a um colarzinho chinelão de "havaiana". Bebiam até vomitar e acabavam na calçada antes de começar o baile. Eu ficava PUTA da cara.
Eu resolvi parar de ir no clube. Fui pra avenida.
(esse ano teve um lamentável "carnafunk" no mesmo clube...triste. MUITO triste).
Enfim...alguns carnavais irrelevantes, outro em Houston e outro num bar alternativo em Garopaba dançando músicas dos anos 80 (esse foi divertidíssimo e inesquecível, apesar de não ter tido bateria).
Esse ano, descobri que a minha escola do coração acabou. Era escola de marisqueiros, eles não tinham grana, mas tinham uma bateria que nunca recebeu nota menor do que 10. Eram apaixonados.
Deu uma dor no peito. Mas tratei logo de agilizar uns contatos e procurei um outro lugar pra desfilar. Meio assim, de última hora.
Desfilei numa outra escola: de pés descalços na avenida principal, na ala que homenageou o teatro grego, num enredo que falava de arte.
E, enfim, descobri o que me faz ser apaixonada por esses dias em que todo mundo finge que o país não tem problemas: eu gosto de carnaval na rua. De desfilar na avenida, de gente aplaudindo, de plumas e paetês, de purpurina, de 300 pessoas cantando o mesmo samba-enredo, da bateria. Da bateria, principalmente.
Eu não tenho vergonha de dizer que eu choro e me arrepio quando a bateria começa a tocar.
Eu tenho o maior orgulho da minha brasileirice genuína*, que aflora quando o cara lá em cima do carro de som anuncia que " a hora é eeeeessaaaa!" e "vamulá minha bateria!"
*(eu não tenho ascendentes em lugar nenhum do mundo. devo ser fruto de um caso banal entre um português e uma índia, ou algo assim...essas relações estranhas que originaram a maior parte do povo brasileiro...nunca vou ter dupla cidadania, embora isso fosse bem útil no atual momento).
Só que eu ainda me sinto deslocada, de certa forma.
Porque eu desfilo e vou embora.
Eu não gosto do clima de "pode tudo" que se cria. Eu odeio, ODEIO sprays de espuma.
Eu acho muita chutação de balde um bando de gurias usando camisetas com o logotipo da Whiskas, escrito "comida para gatos".
Eu acho asqueroso gurias desfilando de maria chiquinha e chupeta de nenê na boca com 20 anos na cara.
Eu acho nojento os caras que bebem - e os que não bebem- que chegam agarrando qualquer uma só pq. "é carnaval ôlelê!!!!" E depois usam isso como "desculpa".
Eu acho que falta respeito (próprio, inclusive) e sobra mau gosto.
Eu curto o carnaval sozinha, durante os 60 minutos de desfile e depois vou pra casa dormir.
Quando eu tiver dinheiro de sobra, eu vou desfilar no Rio.
Ano que vem, sairei de destaque lá em Arroio do Sal mesmo. É o primeiro (e estratégico) passo pra ganhar a frente da bateria. Me aguardem.
Até sábado passado, eu tinha dúvidas sérias se eu realmente gostava de pular carnaval ou se preferia pular o carnaval. Mas acho que era por pura preguiça de pensar, refletir e estabalecer uma posição definitiva.
Aos 5 anos eu ganhei um concurso de fantasia na minha praia. Por unanimidade. A fantasia era de "Dama Antiga" (ou damatíga, como eu dizia), lilás. Lindíssima. Meu pai fez uma faixa de incentivo e foi pra torcida com o resto da família.
Dos 5 aos 17 eu pulei carnaval na SAAS (sociedade dos amigos de arroio do sal) e eu esperava o veraneio inteiro por esses 4 dias. Mas eu sempre fui meio reservada. Sempre tive escrúpulos e limites. Limites pra mim e pros outros. Xingava muito, batia boca e, por vezes, esbofeteava um ou outro engraçadinho que resolvia achar que a minha bunda era um local público. Fui retirada do clube por seguranças algumas vezes, mas sempre voltava depois de esclarecer o barraco. Eu nunca beijei 15 numa noite só. Nem nas 4 noites de carnaval inteiras. Nem num verão inteiro. Nunca achei isso muito legal.
Daí, minhas amigas começaram a se desvirtuar e usar saias e shorts cada vez mais curtos e apertados durante o carnaval. Achavam legal usar anéis de latinhas de refri/cerveja penduradas numa corrente, com o número correspondente a quantos "pegaram" durante o carnaval.
E as fantasias se resumiram a um colarzinho chinelão de "havaiana". Bebiam até vomitar e acabavam na calçada antes de começar o baile. Eu ficava PUTA da cara.
Eu resolvi parar de ir no clube. Fui pra avenida.
(esse ano teve um lamentável "carnafunk" no mesmo clube...triste. MUITO triste).
Enfim...alguns carnavais irrelevantes, outro em Houston e outro num bar alternativo em Garopaba dançando músicas dos anos 80 (esse foi divertidíssimo e inesquecível, apesar de não ter tido bateria).
Esse ano, descobri que a minha escola do coração acabou. Era escola de marisqueiros, eles não tinham grana, mas tinham uma bateria que nunca recebeu nota menor do que 10. Eram apaixonados.
Deu uma dor no peito. Mas tratei logo de agilizar uns contatos e procurei um outro lugar pra desfilar. Meio assim, de última hora.
Desfilei numa outra escola: de pés descalços na avenida principal, na ala que homenageou o teatro grego, num enredo que falava de arte.
E, enfim, descobri o que me faz ser apaixonada por esses dias em que todo mundo finge que o país não tem problemas: eu gosto de carnaval na rua. De desfilar na avenida, de gente aplaudindo, de plumas e paetês, de purpurina, de 300 pessoas cantando o mesmo samba-enredo, da bateria. Da bateria, principalmente.
Eu não tenho vergonha de dizer que eu choro e me arrepio quando a bateria começa a tocar.
Eu tenho o maior orgulho da minha brasileirice genuína*, que aflora quando o cara lá em cima do carro de som anuncia que " a hora é eeeeessaaaa!" e "vamulá minha bateria!"
*(eu não tenho ascendentes em lugar nenhum do mundo. devo ser fruto de um caso banal entre um português e uma índia, ou algo assim...essas relações estranhas que originaram a maior parte do povo brasileiro...nunca vou ter dupla cidadania, embora isso fosse bem útil no atual momento).
Só que eu ainda me sinto deslocada, de certa forma.
Porque eu desfilo e vou embora.
Eu não gosto do clima de "pode tudo" que se cria. Eu odeio, ODEIO sprays de espuma.
Eu acho muita chutação de balde um bando de gurias usando camisetas com o logotipo da Whiskas, escrito "comida para gatos".
Eu acho asqueroso gurias desfilando de maria chiquinha e chupeta de nenê na boca com 20 anos na cara.
Eu acho nojento os caras que bebem - e os que não bebem- que chegam agarrando qualquer uma só pq. "é carnaval ôlelê!!!!" E depois usam isso como "desculpa".
Eu acho que falta respeito (próprio, inclusive) e sobra mau gosto.
Eu curto o carnaval sozinha, durante os 60 minutos de desfile e depois vou pra casa dormir.
Quando eu tiver dinheiro de sobra, eu vou desfilar no Rio.
Ano que vem, sairei de destaque lá em Arroio do Sal mesmo. É o primeiro (e estratégico) passo pra ganhar a frente da bateria. Me aguardem.
Voltei...
...com novos vícios, novas ressacas e os delírios de sempre.
com melanina a mais, preocupações a menos e pensamentos amenos.
com histórias engraçadas, descobertas que simplificaram a vida e um verão inesquecível.
ainda com cheiro de protetor solar e as lentes dos óculos grudentas de maresia.
aos poucos, vou contando o que interessa.
* tava com saudades daqui.
com melanina a mais, preocupações a menos e pensamentos amenos.
com histórias engraçadas, descobertas que simplificaram a vida e um verão inesquecível.
ainda com cheiro de protetor solar e as lentes dos óculos grudentas de maresia.
aos poucos, vou contando o que interessa.
* tava com saudades daqui.
domingo, 5 de fevereiro de 2006
FÉRIAS
Até o fim do mês, vocês terão umas férias desta que vos escreve.
Pra alegria de uns e tristeza de outros.
Mas eu volto. Eu sempre volto.
Pra alegria de uns e tristeza de outros.
Mas eu volto. Eu sempre volto.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
Acoooooorda!
Acordar alguém é sempre uma tarefa delicada.
A gente nunca sabe se dá uma sacodida de leve, se dá um beijo, se chama a criatura pelo nome em voz alta ou se vai logo acendendo a luz e decretando que "tá na hora de acordar e eu não vou chamar de novo!".
Claro que isso depende muito da pessoa que a gente vai ter que acordar.
Se for irmã(o) não tem muita frescura...vai chamando, sacodindo, acendendo a luz e era isso.
Pai e mãe é um saco de acordar: primeiro, pq. tu nunca sabe se é uma boa hora pra abrir a porta do quarto. Segundo: pedir dinheiro às 7 da manhã é meio delicado, daí a gente tenta ser o mais meiga possível, cochichando perto do ouvido e quase nem encostando a ponta dos dedos no ombro deles. E se afasta rápido da área de alcance deles...vai que rola um tapa meio aleatório...
Dizer "acorda que tu tá atrasado" é a maneira mais traumática, porém a mais eficiente que eu já encontrei pra acabar com a angústia de ter que chamar alguém. A pessoa nem se espreguiça, nem faz cara feia e nem se dá conta de te xingar...simplesmente dá um pulo, senta na cama e, com os olhos arregalados e o coração quase saindo pela boca, ela pergunta, inevitavelmente: "que horas são?", ou ainda as variantes "que dia é hoje?" e "onde eu estou?", pros mais desavisados.
(Tem também "quem sou eu?" e o pior: "quem é tu?", mas isso é outra história).
Eu, normalmente, acordo meio mal-humorada, meio séria e meio calada. Detesto conversar e tudo em mim funciona de maneira extremamente lenta nas primeiras horas da manhã. Eu odeio que me perguntem: "onde tu vai hoje?", "que horas tu volta?" ou "tu vem almoçar?". Isso me deixa profundamente irritada. Solução: evitem falar comigo até umas 9 e pouco, só pra garantir a integridade física e emocional de vocês.
Claro que tudo isso acontece QUASE sempre. Tem (pouquíssimos) dias em que eu acordo bem-humorada, sorridente, saltitante e falante. Mas tudo isso depende também do jeito que eu acordo ou sou acordada. E só existem 2 ou 3 pessoas NO MUNDO (contando a Luísa, que é delicadíssima e meiguíssima sempre), que sabem me acordar de maneira a garantir meu bom-humor matinal e fazer com que ele dure o dia inteiro, no mínimo. Garanto que não é difícil. Só é meio arriscado.
Bom Dia pra vocês também!
:)
A gente nunca sabe se dá uma sacodida de leve, se dá um beijo, se chama a criatura pelo nome em voz alta ou se vai logo acendendo a luz e decretando que "tá na hora de acordar e eu não vou chamar de novo!".
Claro que isso depende muito da pessoa que a gente vai ter que acordar.
Se for irmã(o) não tem muita frescura...vai chamando, sacodindo, acendendo a luz e era isso.
Pai e mãe é um saco de acordar: primeiro, pq. tu nunca sabe se é uma boa hora pra abrir a porta do quarto. Segundo: pedir dinheiro às 7 da manhã é meio delicado, daí a gente tenta ser o mais meiga possível, cochichando perto do ouvido e quase nem encostando a ponta dos dedos no ombro deles. E se afasta rápido da área de alcance deles...vai que rola um tapa meio aleatório...
Dizer "acorda que tu tá atrasado" é a maneira mais traumática, porém a mais eficiente que eu já encontrei pra acabar com a angústia de ter que chamar alguém. A pessoa nem se espreguiça, nem faz cara feia e nem se dá conta de te xingar...simplesmente dá um pulo, senta na cama e, com os olhos arregalados e o coração quase saindo pela boca, ela pergunta, inevitavelmente: "que horas são?", ou ainda as variantes "que dia é hoje?" e "onde eu estou?", pros mais desavisados.
(Tem também "quem sou eu?" e o pior: "quem é tu?", mas isso é outra história).
Eu, normalmente, acordo meio mal-humorada, meio séria e meio calada. Detesto conversar e tudo em mim funciona de maneira extremamente lenta nas primeiras horas da manhã. Eu odeio que me perguntem: "onde tu vai hoje?", "que horas tu volta?" ou "tu vem almoçar?". Isso me deixa profundamente irritada. Solução: evitem falar comigo até umas 9 e pouco, só pra garantir a integridade física e emocional de vocês.
Claro que tudo isso acontece QUASE sempre. Tem (pouquíssimos) dias em que eu acordo bem-humorada, sorridente, saltitante e falante. Mas tudo isso depende também do jeito que eu acordo ou sou acordada. E só existem 2 ou 3 pessoas NO MUNDO (contando a Luísa, que é delicadíssima e meiguíssima sempre), que sabem me acordar de maneira a garantir meu bom-humor matinal e fazer com que ele dure o dia inteiro, no mínimo. Garanto que não é difícil. Só é meio arriscado.
Bom Dia pra vocês também!
:)
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Cross Country Ski
Nada contra as Olimpíadas de Inverno (que esse ano será em Turim, na Itália), mas que tem cada modalidade mais engraçada, tem.
Hoje, durante o almoço, assisti a uma matéria no Globo Esporte sobre um dos atletas que fará parte da delegação do Brasil (sim, o povo do País Tropical tá em todas...). O cara é gaúcho (mas parece que não mora aqui), funcionário público e vai competir na modalidade cross country ski.
Esse negócio, pelo que eu entendi, é mais ou menos como ter que caminhar por um percurso pré determinado, com os skis e com as bengalinhas aquelas, pra ajudar. Ganha quem chegar primeiro, lógico. Não, não é esquiar, é CAMINHAR mesmo. O mais engraçado é que o cara treina na praça central da cidade dele e, sob o sol escaldante de janeiro, veste todo o aparato e sai caminhando pelo meio das árvores, com os skis e as bengalinhas como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas tem umas modalidades legais, tipo as patinações (artística e a de velocidade) e as MELHORES:
Bobsled - Sim, aquele que aparece no filme "Jamaica abaixo de zero", do foguetinho que anda tri rápido e vai uma galera curtindo lá dentro e ficam andando na pista de gelo. Queria ter um pra descer as paredes ali do Centro Administrativo, mas o trenó custa em torno de 80 mil reais.
Skeleton - É tipo um carrinho de lomba, mas a gente anda deitado, de barriga pra baixo. Deve ser trimassa de andar. Esse é mais barato, uns R$ 10 mil, até daria pra comprar se eu fosse rica. Daí certo que ia descer a Lucas de Oliveira ou a Mostardeiro- quem vem da Independência ali antes de chegar na Goethe.
Luge - Esse é quase a mesma coisa que o Skeleton, mas tu anda no trenó deitado de barriga pra cima. Deve ser bem mais difícil de andar e eu, por exemplo, andaria sentada, que nem o skibunda que eu andei em Bariloche e tinha que colocar a mão na neve pra fazer as curvas...super divertidíssimo!
Eu e o Thiago estávamos até inventando outras modalidades pras olimpíadas de inverno, tipo o "Snowman Race": ganha quem montar o boneco de neve em menos tempo. Mas tem que ter nariz, olhos e boca. E cachecol.
Enfim...em vez de ficar rindo das modalidades, a gente tem que torcer pro nosso pessoal que vai lá competir, mesmo sendo praticamente impossível tirar a soberania dos atletas da Finlândia, por exemplo, que convivem com a neve durante boa parte do ano. Mas tá, deixa...vale pela diversão!
Ai, ai...falar em neve meio que dá uma refrescada até, né?
Hoje, durante o almoço, assisti a uma matéria no Globo Esporte sobre um dos atletas que fará parte da delegação do Brasil (sim, o povo do País Tropical tá em todas...). O cara é gaúcho (mas parece que não mora aqui), funcionário público e vai competir na modalidade cross country ski.
Esse negócio, pelo que eu entendi, é mais ou menos como ter que caminhar por um percurso pré determinado, com os skis e com as bengalinhas aquelas, pra ajudar. Ganha quem chegar primeiro, lógico. Não, não é esquiar, é CAMINHAR mesmo. O mais engraçado é que o cara treina na praça central da cidade dele e, sob o sol escaldante de janeiro, veste todo o aparato e sai caminhando pelo meio das árvores, com os skis e as bengalinhas como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas tem umas modalidades legais, tipo as patinações (artística e a de velocidade) e as MELHORES:
Bobsled - Sim, aquele que aparece no filme "Jamaica abaixo de zero", do foguetinho que anda tri rápido e vai uma galera curtindo lá dentro e ficam andando na pista de gelo. Queria ter um pra descer as paredes ali do Centro Administrativo, mas o trenó custa em torno de 80 mil reais.
Skeleton - É tipo um carrinho de lomba, mas a gente anda deitado, de barriga pra baixo. Deve ser trimassa de andar. Esse é mais barato, uns R$ 10 mil, até daria pra comprar se eu fosse rica. Daí certo que ia descer a Lucas de Oliveira ou a Mostardeiro- quem vem da Independência ali antes de chegar na Goethe.
Luge - Esse é quase a mesma coisa que o Skeleton, mas tu anda no trenó deitado de barriga pra cima. Deve ser bem mais difícil de andar e eu, por exemplo, andaria sentada, que nem o skibunda que eu andei em Bariloche e tinha que colocar a mão na neve pra fazer as curvas...super divertidíssimo!Eu e o Thiago estávamos até inventando outras modalidades pras olimpíadas de inverno, tipo o "Snowman Race": ganha quem montar o boneco de neve em menos tempo. Mas tem que ter nariz, olhos e boca. E cachecol.
Enfim...em vez de ficar rindo das modalidades, a gente tem que torcer pro nosso pessoal que vai lá competir, mesmo sendo praticamente impossível tirar a soberania dos atletas da Finlândia, por exemplo, que convivem com a neve durante boa parte do ano. Mas tá, deixa...vale pela diversão!
Ai, ai...falar em neve meio que dá uma refrescada até, né?
domingo, 29 de janeiro de 2006
sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
CUECA DE TELINHA
- Como assim cueca de telinha??? Não, não sei como é... Me explica!! Tá, mas a telinha é na frente ou atrás???
Entre sorrisos e olhar espantado ela tentava entender aquela surpresa bizarra que a aguardaria em casa.
O namorado, depois de 8 anos de namoro meio morno, resolvera radicalizar...talvez quisesse apimentar as noites de amor...ele ficou por uns bons minutos tentando explicar como era a cueca nova.
Ela desligou o telefone e virou-se para mim, pasma...como se me pedisse socorro para ajudar a entender o que era isso, agora.
- Não sei...sinceramente, nunca imaginei como é uma cueca de telinha...ainda se fosse calcinha vá lá....mas cueca?? Putz...
A única coisa que conseguia pensar era em algo do tipo Village People. Cuecas de couro, chicotes, por que não cueca de telinha?
Fiquei tentando imaginar aquela cena: ela chega em casa, exausta, e lá está ele...de banho tomado, corpo lambuzado de óleo de amêndoas, quarto à meia luz e o Lenny Kravitz tocando baixinho...(sim, porque eu acho que cueca de telinha deve ter tudo a ver com o Lenny)...ele está deitado na cama, tomando whisky, incensos e velas completam o clima...ela chega na porta e se depara com aquilo tudo...
- Ah, não.....com cueca de telinha não dá!
Acordo do meu devaneio...é dia dos namorados no outro dia....brinco com minha amiga, dizendo que, enfim ela vai conhecer a famosa cueca...
- Depois me conta com detalhes! Quero saber sobre a telinha!
Ela ri. De nervosa, eu acho....eu, pelo menos, ficaria nervosa se eu soubesse que teria alguém me esperando com uma cueca de telinha na minha cama.....medo. Muito medo.
No outro dia, ela chega. Poucas palavras. Não consigo distinguir se a falta de conversa é fruto de um mau-humor, ou de um cansaço extremo, afinal, a noite anterior deveria ter sido, no mínimo, exótica!
- Brigamos.
- Como assim?? Brigaram justamente no dia dos namorados??? Na noite da cueca de telinha???
- É. Brigamos.
- Não acredito!!! Mas, tu viu a cueca, pelo menos?
- Claro que não! Nem saí do carro.
- Não acredito! - Decepção total.
Acho que eu estava mais curiosa do que ela. Ela, nem aí. Eu, lamentava profundamente a briga.
Ela recuperou o bom humor em poucos minutos de conversa...acabamos brincando sobre toda aquela situação.
A aula acabou antes do previsto.
- Quer carona? Ele vem me buscar...podemos te deixar na metade do caminho!
Aceitei sem pensar duas vezes...afinal, estava exausta e seria ótimo conseguir chegar um pouco mais cedo em casa.
De repente, me dei conta: ELE, o dono da cueca de telinha me daria uma carona...Entrei no carro, sorrindo, imaginando se ele estaria ou não com a cueca bizarra...gargalhava baixinho...meu superego estava tendo um trabalhão para conter meu id.
Era inacreditável...por trás daquela cara sisuda, séria e formal, havia um outro homem...um homem querendo se libertar...e deixar suas fantasias fluírem...coisa rara...eu ria silenciosamente...(talvez eu também estivesse nervosa)
Agradeci a carona e saí do carro sorrindo...torcendo para que eles fizessem as pazes, afinal, eu não posso ficar sem saber como é uma cueca de telinha.
Entre sorrisos e olhar espantado ela tentava entender aquela surpresa bizarra que a aguardaria em casa.
O namorado, depois de 8 anos de namoro meio morno, resolvera radicalizar...talvez quisesse apimentar as noites de amor...ele ficou por uns bons minutos tentando explicar como era a cueca nova.
Ela desligou o telefone e virou-se para mim, pasma...como se me pedisse socorro para ajudar a entender o que era isso, agora.
- Não sei...sinceramente, nunca imaginei como é uma cueca de telinha...ainda se fosse calcinha vá lá....mas cueca?? Putz...
A única coisa que conseguia pensar era em algo do tipo Village People. Cuecas de couro, chicotes, por que não cueca de telinha?
Fiquei tentando imaginar aquela cena: ela chega em casa, exausta, e lá está ele...de banho tomado, corpo lambuzado de óleo de amêndoas, quarto à meia luz e o Lenny Kravitz tocando baixinho...(sim, porque eu acho que cueca de telinha deve ter tudo a ver com o Lenny)...ele está deitado na cama, tomando whisky, incensos e velas completam o clima...ela chega na porta e se depara com aquilo tudo...
- Ah, não.....com cueca de telinha não dá!
Acordo do meu devaneio...é dia dos namorados no outro dia....brinco com minha amiga, dizendo que, enfim ela vai conhecer a famosa cueca...
- Depois me conta com detalhes! Quero saber sobre a telinha!
Ela ri. De nervosa, eu acho....eu, pelo menos, ficaria nervosa se eu soubesse que teria alguém me esperando com uma cueca de telinha na minha cama.....medo. Muito medo.
No outro dia, ela chega. Poucas palavras. Não consigo distinguir se a falta de conversa é fruto de um mau-humor, ou de um cansaço extremo, afinal, a noite anterior deveria ter sido, no mínimo, exótica!
- Brigamos.
- Como assim?? Brigaram justamente no dia dos namorados??? Na noite da cueca de telinha???
- É. Brigamos.
- Não acredito!!! Mas, tu viu a cueca, pelo menos?
- Claro que não! Nem saí do carro.
- Não acredito! - Decepção total.
Acho que eu estava mais curiosa do que ela. Ela, nem aí. Eu, lamentava profundamente a briga.
Ela recuperou o bom humor em poucos minutos de conversa...acabamos brincando sobre toda aquela situação.
A aula acabou antes do previsto.
- Quer carona? Ele vem me buscar...podemos te deixar na metade do caminho!
Aceitei sem pensar duas vezes...afinal, estava exausta e seria ótimo conseguir chegar um pouco mais cedo em casa.
De repente, me dei conta: ELE, o dono da cueca de telinha me daria uma carona...Entrei no carro, sorrindo, imaginando se ele estaria ou não com a cueca bizarra...gargalhava baixinho...meu superego estava tendo um trabalhão para conter meu id.
Era inacreditável...por trás daquela cara sisuda, séria e formal, havia um outro homem...um homem querendo se libertar...e deixar suas fantasias fluírem...coisa rara...eu ria silenciosamente...(talvez eu também estivesse nervosa)
Agradeci a carona e saí do carro sorrindo...torcendo para que eles fizessem as pazes, afinal, eu não posso ficar sem saber como é uma cueca de telinha.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Baltimore Paradiso
Não lembro com detalhes, mas tenho alguns flashes muito nítidos na memória sobre a minha primeira ida ao cinema.
Eu deveria ter uns 7 anos...lembro que o filme era “Uma Cilada para Roger Rabbit” e o cinema, era o –infelizmente- extinto Baltimore. Mais precisamente Baltimore 3. Fui com meu pai e minha tia. Consigo lembrar direitinho de algumas coisas do tipo: meu pai estacionando o carro ali na Osvaldo Aranha, o vestido ultramente sexy da Jéssica Rabbit , que eu achava linda e na época, queria ter aquele cabelo por cima do olho e uma piteira charmosa como a dela...(depois daí, eu passaria a confeccionar piteiras de folhas de caderno).
Devia ser Sábado ou Domingo...eu estava muitíssimo feliz, louca pra contar a novidade pras minhas amigas...fiquei maravilhada com o cinema! Não pelo filme, nem pelo Baltimore em si...mas eu acabara de descobrir uma coisa linda e deliciosa que se tornaria, mais tarde, uma das minhas grandes paixões.
Depois desse dia, queria sempre ir ao cinema...daí, então, o Batman (com o Michael Keaton) acabou sendo meu segundo filme, no mesmo Baltimore, com meu mesmo pai que agora não era meu único “super-herói”: o Batman é lindo, sabe fazer tudo, tem um carrão e uma máscara legal! Agora, eu sonhava ser a “Mulher-Gato”.
Pensando bem, meu Super-Pai será sempre meu único herói. Mesmo que ele não tenha um Batmóvel nem uma máscara legal...mas ele sempre consertou meus brinquedos quebrados, me ensinou a música da “Barata diz que tem”, cantava “Gatinha Manhosa” e, o melhor: foi o primeiro homem a me pegar pela mão e me levar ao cinema.
Eu deveria ter uns 7 anos...lembro que o filme era “Uma Cilada para Roger Rabbit” e o cinema, era o –infelizmente- extinto Baltimore. Mais precisamente Baltimore 3. Fui com meu pai e minha tia. Consigo lembrar direitinho de algumas coisas do tipo: meu pai estacionando o carro ali na Osvaldo Aranha, o vestido ultramente sexy da Jéssica Rabbit , que eu achava linda e na época, queria ter aquele cabelo por cima do olho e uma piteira charmosa como a dela...(depois daí, eu passaria a confeccionar piteiras de folhas de caderno).
Devia ser Sábado ou Domingo...eu estava muitíssimo feliz, louca pra contar a novidade pras minhas amigas...fiquei maravilhada com o cinema! Não pelo filme, nem pelo Baltimore em si...mas eu acabara de descobrir uma coisa linda e deliciosa que se tornaria, mais tarde, uma das minhas grandes paixões.
Depois desse dia, queria sempre ir ao cinema...daí, então, o Batman (com o Michael Keaton) acabou sendo meu segundo filme, no mesmo Baltimore, com meu mesmo pai que agora não era meu único “super-herói”: o Batman é lindo, sabe fazer tudo, tem um carrão e uma máscara legal! Agora, eu sonhava ser a “Mulher-Gato”.
Pensando bem, meu Super-Pai será sempre meu único herói. Mesmo que ele não tenha um Batmóvel nem uma máscara legal...mas ele sempre consertou meus brinquedos quebrados, me ensinou a música da “Barata diz que tem”, cantava “Gatinha Manhosa” e, o melhor: foi o primeiro homem a me pegar pela mão e me levar ao cinema.
terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Brega, sim!
Tem umas músicas que me fazem sentir tri brega quando escuto.
Hoje eu tava meio deprê ouvindo a Continental no meu walkman enquanto ia pro trabalho (sim, pq. a Continental é a rádio que mais toca músicas -bregas- que eu sei cantar e, por muitas vezes eu escolho ela pra me acompanhar no T1) e as minhas duas músicas bregas favoritas tocaram!
Primeiro Dona, do Roupa Nova.
Depois, Deslizes, do Fagner.
E tem mais: eu sempre canto elas quando me deparo com um videokê.
Porque brega MESMO é usar mullets e camisa de viscose pra dentro da calça semi-bag.
Acho que sou só eu que ouço a Continental. E alguns pacientes de salas de espera, por aí.
Fiquem com o Fagner pq. é a música do momento.
Leiam a letra com atenção...é de uma preciosidade única. Sério.
Fagner - Deslizes
Não sei por que
Insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim o que bem quer
Se ao teu lado sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei quem você é
Eu sei de tudo com quem andas
Aonde vais
Mas eu desfaço o meu ciúme
Mesmo assim
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer você pra mim
E como prêmio eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo tão antigo
E fecho os olhos para todos
Os teus passos
Me enganando só assim somos amigos
Por quantas vezes me dá raiva de querer
Em concordar com tudo o que você me faz
Já fiz de tudo pra tentar te esquecer
Falta coragem para dizer que nunca mais
Nós somos cúmplices, nós dois
Somos culpados
No mesmo instante em que teu corpo
Toca o meu
Já não existe nem o certo nem errado
Só o amor que por encanto aconteceu
E é só assim que eu perdôo os teus deslizes
E é assim o nosso jeito de viver
Em outros braços tu resolves tuas crises
Em outras bocas não consigo te esquecer
Ui, chego a me arrepiar...
Hoje eu tava meio deprê ouvindo a Continental no meu walkman enquanto ia pro trabalho (sim, pq. a Continental é a rádio que mais toca músicas -bregas- que eu sei cantar e, por muitas vezes eu escolho ela pra me acompanhar no T1) e as minhas duas músicas bregas favoritas tocaram!
Primeiro Dona, do Roupa Nova.
Depois, Deslizes, do Fagner.
E tem mais: eu sempre canto elas quando me deparo com um videokê.
Porque brega MESMO é usar mullets e camisa de viscose pra dentro da calça semi-bag.
Acho que sou só eu que ouço a Continental. E alguns pacientes de salas de espera, por aí.
Fiquem com o Fagner pq. é a música do momento.
Leiam a letra com atenção...é de uma preciosidade única. Sério.
Fagner - Deslizes
Não sei por que
Insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim o que bem quer
Se ao teu lado sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei quem você é
Eu sei de tudo com quem andas
Aonde vais
Mas eu desfaço o meu ciúme
Mesmo assim
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer você pra mim
E como prêmio eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo tão antigo
E fecho os olhos para todos
Os teus passos
Me enganando só assim somos amigos
Por quantas vezes me dá raiva de querer
Em concordar com tudo o que você me faz
Já fiz de tudo pra tentar te esquecer
Falta coragem para dizer que nunca mais
Nós somos cúmplices, nós dois
Somos culpados
No mesmo instante em que teu corpo
Toca o meu
Já não existe nem o certo nem errado
Só o amor que por encanto aconteceu
E é só assim que eu perdôo os teus deslizes
E é assim o nosso jeito de viver
Em outros braços tu resolves tuas crises
Em outras bocas não consigo te esquecer
Ui, chego a me arrepiar...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
intuição é foda.
eu não poderia estar indo embora em um momento tão perfeitamente conveniente.
é só o que me consola.
é só o que me consola.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2006
Frágil e incompreendida
As minhas férias começam quando a minha família viaja pra praia. Adoro e preciso ficar sozinha por umas semanas.
Daí eu fico aqui trabalhando, enquanto minha mãe e minhas irmãs douram a pele ao sol de Arroio do Sal. Meu pai também fica trabalhando, coitado, pq. alguém tem que sustentar essa mordomia toda.
Essa semana eu fiquei pseudo-sozinha, pq. a minha irmã ficou junto e tal. Mas ela ficou mais tempo na casa do namorado do que na própria casa.
Ontem eu estava sozinha de noite. Fiz uma jantinha delícia e fui tomar banho, pra ver um dvd logo depois.
Eis que o drama acontece: cheguei na área de serviço pra pegar a toalha e me deparei com um MONSTRO do tamanho do meu dedo mínimo: Aham! Uma lagartixa asquerosa no teto. (Quem me conhece sabe que eu tenho pânico de lagartixas).
Eu berrei (impulso) e logo senti as pernas amolecerem...(eu fico meio paralisada e tal, o que me impede de fugir nesses momentos).
Mas eu tentei respirar fundo e manter a calma, só que pra piorar a situação que tava quase sob controle, sinto algo caindo na minha cabeça...olho pra cima e...UFA...a bicha tá ali, porém....SEM O RABO!
Quando juntei os fatos e me dei conta que o que tinha caído na minha cabeça era o RABO, eu me joguei no chão como se tivesse tendo um ataque epilético e não tinha coragem de tocar nos cabelos. Eu me debatia e sacodia a cabeça como um metaleiro em êxtase e vi o troço cair no meio da cozinha.
Nesse momento, eu chorava copiosamente, me sentindo frágil, desprotegida e abandonada.
Fiquei ali, sentada no chão por uns minutos até conseguir me levantar pra tomar uma água e me acalmar.
Me recompus como deu e, corajosamente, voltei pra pegar a toalha que tinha ficado pendurada. O rabo da medonha ficou na cozinha e eu fui tomar meu banho. Depois, varri aquele coisa nojenta e joguei no lixo.
Fiquei durante uma hora, mais ou menos, em estado de choque deitada na cama e sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem que eu fizesse força.
Não é frescura.
É pânico, mas ninguém me entende.
Foi horrível.
Daí eu fico aqui trabalhando, enquanto minha mãe e minhas irmãs douram a pele ao sol de Arroio do Sal. Meu pai também fica trabalhando, coitado, pq. alguém tem que sustentar essa mordomia toda.
Essa semana eu fiquei pseudo-sozinha, pq. a minha irmã ficou junto e tal. Mas ela ficou mais tempo na casa do namorado do que na própria casa.
Ontem eu estava sozinha de noite. Fiz uma jantinha delícia e fui tomar banho, pra ver um dvd logo depois.
Eis que o drama acontece: cheguei na área de serviço pra pegar a toalha e me deparei com um MONSTRO do tamanho do meu dedo mínimo: Aham! Uma lagartixa asquerosa no teto. (Quem me conhece sabe que eu tenho pânico de lagartixas).
Eu berrei (impulso) e logo senti as pernas amolecerem...(eu fico meio paralisada e tal, o que me impede de fugir nesses momentos).
Mas eu tentei respirar fundo e manter a calma, só que pra piorar a situação que tava quase sob controle, sinto algo caindo na minha cabeça...olho pra cima e...UFA...a bicha tá ali, porém....SEM O RABO!
Quando juntei os fatos e me dei conta que o que tinha caído na minha cabeça era o RABO, eu me joguei no chão como se tivesse tendo um ataque epilético e não tinha coragem de tocar nos cabelos. Eu me debatia e sacodia a cabeça como um metaleiro em êxtase e vi o troço cair no meio da cozinha.
Nesse momento, eu chorava copiosamente, me sentindo frágil, desprotegida e abandonada.
Fiquei ali, sentada no chão por uns minutos até conseguir me levantar pra tomar uma água e me acalmar.
Me recompus como deu e, corajosamente, voltei pra pegar a toalha que tinha ficado pendurada. O rabo da medonha ficou na cozinha e eu fui tomar meu banho. Depois, varri aquele coisa nojenta e joguei no lixo.
Fiquei durante uma hora, mais ou menos, em estado de choque deitada na cama e sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem que eu fizesse força.
Não é frescura.
É pânico, mas ninguém me entende.
Foi horrível.
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Guloseimas
E ficou tanto tempo com o mesmo chiclete na boca que um dia se deu conta que alguma coisa estava incomodando, mas não podia saber o que era.
O chiclete ficava sem gosto, duro, mas continuava lá...mergulhado na saliva, sendo jogado de um lado pra outro, sendo mascado por todos os dentes (os da frente, inclusive).
Havia adquirido uma técnica tão avançada de manter chicletes sem gosto na boca, que nem se dava conta. O hálito sempre fresquinho dava uma sensação de aparente conforto. Mas toda a situação cansava a mandíbula de uma maneira tal, que chegava a doer a articulação. E doía. Mas o vício permanecia ali. A mania, o comodismo. Desulivre jogar o chiclete fora. E cada vez que fazia isso, era um drama.
E sempre prometia: "tá, agora não quero mais mascar chiclete". Mas a promessa não durava 2 dias. Não conseguia mais viver sem chiclete, era impressionante.
Ninguém mais acreditava que ela fosse deixar de mascar, nem mesmo quando ela jurava, com raiva e gemendo de dor naquela articulação ali, perto da orelha.
Ela mascava sem fazer barulho. Sem estalar a língua. Tinha aprendido a ser tão discreta que poucos desconfiavam que ela tinha um chiclete na boca.
Até que um belo dia, ela descobriu o pirulito em forma de coração.
E gostou tanto, mas tanto, que cuspiu o chiclete fora sem o menor problema.
Só que daí, passou a andar com aquele palitinho plástico branco pra fora da boca. Era menos discreto, verdade. Mas ela gostava tanto do pirulito que não via motivos pra esconder...e até fazia questão de andar com aquele adorno pra fora da boca. Bem faceira.
O chiclete ficava sem gosto, duro, mas continuava lá...mergulhado na saliva, sendo jogado de um lado pra outro, sendo mascado por todos os dentes (os da frente, inclusive).
Havia adquirido uma técnica tão avançada de manter chicletes sem gosto na boca, que nem se dava conta. O hálito sempre fresquinho dava uma sensação de aparente conforto. Mas toda a situação cansava a mandíbula de uma maneira tal, que chegava a doer a articulação. E doía. Mas o vício permanecia ali. A mania, o comodismo. Desulivre jogar o chiclete fora. E cada vez que fazia isso, era um drama.
E sempre prometia: "tá, agora não quero mais mascar chiclete". Mas a promessa não durava 2 dias. Não conseguia mais viver sem chiclete, era impressionante.
Ninguém mais acreditava que ela fosse deixar de mascar, nem mesmo quando ela jurava, com raiva e gemendo de dor naquela articulação ali, perto da orelha.
Ela mascava sem fazer barulho. Sem estalar a língua. Tinha aprendido a ser tão discreta que poucos desconfiavam que ela tinha um chiclete na boca.
Até que um belo dia, ela descobriu o pirulito em forma de coração.
E gostou tanto, mas tanto, que cuspiu o chiclete fora sem o menor problema.
Só que daí, passou a andar com aquele palitinho plástico branco pra fora da boca. Era menos discreto, verdade. Mas ela gostava tanto do pirulito que não via motivos pra esconder...e até fazia questão de andar com aquele adorno pra fora da boca. Bem faceira.
domingo, 15 de janeiro de 2006
percursos
Todo mundo pensa em alguma coisa antes de dormir.
Tem gente que pensa superficialmente:
"será que eu apaguei a luz do banheiro?"
"onde eu deixei o celular?"
"amanhã eu tenho consulta às 8"
Tem gente que pensa um pouco mais além:
"essa semana vai ser um saco"
"final de semana eu vou pra praia, ainda bem"
"dia 27 tenho uma formatura..."
Tem gente que pensa tanto que demora pra dormir.
Tem gente que dorme antes mesmo de começar a pensar.
E tem gente que não pensa e nem sonha.
Atualmente, eu tenho pensado numa única coisa antes de dormir...acho que é cedo pra pensar na minha viagem, mas é que as coisas estão ficando cada vez mais concretas e eu sou uma pessoa regida pelo elemento AR, do tipo que tem um certo medo de tudo que é concreto.
Não. Não é bem medo. Nem tou querendo desistir, nem nada do tipo.
Só tou pensando em "como será que vai ser?". Daí vem aquele friozinho na barriga e eu penso que já estou estudando alemão, já tenho as passagens e tudo vai dar certo.
Hoje eu recebi um convite (lindo) de formatura. E, sem querer, abro justamente na página onde está escrita a seguinte frase (do Charles Kiefer), em letras garrafais: "LONGE É VIAJAR SOZINHO."
Taí. Resumiu em 3 palavras e 1 letra toda a minha preocupação atual:
não é que Munique seja longe. É que eu vou sozinha...
...suspiro...
Tem gente que pensa superficialmente:
"será que eu apaguei a luz do banheiro?"
"onde eu deixei o celular?"
"amanhã eu tenho consulta às 8"
Tem gente que pensa um pouco mais além:
"essa semana vai ser um saco"
"final de semana eu vou pra praia, ainda bem"
"dia 27 tenho uma formatura..."
Tem gente que pensa tanto que demora pra dormir.
Tem gente que dorme antes mesmo de começar a pensar.
E tem gente que não pensa e nem sonha.
Atualmente, eu tenho pensado numa única coisa antes de dormir...acho que é cedo pra pensar na minha viagem, mas é que as coisas estão ficando cada vez mais concretas e eu sou uma pessoa regida pelo elemento AR, do tipo que tem um certo medo de tudo que é concreto.
Não. Não é bem medo. Nem tou querendo desistir, nem nada do tipo.
Só tou pensando em "como será que vai ser?". Daí vem aquele friozinho na barriga e eu penso que já estou estudando alemão, já tenho as passagens e tudo vai dar certo.
Hoje eu recebi um convite (lindo) de formatura. E, sem querer, abro justamente na página onde está escrita a seguinte frase (do Charles Kiefer), em letras garrafais: "LONGE É VIAJAR SOZINHO."
Taí. Resumiu em 3 palavras e 1 letra toda a minha preocupação atual:
não é que Munique seja longe. É que eu vou sozinha...
...suspiro...
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
ele pode tudo
Uma vez eu disse que existem pessoas que me arrepiam.
O Elton John é, sem dúvida, uma delas. Figura sempre polêmica, glam e gay, apaixonado e agora casadíssimo, ele é do tipo que tem crédito infinito pra dar qualquer escândalo, tamanha sua contribuição musical para a música pop.
Outro dia tava assistindo um dvd que o meu pai comprou, de um show dele no Madison Square Garden. Inacreditável.
O cara tem um piano fenomenal que até os desprovidos de talento musical (eu, por exemplo) têm vontade de arriscar algumas notas. (Num piano tão lindo, até quem não sabe tocar tira um baita som). Além disso, ele tem uma banda descomunal. Os caras tão longe de serem celebridades, o que é muito injusto (ou não).
Eu fico eufórica quando vejo pessoas tocando instrumentos sem olhar pra eles e ainda cantam...sem contar que, por muitas vezes, o Elton ainda fecha os olhos ou olha ternamente para o público! É emocionante.
O dvd tem 32 faixas e todas são excelentes, o que não é surpreendente em se tratando do Sir Elton.
Devo destacar Goodbye Yellow Brick Road (com participação do Billy Joel), Tiny Dancer (sempre), Rocket Man, Can You Feel Tha Love Tonight, um cover espetacular de Come Together e a deliciosa Crocodile Rock.
Eu empresto, se alguém quiser. Mas tudo tem um preço, lógico.
Ouçam e sejam mais felizes.
O Elton John é, sem dúvida, uma delas. Figura sempre polêmica, glam e gay, apaixonado e agora casadíssimo, ele é do tipo que tem crédito infinito pra dar qualquer escândalo, tamanha sua contribuição musical para a música pop.
Outro dia tava assistindo um dvd que o meu pai comprou, de um show dele no Madison Square Garden. Inacreditável.O cara tem um piano fenomenal que até os desprovidos de talento musical (eu, por exemplo) têm vontade de arriscar algumas notas. (Num piano tão lindo, até quem não sabe tocar tira um baita som). Além disso, ele tem uma banda descomunal. Os caras tão longe de serem celebridades, o que é muito injusto (ou não).
Eu fico eufórica quando vejo pessoas tocando instrumentos sem olhar pra eles e ainda cantam...sem contar que, por muitas vezes, o Elton ainda fecha os olhos ou olha ternamente para o público! É emocionante.
O dvd tem 32 faixas e todas são excelentes, o que não é surpreendente em se tratando do Sir Elton.
Devo destacar Goodbye Yellow Brick Road (com participação do Billy Joel), Tiny Dancer (sempre), Rocket Man, Can You Feel Tha Love Tonight, um cover espetacular de Come Together e a deliciosa Crocodile Rock.
Eu empresto, se alguém quiser. Mas tudo tem um preço, lógico.
Ouçam e sejam mais felizes.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2006
Coisas que só acontecem com meu pai
Quem conhece o meu pai sabe que ele é uma grande figura (o rodrigo que o diga!)
Mas só quem conhece MESMO sabe do que ele é capaz.
(Qualquer dia desses eu conto a história do alarme, que aconteceu pouco tempo antes dessa história que eu vou contar agora)
Sábado, umas 2 da tarde, calorão, todo mundo na casa da minha vó (que tem piscina e tal), só faltava meu pai pro churrasco ser servido. Ele chegou, estacionou o carro e eu e minha mãe fomos recebê-lo.
Entramos em casa, e em seguida eu ouço o alarme do carro.
Olhei pela janela e...CADÊ O CARRO???
-Paaaaaai, roubaram o carro!!!! Ahhhhhhhhhh, tão roubando nosso carro!!!!
Saio correndo portão afora, de saia e havaianas, num estilo muito MACHA, correndo loucamente, atrás do carro que andava relativamente devagar.
Minha tia (segundo depoimentos) entrou em casa e ligou pro 190, desesperada.
Minha mãe e mais umas pessoas gritavam pra mim:
-Guria, volta aqui!!!! Vai tomar um tiro!!!
O guarda da rua apitava freneticamente.
Daí, o carro sobe na calçada do lado contrário (ele atravessou a pista) e pára.
Eu chego na maior, de peito aberto, sem sequer pensar que podia ter alguém armado ali dentro.
O pneu tava rasgado, pára-choques quebrado, roda detonada.
Meio manco, chega o meu pai de mansinho ("manco" pq. ele tem um tendão de aquiles rompido numa perna e a outra ele distendeu o músculo do joelho há uns 2 meses):
-Bah! Esqueci de puxar o freio de mão.
Eu olho pra trás, e TODA a vizinhança está mobilizada em achar o MELIANTE que tentou roubar o carro.
A gente troca o pneu meio que disfarçando, até todo mundo voltar às suas casas.
Daí vem o guarda, que a minha mãe não hesitou em chamar de "bocaberta" quando ele gritou que o carro tava andando sozinho:
-Eu disse que o carro andou sozinho! Nunca tinha vistou isso!
Resultado: 1 pneu inutilizado, pára-choques dianteiro trincado, rodas arranhadas e entortadas, nenhuma tentativa de roubo, um guarda que fez o seu papel, uma garota de havaianas TRI corajosa e minha mãe louca de vergonha: o "bocaberta" não era o guarda. Era meu pai.
A parte séria: A polícia não apareceu.
Em breve, mais histórias pra divertir os dias quentes.
Mas só quem conhece MESMO sabe do que ele é capaz.
(Qualquer dia desses eu conto a história do alarme, que aconteceu pouco tempo antes dessa história que eu vou contar agora)
Sábado, umas 2 da tarde, calorão, todo mundo na casa da minha vó (que tem piscina e tal), só faltava meu pai pro churrasco ser servido. Ele chegou, estacionou o carro e eu e minha mãe fomos recebê-lo.
Entramos em casa, e em seguida eu ouço o alarme do carro.
Olhei pela janela e...CADÊ O CARRO???
-Paaaaaai, roubaram o carro!!!! Ahhhhhhhhhh, tão roubando nosso carro!!!!
Saio correndo portão afora, de saia e havaianas, num estilo muito MACHA, correndo loucamente, atrás do carro que andava relativamente devagar.
Minha tia (segundo depoimentos) entrou em casa e ligou pro 190, desesperada.
Minha mãe e mais umas pessoas gritavam pra mim:
-Guria, volta aqui!!!! Vai tomar um tiro!!!
O guarda da rua apitava freneticamente.
Daí, o carro sobe na calçada do lado contrário (ele atravessou a pista) e pára.
Eu chego na maior, de peito aberto, sem sequer pensar que podia ter alguém armado ali dentro.
O pneu tava rasgado, pára-choques quebrado, roda detonada.
Meio manco, chega o meu pai de mansinho ("manco" pq. ele tem um tendão de aquiles rompido numa perna e a outra ele distendeu o músculo do joelho há uns 2 meses):
-Bah! Esqueci de puxar o freio de mão.
Eu olho pra trás, e TODA a vizinhança está mobilizada em achar o MELIANTE que tentou roubar o carro.
A gente troca o pneu meio que disfarçando, até todo mundo voltar às suas casas.
Daí vem o guarda, que a minha mãe não hesitou em chamar de "bocaberta" quando ele gritou que o carro tava andando sozinho:
-Eu disse que o carro andou sozinho! Nunca tinha vistou isso!
Resultado: 1 pneu inutilizado, pára-choques dianteiro trincado, rodas arranhadas e entortadas, nenhuma tentativa de roubo, um guarda que fez o seu papel, uma garota de havaianas TRI corajosa e minha mãe louca de vergonha: o "bocaberta" não era o guarda. Era meu pai.
A parte séria: A polícia não apareceu.
Em breve, mais histórias pra divertir os dias quentes.
domingo, 8 de janeiro de 2006
Ciúme: ON
Eu nunca fiz ceninha.
Nunca dei escândalo.
Mas talvez porque nunca tenha sido preciso. E por causa disso, eu sempre tentei me encaixar num perfil de "não sou ciumenta, imagina". Meu signo também sempre foi totalmente taxativo, com essas histórias de "geminianos são de todo mundo e não são de ninguém", "geminianos não sentem ciúmes", blablabla.
Só que eu agora resolvi assumir: eu sou uma mulher ciumenta.
Daquelas que chora de ciúme. Do tipo que "tem vontade de matar".
O ciúme explica e justifica muitos comportamentos estranhos.
Mas eu sou bem sociável. Continuarei sendo civilizada. E toda vez que eu sentir o "vulcão" surgindo no estômago e sentir o meu corpo sendo tomado pela IRA do ciúme, eu vou contar até dez, respirar, e resolver tudo em casa. Mas aí, é bom se preparar.
Eu sou pequena, mas não sou metade.
Eu tenho ciúme, sim. Mesmo quando não pode.
E cuidado com os comentários porque hoje eu tou azeda.
Nunca dei escândalo.
Mas talvez porque nunca tenha sido preciso. E por causa disso, eu sempre tentei me encaixar num perfil de "não sou ciumenta, imagina". Meu signo também sempre foi totalmente taxativo, com essas histórias de "geminianos são de todo mundo e não são de ninguém", "geminianos não sentem ciúmes", blablabla.
Só que eu agora resolvi assumir: eu sou uma mulher ciumenta.
Daquelas que chora de ciúme. Do tipo que "tem vontade de matar".
O ciúme explica e justifica muitos comportamentos estranhos.
Mas eu sou bem sociável. Continuarei sendo civilizada. E toda vez que eu sentir o "vulcão" surgindo no estômago e sentir o meu corpo sendo tomado pela IRA do ciúme, eu vou contar até dez, respirar, e resolver tudo em casa. Mas aí, é bom se preparar.
Eu sou pequena, mas não sou metade.
Eu tenho ciúme, sim. Mesmo quando não pode.
E cuidado com os comentários porque hoje eu tou azeda.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
Misunderstood
Quem me conhece sabe que, por ser de um signo regido pelo elemento AR, sou extremamente mutável. Nos mais diversos sentidos. Na música, inclusive.
Não que eu MUDE de gosto musical. Mas eu vou adicionando coisas dos mais variados estilos, com uma única condição: tem que ser bom, no mínimo.
Tem coisas que são básicas, como Beatles e Pink Floyd. Led Zeppelin e Jimi Hendrix também.
Eu já tive a fase Nirvana, Alanis Morissette, Red Hot e Pearl Jam, depois a fase tropicalista (quando eu era hippie), Janis Joplin, e a trilha sonora do Hair - o filme.
Mas desde 2003, eu ouço muita coisa que consideram INDIE (eu demorei pra entender esse "rótulo"): Belle&Sebastian, Flaming Lips, Pixies, Weezer, Kinks, Stereolab, Supergrass, Seterophonics, Air, Badly Drawn Boy, Ben Folds, The Dandy Warhols, Ben Kweller, Cake, Placebo e outras coisas do tipo.
Vieram Los Hermanos, Ludov, Moby e nada mudou muito.
Tive a fase Sean Lennon e comecei a sentir uma ponta de preconceito de algumas pessoas.
Voltei a ouvir The Police e conheci mais o Sting.
Ouvi The Cure, Bee Gees, Abba, Creedence, Pet Shop Boys, Madonna, Cindy Lauper, Michael Jackson, The Byrds, Cat Stevens, Minnie Ripperton, Tracy Bonham, Neil Young. (signo de AR, lembram?)
Depois, segui ouvindo Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Astor Piazzolla (que era muito usado nas aulas de expressão corporal, no teatro) e fiquei meio chatona e metida, admito.
(Notem que uma coisa nunca tem muto a ver com a outra).
Por ter visto um show do Bob Dylan (por míseros $10,-), me puxei em ouvir mais coisas dele.
Lou Reed e David Bowie sempre estiveram presentes.
As músicas inocentes, singelas e queridas da Jovem Guarda também.
E, por fim, os sambas de raiz que (pasmem para o momento da confissão): me fazem ferver o sangue. Eu sou brasileira de verdade e adoro samba bem feito.
Eu devo muita coisa pra um monte de gente. Pessoas que foram definitivas na construção do meu gosto musical:
-meu pai, por causa dos beatles e das músicas da jovem guarda, principalmente (e pq. ele me criou cantando "gatinha manhosa") e pelos sambas de raiz.
-o meu primeiro namorado, por mais beatles, todo o pink floyd, led zeppelin, jimi hendrix , coisas do brasil (caetano, gil, chico e coisas tipo raul seixas, secos e molhados e mutantes).
-o Scooby, pelo arsenal indie e o magnífico Ben Folds Five
-o Thiago pela salada musical que ele fez em mim, só de coisas espetaculares, durante todo o tempo que a gente se conhece. Pq. ele é a pessoa que mais me conhece no quesito música, principalmente. Sempre acerta.
-o Guto pelas coisas freak e bizarras (tipo M.I.A.) e coisas trimassa que ele resgatou, tipo The Cure.
-minha ex-chefe e agora colega Ligia Motta, pela Lhasa de Sela, músicas portuguesas, Yo Yo Ma, e Adriana Deffenti.
Só que o maior preconceito musical que eu já sofri até hoje, no meu reduto social, foi quando eu falei que estava ouvindo (e gostando) uma banda chamada Dream Theater. quase fui expulsa do lugar, me negaram cerveja e ficaram me chamando de metaleira durante todo o tempo. Isso é preconceito e dá cadeia!
Gente, as músicas são excelentes! Ouçam, se é que vocês confiam no meu (bom) gosto musical. E vocês CONFIAM, que eu sei.
Eu sei que vão me xingar nos comments, mas eu tinha que compartilhar isso.
Tá certo que a pessoa que me apresentou DT, tentou me fazer gostar de Pain of Salvation, mas não rolou.
-por último: obrigada vinícius, por ter me feito escutar Dream Theater. E por ter provado que eu realmente gosto de tudo que é bom, independente do rótulo.
Se fodam os que me xingarem.
\m/
Não que eu MUDE de gosto musical. Mas eu vou adicionando coisas dos mais variados estilos, com uma única condição: tem que ser bom, no mínimo.
Tem coisas que são básicas, como Beatles e Pink Floyd. Led Zeppelin e Jimi Hendrix também.
Eu já tive a fase Nirvana, Alanis Morissette, Red Hot e Pearl Jam, depois a fase tropicalista (quando eu era hippie), Janis Joplin, e a trilha sonora do Hair - o filme.
Mas desde 2003, eu ouço muita coisa que consideram INDIE (eu demorei pra entender esse "rótulo"): Belle&Sebastian, Flaming Lips, Pixies, Weezer, Kinks, Stereolab, Supergrass, Seterophonics, Air, Badly Drawn Boy, Ben Folds, The Dandy Warhols, Ben Kweller, Cake, Placebo e outras coisas do tipo.
Vieram Los Hermanos, Ludov, Moby e nada mudou muito.
Tive a fase Sean Lennon e comecei a sentir uma ponta de preconceito de algumas pessoas.
Voltei a ouvir The Police e conheci mais o Sting.
Ouvi The Cure, Bee Gees, Abba, Creedence, Pet Shop Boys, Madonna, Cindy Lauper, Michael Jackson, The Byrds, Cat Stevens, Minnie Ripperton, Tracy Bonham, Neil Young. (signo de AR, lembram?)
Depois, segui ouvindo Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Astor Piazzolla (que era muito usado nas aulas de expressão corporal, no teatro) e fiquei meio chatona e metida, admito.
(Notem que uma coisa nunca tem muto a ver com a outra).
Por ter visto um show do Bob Dylan (por míseros $10,-), me puxei em ouvir mais coisas dele.
Lou Reed e David Bowie sempre estiveram presentes.
As músicas inocentes, singelas e queridas da Jovem Guarda também.
E, por fim, os sambas de raiz que (pasmem para o momento da confissão): me fazem ferver o sangue. Eu sou brasileira de verdade e adoro samba bem feito.
Eu devo muita coisa pra um monte de gente. Pessoas que foram definitivas na construção do meu gosto musical:
-meu pai, por causa dos beatles e das músicas da jovem guarda, principalmente (e pq. ele me criou cantando "gatinha manhosa") e pelos sambas de raiz.
-o meu primeiro namorado, por mais beatles, todo o pink floyd, led zeppelin, jimi hendrix , coisas do brasil (caetano, gil, chico e coisas tipo raul seixas, secos e molhados e mutantes).
-o Scooby, pelo arsenal indie e o magnífico Ben Folds Five
-o Thiago pela salada musical que ele fez em mim, só de coisas espetaculares, durante todo o tempo que a gente se conhece. Pq. ele é a pessoa que mais me conhece no quesito música, principalmente. Sempre acerta.
-o Guto pelas coisas freak e bizarras (tipo M.I.A.) e coisas trimassa que ele resgatou, tipo The Cure.
-minha ex-chefe e agora colega Ligia Motta, pela Lhasa de Sela, músicas portuguesas, Yo Yo Ma, e Adriana Deffenti.
Só que o maior preconceito musical que eu já sofri até hoje, no meu reduto social, foi quando eu falei que estava ouvindo (e gostando) uma banda chamada Dream Theater. quase fui expulsa do lugar, me negaram cerveja e ficaram me chamando de metaleira durante todo o tempo. Isso é preconceito e dá cadeia!
Gente, as músicas são excelentes! Ouçam, se é que vocês confiam no meu (bom) gosto musical. E vocês CONFIAM, que eu sei.
Eu sei que vão me xingar nos comments, mas eu tinha que compartilhar isso.
Tá certo que a pessoa que me apresentou DT, tentou me fazer gostar de Pain of Salvation, mas não rolou.
-por último: obrigada vinícius, por ter me feito escutar Dream Theater. E por ter provado que eu realmente gosto de tudo que é bom, independente do rótulo.
Se fodam os que me xingarem.
\m/
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
retrospectiva
é clichê, mas é inevitável.
que atire a primeira pedra quem não faz nem que seja uma mini retrospectiva do ano que passou.
eu faço sempre.
normalmente no último dia do ano. Dessa vez, eu tava na praia.
Fiz minha retrospectiva sentada na areia, brincando com uma conchinha e olhando o mar. Eu sou apaixonada pelo mar. Mas apaixonada assim, como se ele fosse meu pai. é uma paixão misturada com respeito e profunda admiração. é amor de filha.
meu ano de 2005 foi definitivo. pra muitas coisas.
o começo foi espetacular, abandonei um monte de sentimentos inúteis que a gente vai guardando sem saber bem o motivo. já de cara, me senti leve.
conheci gente especial, dividi sorrisos, caretas e finais de tarde.
depois, algumas turbulências, confusões, bagunças, furacões. interna e externamente.
um monte de gente misturada, como num reality show que nunca daria certo. deixou cicatrizes profundas.
veio formatura. e a consolidação de quase 5 anos de coisas novas e apaixonantes. quem participou desse meu dia, aposto que viu as estrelinhas nos meus olhos. dia mais feliz da minha vida. e a ficha caiu algumas semanas depois.
vieram as propostas de trabalho. e eu comecei a me enxergar num molde diferente: a menina das caretas, agora numa atmosfera de gente grande. cobranças e (muito) medo.
os últimos meses do ano me fizeram crescer absurdamente. e dentro dos meus 163 cm, explodiu a guerra entre os seres femininos que me habitam. resultado: uma pessoa ainda meio desconhecida, mas louca pra se descobrir (e ser descoberta). surgiu a possibilidade da viagem e a oportunidade única de realizar um sonho. mesmo que dure pouco.
ganhei uma afilhada linda, experimentei um sentimento nobre de uma "mãe de mentira" e assumi, emocionada a responsabilidade pela menina dos olhos esverdeados.
todo o meu ano de 2005 foi magnífico. eu adotei -definitivamente- a filosofia da verdade, da transparência, do amor e do bem (incondicionais). E a vida ficou muito mais leve.
durante todo o tempo, selecionei meio sem querer as pessoas especiais que quis manter por perto. resgatei amizades, descobri outras novas. e tudo ficou mais fácil.
ganhei o surpreendente título de "mais divertida da família", mesmo acordando mal humorada quase sempre.
mas a última semana do meu ano merece um destaque mais que especial.
foi divertida, leve, deliciosa.
assim, a passagem do ano foi mais que tranquila, internamente.
externamente, eu dei o vexame do ano, e apaguei no final da festa.
feio, muito feio pra uma menina cheia de superstições que nem eu. não pulei as 7 ondas nem fiz ritual nenhum.
bom, pode ser que dê sorte.
que atire a primeira pedra quem não faz nem que seja uma mini retrospectiva do ano que passou.
eu faço sempre.
normalmente no último dia do ano. Dessa vez, eu tava na praia.
Fiz minha retrospectiva sentada na areia, brincando com uma conchinha e olhando o mar. Eu sou apaixonada pelo mar. Mas apaixonada assim, como se ele fosse meu pai. é uma paixão misturada com respeito e profunda admiração. é amor de filha.
meu ano de 2005 foi definitivo. pra muitas coisas.
o começo foi espetacular, abandonei um monte de sentimentos inúteis que a gente vai guardando sem saber bem o motivo. já de cara, me senti leve.
conheci gente especial, dividi sorrisos, caretas e finais de tarde.
depois, algumas turbulências, confusões, bagunças, furacões. interna e externamente.
um monte de gente misturada, como num reality show que nunca daria certo. deixou cicatrizes profundas.
veio formatura. e a consolidação de quase 5 anos de coisas novas e apaixonantes. quem participou desse meu dia, aposto que viu as estrelinhas nos meus olhos. dia mais feliz da minha vida. e a ficha caiu algumas semanas depois.
vieram as propostas de trabalho. e eu comecei a me enxergar num molde diferente: a menina das caretas, agora numa atmosfera de gente grande. cobranças e (muito) medo.
os últimos meses do ano me fizeram crescer absurdamente. e dentro dos meus 163 cm, explodiu a guerra entre os seres femininos que me habitam. resultado: uma pessoa ainda meio desconhecida, mas louca pra se descobrir (e ser descoberta). surgiu a possibilidade da viagem e a oportunidade única de realizar um sonho. mesmo que dure pouco.
ganhei uma afilhada linda, experimentei um sentimento nobre de uma "mãe de mentira" e assumi, emocionada a responsabilidade pela menina dos olhos esverdeados.
todo o meu ano de 2005 foi magnífico. eu adotei -definitivamente- a filosofia da verdade, da transparência, do amor e do bem (incondicionais). E a vida ficou muito mais leve.
durante todo o tempo, selecionei meio sem querer as pessoas especiais que quis manter por perto. resgatei amizades, descobri outras novas. e tudo ficou mais fácil.
ganhei o surpreendente título de "mais divertida da família", mesmo acordando mal humorada quase sempre.
mas a última semana do meu ano merece um destaque mais que especial.
foi divertida, leve, deliciosa.
assim, a passagem do ano foi mais que tranquila, internamente.
externamente, eu dei o vexame do ano, e apaguei no final da festa.
feio, muito feio pra uma menina cheia de superstições que nem eu. não pulei as 7 ondas nem fiz ritual nenhum.
bom, pode ser que dê sorte.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
domingo, 25 de dezembro de 2005
Mutig
Tem gente bem mais apavorada que eu por causa do meu curso de alemão que não deu certo.
Tem gente querendo me fazer desistir da idéia de ir viajar SÓ porque eu NÃO SEI falar alemão.
Pra essas pessoas, venho com boas notícias:
minha ERMÃ querida, me tirou de amigo secreto e me deu um incrível dicionário de alemão, com gramática, cores, parte do corpo e mais outras coisas tri úteis.
Agora vai! Vocês vão ver!
Tem até dicas de pronúncia!
(Sabiam que aquele "B" meio style tem som de "ss"?)
Então, fiquem tranquilos! Eu vou me dar bem!
Tem gente querendo me fazer desistir da idéia de ir viajar SÓ porque eu NÃO SEI falar alemão.
Pra essas pessoas, venho com boas notícias:
minha ERMÃ querida, me tirou de amigo secreto e me deu um incrível dicionário de alemão, com gramática, cores, parte do corpo e mais outras coisas tri úteis.
Agora vai! Vocês vão ver!
Tem até dicas de pronúncia!
(Sabiam que aquele "B" meio style tem som de "ss"?)
Então, fiquem tranquilos! Eu vou me dar bem!
ele
Daí chega um dia em que a gente se sente meio bobo por não acreditar mais nele.
E a gente vê ele chegando
Tocando o sino
De barba branca e de saco cheio. de presentes.
E dá um frio na barriga
(A roupa dele cheira a naftalina)
Papai Noel não cansa nunca?
Caminha devagar
Fala devagar
Abraça devagar
O meu coração ainda fica acelerado, devo admitir.
Os meus olhos se enchem de lágrimas
A pequena Luísa segura minha mão com força
Ansiosa pela Barbie Fada (esse ano é pela Barbie Fada)
Mal sabe a pequena que sou eu quem seguro a mão dela
E seguro as lágrimas também
Querido Papai Noel: não quero a Barbie Fada. Nem nenhum outro brinquedo.
Eu me comporto o ano inteiro
pra ver o sorriso da Pequena
pra ver os olhinhos dela brilhando
pra ver o senhor chegando
e levando os meus problemas por um segundo
pra que eu possa novamente ter o direito de me sentir pequena como a Luísa.
~ Não sei da noite de vocês, mas a minha, tenho certeza absoluta, é sempre muito, muito feliz. Porque eu tive a sorte de nascer na melhor família do mundo.
E a gente vê ele chegando
Tocando o sino
De barba branca e de saco cheio. de presentes.
E dá um frio na barriga
(A roupa dele cheira a naftalina)
Papai Noel não cansa nunca?
Caminha devagar
Fala devagar
Abraça devagar
O meu coração ainda fica acelerado, devo admitir.
Os meus olhos se enchem de lágrimas
A pequena Luísa segura minha mão com força
Ansiosa pela Barbie Fada (esse ano é pela Barbie Fada)
Mal sabe a pequena que sou eu quem seguro a mão dela
E seguro as lágrimas também
Querido Papai Noel: não quero a Barbie Fada. Nem nenhum outro brinquedo.
Eu me comporto o ano inteiro
pra ver o sorriso da Pequena
pra ver os olhinhos dela brilhando
pra ver o senhor chegando
e levando os meus problemas por um segundo
pra que eu possa novamente ter o direito de me sentir pequena como a Luísa.
~ Não sei da noite de vocês, mas a minha, tenho certeza absoluta, é sempre muito, muito feliz. Porque eu tive a sorte de nascer na melhor família do mundo.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

So this is Xmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Xmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A Merry Merry Xmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
And so this is Xmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Xmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight
John Lennon - Happy Christmas (War Is Over)
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
-oi, vim fazer minha inscrição pro curso intensivo de alemão, agora em janeiro.
-ah, claro, pode preencher essa ficha, por favor.
-(lê os meus dados) ah, vais fazer alguma especialização por lá?
-é, na verdade serão estágios.
-legal. qual cidade?
-munique.
-ah, vais gostar de lá!
-espero.
-e quando tu vai?
-em abril.
-ah, então já tens alguma noção da língua...
-hm. não.
-(olhos arregalados) tu sabe que o intensivo é o nível mais básico né?
-sei.
-(quase desesperada) tu sabe que não vai dar tempo de tu fazer o módulo dois?
-aham.
-(quase me sacudindo pelos ombros) tu vai viajar sabendo o BÁSICO de alemão, sabia?! Alfabeto, dias da semana, números, "oi", "tchau", "bom dia"...só isso...
-sim.
-(senta na cadeira e respira) bom, nós temos professores particulares também...
-ah, claro, pode preencher essa ficha, por favor.
-(lê os meus dados) ah, vais fazer alguma especialização por lá?
-é, na verdade serão estágios.
-legal. qual cidade?
-munique.
-ah, vais gostar de lá!
-espero.
-e quando tu vai?
-em abril.
-ah, então já tens alguma noção da língua...
-hm. não.
-(olhos arregalados) tu sabe que o intensivo é o nível mais básico né?
-sei.
-(quase desesperada) tu sabe que não vai dar tempo de tu fazer o módulo dois?
-aham.
-(quase me sacudindo pelos ombros) tu vai viajar sabendo o BÁSICO de alemão, sabia?! Alfabeto, dias da semana, números, "oi", "tchau", "bom dia"...só isso...
-sim.
-(senta na cadeira e respira) bom, nós temos professores particulares também...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Pessoas
Eu gosto de pessoas. Principalmente das minhas pessoas. Daqueles que viajam 6, 8 ou até 10 horas pra receber um atendimento de 20-30 minutos em um ambulatório do SUS, onde na sala de espera faltam cadeiras.
E a gente não sabe se dá prioridade praquela senhora de 78 anos que viajou desde às 4 da manhã, ou praquela mãe com o bebê recém saído da UTI, que carrega (de ônibus) um balão de oxigênio que garante a vida do filho.
Eu não sei se gosto mais dos olhos ansiosos que me seguem quando eu chego, ainda com sono, ou se gosto do sorriso tímido que sempre brota no canto da boca, no final da sessão, soando como um alívio.
Não sei se gosto mais quando essas pessoas me emocionam todos os dias com suas histórias heróicas, por vezes inacreditáveis, ou quando dizem, com o maior amor do mundo, que dariam a própria vida pra tirar “aquele tubo da garganta do filho”.
Eu só não gosto quando eu sou obrigada a usar jaleco branco, jaleco esse que acaba funcionando como uma grande muralha no início, distanciando a gente dessas pessoas incríveis. Não gosto quando me chamam de “doutora”. Não gosto quando eles perguntam “quanto é cada sessão?”, não gosto quando eu não posso atender de graça.
Não gosto das expressões “lista de espera”, “não dá”, “não pode”, “não tem leito” e “o SUS não paga isso ou aquilo”, “a agenda tá lotada” e nem “não dá pra fazer”.
Eu gosto do sorriso dos pais quando, depois de meses, conseguimos dar uma colherada qualquer de comida pra criança por onde ela sempre deveria ter entrado: pela boca e não pelo tubo que vai do nariz até o estômago.
Eu gosto do abraço trêmulo dos velhinhos e gosto quando me chamam de “minha filha” e me apertam as mãos como se me abençoassem, me fazendo encher os olhos de lágrimas.
Eu gosto de achar furos nas agendas e atender até mais tarde “só hoje, pra ver se ele melhora mais um pouco”.
Eu gosto tanto, mas tanto do que eu faço que, não fossem as minhas próprias contas, faria tudo de graça. E gosto tanto, mas tanto dessas pessoas que admiro cada uma delas com a maior verdade do mundo.
Eu não tenho muita experiência.
Muitas vezes, eu não sei o que responder pros pacientes, nem pra equipe médica, nem pra família.
Mas eu tenho tanto amor pela minha profissão e acredito tanto nela, que eu saio de lá leve, e com a plena certeza de que eu fiz tudo o que eu podia pra melhorar a vida daquelas pessoas pelo menos por mais um dia. Incríveis pessoas.
E a gente não sabe se dá prioridade praquela senhora de 78 anos que viajou desde às 4 da manhã, ou praquela mãe com o bebê recém saído da UTI, que carrega (de ônibus) um balão de oxigênio que garante a vida do filho.
Eu não sei se gosto mais dos olhos ansiosos que me seguem quando eu chego, ainda com sono, ou se gosto do sorriso tímido que sempre brota no canto da boca, no final da sessão, soando como um alívio.
Não sei se gosto mais quando essas pessoas me emocionam todos os dias com suas histórias heróicas, por vezes inacreditáveis, ou quando dizem, com o maior amor do mundo, que dariam a própria vida pra tirar “aquele tubo da garganta do filho”.
Eu só não gosto quando eu sou obrigada a usar jaleco branco, jaleco esse que acaba funcionando como uma grande muralha no início, distanciando a gente dessas pessoas incríveis. Não gosto quando me chamam de “doutora”. Não gosto quando eles perguntam “quanto é cada sessão?”, não gosto quando eu não posso atender de graça.
Não gosto das expressões “lista de espera”, “não dá”, “não pode”, “não tem leito” e “o SUS não paga isso ou aquilo”, “a agenda tá lotada” e nem “não dá pra fazer”.
Eu gosto do sorriso dos pais quando, depois de meses, conseguimos dar uma colherada qualquer de comida pra criança por onde ela sempre deveria ter entrado: pela boca e não pelo tubo que vai do nariz até o estômago.
Eu gosto do abraço trêmulo dos velhinhos e gosto quando me chamam de “minha filha” e me apertam as mãos como se me abençoassem, me fazendo encher os olhos de lágrimas.
Eu gosto de achar furos nas agendas e atender até mais tarde “só hoje, pra ver se ele melhora mais um pouco”.
Eu gosto tanto, mas tanto do que eu faço que, não fossem as minhas próprias contas, faria tudo de graça. E gosto tanto, mas tanto dessas pessoas que admiro cada uma delas com a maior verdade do mundo.
Eu não tenho muita experiência.
Muitas vezes, eu não sei o que responder pros pacientes, nem pra equipe médica, nem pra família.
Mas eu tenho tanto amor pela minha profissão e acredito tanto nela, que eu saio de lá leve, e com a plena certeza de que eu fiz tudo o que eu podia pra melhorar a vida daquelas pessoas pelo menos por mais um dia. Incríveis pessoas.
Mirandolina
Oh, mas isso é uma maravilha! O excelentíssimo Sr. Marquês da miséria estaria disposto a casar comigo? Acontece, porém, que se ele quisesse, haveria uma pequena dificuldade: EU não o quereria. A nobreza não se adapta à minha pessoa. Todo meu prazer consiste em ver que os outros me adoram, me desejam, me obedecem. Esta é a minha fraqueza. Aliás, tenho a impressão de que é a fraqueza de quase todas as mulheres. Quanto ao casamento, nem se fala: não preciso de ninguém; vivo honestamente e tenho a minha liberdade. Gosto é de zombar destas caricaturas de amantes desesperados. E quero usar todas as artes para derrotar, esmagar e espezinhar aqueles corações bárbaros e selvagens que nos hostilizam. A nós, as mulheres, que somos a melhor coisa produzida na terra pela mãe natureza.
Mirandola - de Carlos Goldoni
Personagem: Mirandolina
Ato I - Quadro I
Paixão por esse texto desde a primeira vez que botei os olhos nele.
Sei decor. Até interpreto se alguém quiser, insistir e fizer muita questão.
E de brinde, faço o cover da Nelly Furtado cantando "I'm like a bird".
...porque eu ando demasiadamente desprendida de tudo e de todos.
Mirandola - de Carlos Goldoni
Personagem: Mirandolina
Ato I - Quadro I
Paixão por esse texto desde a primeira vez que botei os olhos nele.
Sei decor. Até interpreto se alguém quiser, insistir e fizer muita questão.
E de brinde, faço o cover da Nelly Furtado cantando "I'm like a bird".
...porque eu ando demasiadamente desprendida de tudo e de todos.
domingo, 11 de dezembro de 2005
Wünsch du mir Glück
Eu já havia dito -e provei- que esse blog não é pouca coisa.
Desde que o Outrasmentiras nasceu, tivemos correspondente nos últimos grandes eventos musicais interessantes: Claro que é Rock e o show do Pearl Jam. (Aguardem resenha do show dos Stones em Buenos Aires, em fevereiro).
Então, nada mais normal do que termos correspondente na Alemanha, durante a Copa do Mundo.
Fiquem atentos e comecem a pensar na lista de encomendas. Prometo me esforçar para trazer os pedidos de vocês na mala, além do Hexacampeonato, lógico. Já adianto que não vou trazer nenhuma alemã peituda.
Mas se eu conseguir fazer uma grana extra vendendo latinhas de cerveja, refri e água na porta do estádio, ou sambando em cima do balcão dos pubs de Munique, prometo que trago umas lembrancinhas pra quem provar que ficou com saudades.
Ah, cruzem os dedos pra eu conseguir ficar lá até a Oktoberfest.
domingo, 4 de dezembro de 2005
Flores Partidas

Só o fato de ter o nome do Bill Murray nos créditos já é suficiente pra garantir um excelente filme.
Mais uma vez, o injustiçado Murray dá um show de interpretação na pele do solteirão mulherengo Don Johnston que, já no começo do filme, se depara com uma delicada situação minutos depois de ser deixado pela namorada- recebe uma carta anônima e cor-de-rosa que revela: Don tem um filho.
A partir daí, incentivado pelo vizinho Winston (Jeffrey Wright, igualmente impecável), um etíope fascinado por detetives e viciado em investigar casos policiais, Don vai atrás de cinco namoradas que teve há 20 anos para tentar obter alguma pista sobre o suposto filho.
Flores Partidas (Broken Flowers) possui uma riqueza inumerável de detalhes que fazem toda a diferença: desde a imagem do retrovisor, presente em todas as viagens de Don, até a trilha sonora (Mulatu Astatke, um jazzista etíope misturado com Marvin Gaye e rock alternativo), passando pelo semblante inconfundível de Murray como o "homem de emoções represadas, mas indisposto a romper o dique para deixá-las sair" e participações grandiosas de Sharon Stone e Jessica Lange.
O final surpreende mais pela precisão do que por qualquer outra coisa. O diretor e roteirista Jim Jarmusch consegue finalizar a obra no momento exato, deixando o público com um confortável ponto de interrogação na cabeça.
Uma comédia dolorida ou um drama cômico. Qualquer um dos rótulos cabe, na tentativa de definir a incômoda dor de Don Johnston que, mesmo implícita, pula aos olhos dos espectadores mais sensíveis: em toda sua vida de Don Juan (título que Don abomina durante o filme), nunca conseguiu saber, afinal, de qual das mulheres ele gostou de verdade. Se é que gostou. A frase da namorada, no início do filme, resume a situação: "Don, você me trata como sua amante mas nem sequer é casado."
Da mesma linha de Encontros e Desencontros, Flores Partidas surge glorioso como um road movie onde o protagonista, ao invés de buscar experiências novas, vai reencontrar o passado.
sábado, 3 de dezembro de 2005
E continuaram na cama, deitados um sobre o outro, naquele êxtase que deixa as pernas moles...só que a frase dela soou como uma facada e doeu-lhe o peito... fez ele despertar daquele estado de letargia como num susto.
-Sabe por que eu resolvi voltar atrás dessa vez?
-não...
-É que eu tou indo embora.
-como assim embora?
-eu vou viajar.
-pra onde?
-pra europa.
-quando?
-mês que vem.
-e volta quando?
-não sei se eu volto.
silêncio...
-daí eu pensei que a gente teria que se despedir e...
-eu não quero me despedir!
-nem sempre a gente faz só aquilo que quer. mas olha...eu preciso te dizer uma coisa...é que tem uma frase que eu só falei pra um cara até hoje...e que eu tenho certeza de que eu posso tranquilamente repetir pra ti...
e cochichou-lhe um eu te amo ao pé do ouvido que fez ele se arrepiar e encher os olhos de lágrima.
-eu sei que tu sempre soube disso. mas entre saber e ouvir, tem diferença. e como talvez a gente nunca mais se veja, eu pensei que...
-como assim, nunca mais vamos nos ver?!
-ué, eu não sei por quanto tempo eu vou ficar longe e não sei como vão estar nossas vidas quando eu voltar - SE eu voltar... e mesmo que a gente continue se falando, não é a mesma coisa....a gente vai acabar se distanciando até esquecermos um do outro. isso é natural.
silêncio...
ele envolvia-na com os dois braços ao redor da cintura, como se não fosse nunca mais deixar ela ir embora.
-eu quero que tu lembre dessa frase que eu te disse, tá? eu não costumo dizer isso pra qualquer um.
-eu sei.
Silêncio...
-quando tu terminar de ler o livro que eu te recomendei, tu vai entender por que eu vou dizer isso:
e voltou a aproximar a boca da orelha dele, como se falasse um segredo:
-eu te amei com todo o peso e com toda a leveza do mundo.
-por que tu falou o verbo no passado, agora?
-porque eu não tenho mais tempo de praticar ele.
-tem um mês ainda.
-um mês é pouco...eu pratiquei ele sozinha durante quase um ano...e tem uma coisa... na verdade eu viajo amanhã...tu sabe que eu sempre procuro encurtar as despedidas...
-eu vou sentir saudades...
-promete que vai te cuidar?
-aham.
-tu sabe que amor não morre nem acaba, né?
-não?
-não. ele se transforma em outros sentimentos. que nem células-tronco.
-hmm..então pode se transformar em raiva também? em desprezo?
-pode.
silêncio...
-mas não é o caso. eu vou torcer por ti e desejar as melhores coisas, sempre.
-tá.
-agora me deixa ir.
-espera....
-o quê?
-toma o último gole do vinho pra não ir fora.
-Sabe por que eu resolvi voltar atrás dessa vez?
-não...
-É que eu tou indo embora.
-como assim embora?
-eu vou viajar.
-pra onde?
-pra europa.
-quando?
-mês que vem.
-e volta quando?
-não sei se eu volto.
silêncio...
-daí eu pensei que a gente teria que se despedir e...
-eu não quero me despedir!
-nem sempre a gente faz só aquilo que quer. mas olha...eu preciso te dizer uma coisa...é que tem uma frase que eu só falei pra um cara até hoje...e que eu tenho certeza de que eu posso tranquilamente repetir pra ti...
e cochichou-lhe um eu te amo ao pé do ouvido que fez ele se arrepiar e encher os olhos de lágrima.
-eu sei que tu sempre soube disso. mas entre saber e ouvir, tem diferença. e como talvez a gente nunca mais se veja, eu pensei que...
-como assim, nunca mais vamos nos ver?!
-ué, eu não sei por quanto tempo eu vou ficar longe e não sei como vão estar nossas vidas quando eu voltar - SE eu voltar... e mesmo que a gente continue se falando, não é a mesma coisa....a gente vai acabar se distanciando até esquecermos um do outro. isso é natural.
silêncio...
ele envolvia-na com os dois braços ao redor da cintura, como se não fosse nunca mais deixar ela ir embora.
-eu quero que tu lembre dessa frase que eu te disse, tá? eu não costumo dizer isso pra qualquer um.
-eu sei.
Silêncio...
-quando tu terminar de ler o livro que eu te recomendei, tu vai entender por que eu vou dizer isso:
e voltou a aproximar a boca da orelha dele, como se falasse um segredo:
-eu te amei com todo o peso e com toda a leveza do mundo.
-por que tu falou o verbo no passado, agora?
-porque eu não tenho mais tempo de praticar ele.
-tem um mês ainda.
-um mês é pouco...eu pratiquei ele sozinha durante quase um ano...e tem uma coisa... na verdade eu viajo amanhã...tu sabe que eu sempre procuro encurtar as despedidas...
-eu vou sentir saudades...
-promete que vai te cuidar?
-aham.
-tu sabe que amor não morre nem acaba, né?
-não?
-não. ele se transforma em outros sentimentos. que nem células-tronco.
-hmm..então pode se transformar em raiva também? em desprezo?
-pode.
silêncio...
-mas não é o caso. eu vou torcer por ti e desejar as melhores coisas, sempre.
-tá.
-agora me deixa ir.
-espera....
-o quê?
-toma o último gole do vinho pra não ir fora.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
In: sensível
Hoje eu tava conversando sobre talentos e virtudes e depois, como de praxe, segui pensando no assunto e tirando minhas conclusões.
Me dei conta de que eu não tenho nenhum talento pra criar textos e poemas que emocionam e fazem pensar. Mas em contrapartida, tenho talento pra apreciar essas coisas e me emociono com uma facilidade absurda. Consigo apreciar a letra separada da música, coisa que muita gente me recrimina. Às vezes, nem sei do que se trata a letra, mas me arrepio só com a música. Noutras, leio a letra antes de ouvir as notas e já basta pra me encher os olhos de lágrimas.
O rodrigoluiz, dono do blog aí do lado, consegue me atingir em cheio sempre. Não é rasgação de seda, ele sabe que é verdade.
Pink Floyd com Learning to Fly também.
Beatles nem se fala.
Faming Lips com Do you realize?, Fight Test e When You Smile também.
Alphonsus Gimaraens com o poema Ismália.
Ben Folds com quase todas.
Yann Tiersen com a trilha do filme da Amélie...
esses são os principais.
Sendo assim, deixo aqui mais um desses poemas que me arrepiam inteira, porque hoje eu tou tri sensível:
Me dei conta de que eu não tenho nenhum talento pra criar textos e poemas que emocionam e fazem pensar. Mas em contrapartida, tenho talento pra apreciar essas coisas e me emociono com uma facilidade absurda. Consigo apreciar a letra separada da música, coisa que muita gente me recrimina. Às vezes, nem sei do que se trata a letra, mas me arrepio só com a música. Noutras, leio a letra antes de ouvir as notas e já basta pra me encher os olhos de lágrimas.
O rodrigoluiz, dono do blog aí do lado, consegue me atingir em cheio sempre. Não é rasgação de seda, ele sabe que é verdade.
Pink Floyd com Learning to Fly também.
Beatles nem se fala.
Faming Lips com Do you realize?, Fight Test e When You Smile também.
Alphonsus Gimaraens com o poema Ismália.
Ben Folds com quase todas.
Yann Tiersen com a trilha do filme da Amélie...
esses são os principais.
Sendo assim, deixo aqui mais um desses poemas que me arrepiam inteira, porque hoje eu tou tri sensível:
RESSÁBIO
Antonio Augusto Ferreira
Você não abra mais o seu sorriso
Porque eu posso pensar que foi pra mim.
Da outra vez me veio sem aviso
E então meu coração ficou assim
Foi um girar de céu e me bateu na alma,
Me envenenou o sangue, me atingiu em cheio,
E eu fiquei perdido e me sumiu a calma,
Me tremeu a base e me rachou no meio
Este andar de bobo, esta barriga fria,
Esta judiaria de esperar querendo...
E o engolir palavras, me fazer de mudo,
E o sonhar com tudo,mesmo nada tendo
Foi você chegar e me parei aceso,
Foi você sorrir e me cristalizou,
Me frouxou as pernas, me secou a boca,
Me molhou a roupa e me petrificou
E foi você partir, e meu melhor pedaço
Se quebrou em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente irresponsavelmente,
Que eu preciso tempo pra me remendar.
Antonio Augusto Ferreira
Você não abra mais o seu sorriso
Porque eu posso pensar que foi pra mim.
Da outra vez me veio sem aviso
E então meu coração ficou assim
Foi um girar de céu e me bateu na alma,
Me envenenou o sangue, me atingiu em cheio,
E eu fiquei perdido e me sumiu a calma,
Me tremeu a base e me rachou no meio
Este andar de bobo, esta barriga fria,
Esta judiaria de esperar querendo...
E o engolir palavras, me fazer de mudo,
E o sonhar com tudo,mesmo nada tendo
Foi você chegar e me parei aceso,
Foi você sorrir e me cristalizou,
Me frouxou as pernas, me secou a boca,
Me molhou a roupa e me petrificou
E foi você partir, e meu melhor pedaço
Se quebrou em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente irresponsavelmente,
Que eu preciso tempo pra me remendar.
Mas é Claro

Sexta passada me mandei para São Paulo para conferir de perto as atrações do Claro Que É Rock, promovido pela famosa empresa de telefonia celular.
Já no sábado, chegamos ao local por volta das 19:30, estrategicamente a tempo de perder a apresentação da banda Good Charlotte - banda essa que possui um visual mezzo Charlie Brown Jr. mezzo Sérgio Malandro -, porém, ainda deu tempo de ouvir um "good night Rio" antes da saída da banda do palco.
A próxima atração no palco oposto foi a Nação Zumbi. Sempre admirei essa galera de Recife, tão elogiada no mundo todo e semi-ignorada em seu país. A mistura de modernidade, regionalismo, rock and roll e boas letras, credencia a banda como a melhor do Brasil (sem dúvidas) e uma das mais vanguardistas no cenário-rock mundial. Seu show? Excelente, como os outros 5 ou 6 que eu já havia visto deles.
A cada música finalizada, os minutos que antecediam o show tão aguardado por mim diminuiam (sim, eu sou um tiete). Mas como o palco que seria usado pelos Flaming Lips era o mesmo da Nação Zumbi, ainda teríamos um show antes de Wayne Coine e cia se apresentarem. E esse show seria a performance da banda estepe Fantômas, que acabou substituindo de última hora a Suicidal Tendencies. O som do Fantômas, poderia ser definido como diarréia musical ou rock churriu. Mike Patton despejava esquisitíces sem nenhuma idéia boa aparente, apenas tentava ser o mais estranho e esquisito possível. Um dos passatempos que criei enquanto ouvia o show, de costas para o palco era o de descobrir alguma nota musical no meio das músicas.
Enquanto isso, eu, na beira do palco oposto, grito para o líder dos Flaming Lips "uueeeiiniiii", e não é que ele ouve e me abana? Melei as cuecas.
"Quero que vocês contem para todos que não vieram que eu desci de uma nave espacial, dentro de uma bolha, direto nos braços do público". Assim começou o espetáculo em forma de show musical dos Flaming Lips. Wayne cumpriu a promessa e desceu dentro de uma bolha, enquanto a banda tocava Race for the Prize. Paralelo, um telão emitia cores e frases extremamente coloridas e fãs pescados antes do show dançavam em cima do palco vestidos de bichos de pelúcia-gigante. Simplesmente antológico.

Ainda surgiriam ETs, sóis e papais noéis, além da participação de um fantoche cantando Yoshimi, do uso de um teclado de criança para emitir sons de animais, da bazuca de serpentinas coloridas usadas por Coine e das covers de Bohemian Rapsody (que fez o público inteiro se emocionar e dos petardos próprios, os Flaming Lips ainda fariam mais uma cover tocando War Pigs do B. Sabbath, em forma de protesto contr a guedda do Iraque.
O que se seguiu ao show, eu não poderei falar muito, pois fiquei atordoado por um bom tempo. Mas destacaria a saúde do Iggy Pop, que colocou abaixo os espectadores no auge dos seus 58 anos (carinha de 70 e corpinho de 25) com sua calça começando no meio da bunda.
Ainda teríamos a apresentação quase sonsa do Sonic Youth e o vigoroso e testosterônico show do Nine Inch Nails. Mas já era tarde demais, Trent Raznor reclamava demais e tinha angústias adolescentes demais para um senhor que beira os 40.
A alegria venceu a tristeza, mais uma vez.
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