quinta-feira, 30 de março de 2006

hein?!

A coisa mais engraçada em trabalhar com crianças, é ouvir elas falarem. As alterações de fala, muitas vezes, transformam a terapia em crise de riso.

Não que eu esteja rindo do problema nem da criança, mas sim, dos absurdos verbais que esses problemas originam.
A primeira vez que fiquei sozinha com um paciente, um menino de 6 anos, foi cômico. Ele me perguntou:
-tia, tu tem cílios?
eu achei a pergunta estranha, mas apontei pros meus olhos e mostrei que tinha cílios, sim.
daí ele fez uma cara de paisagem e explicou melhor:
-não, tia..."cílios", de pai, mãe e "cílios". Eu sou cílio da minha mãe, entendeu?
eu não sabia se ria ou se chorava e só naquele dia, caiu a minha ficha de que a partir dali, veria e ouviria as coisas mais bizarras do mundo.

Mas eu mesma, quando era pequena, falava um monte de coisas erradas como qualquer criança normal em fase de aquisição de linguagem (até os 5 anos, falar errado é tolerável) e aposto que todo mundo tinha as suas trocas que viraram marca registrada na família.
Por exemplo,

Eu tinha medo de andar na calçada, em Arroio do Sal, numa época em que tinha um monte de sacudos (cascudos) pelo chão.
Quando chegava na casa do meu tio, no Cassino, meus pais sempre tinham que me avisar quando a gente passasse pela couve-flor (catavento).
Minha mãe colocava roupas pra lavar na mánica (máquina).
O meu primeiro aniversário foi com personagens da turma da Môquina (mônica).
Quando eu tinha 8 meses, fiz uma plástica pra reconstruir o céu da boca, pq. cortei com uma colher. Por isso fiquei com a pancainha (campainha) tolta (torta). Eu mostrava pra todo mundo.

Depois eu fui crescendo e a complicação lingüística se estendeu:
Nos episódios do Chaves, eu demorei pra entender a sacada do Professor Girafales:
- Vim lhe trazer esse um mil de (humilde) presente! (achei que fossem mil rosas, sei lá)

Quando chegou a época das reuniões dançantes, eu gravei uma fita da banda da moda: Rock 7 (Roxette) - inclusive escrevi isso na capinha da fita, bem grande.

Mas eu tenho uma lista de coisas engraçadas que eu já ouvi de crianças, tipo:
-manoese (maionese)
-avenessário (aniversário)
-kekichupe (ketchupe) - FOI UMA CRIANÇA, OK? SEM PIADAS.
-fofudas (corcundas) - em uma música da xuxa, que falava do camelo que tinha 3 corcundas.
-church (água) - sim.
-chumiga (formiga)
-tic-tic-ná (tic-tac) - aqueles enfeites de cabelo, pra quem não sabe.
-bômbi (vôlei)
-nanadeu (penico) - pq. quem deu o penico foi a tia Nana.
-felefone (telefone)

e mais umas que eu não lembro agora...

E viva a minha profissão! :)

4 comentários:

Anônimo disse...

explica o que é o catavento pros convivas.

Anônimo disse...

"FOI UMA CRIANÇA, OK? SEM PIADAS"

tá.

Chris disse...

Qual a sua profissão?
Eu também adoro crianças...

mariana disse...

a pedidos:
Catavento era o nome de um supermercado e do lado, havia um catavento de verdade que eu adorava.

(descobri isso no último sábado, pasmem! uahauhauha)