Mas hoje foi curioso: abri o dicionário procurando "pinicar" e, quando eu vi, tava lendo o significado de "viver"...
"Imagens são sempre reais, ainda que todo o conteúdo seja falso."
quarta-feira, 15 de março de 2006
Dicionário
Mas hoje foi curioso: abri o dicionário procurando "pinicar" e, quando eu vi, tava lendo o significado de "viver"...
airplanes and airports
to get feet out of this land
a dream she always had
never asked no one about
how they got the news
a thought that flashed her mind
no longer these cheap thrills
wondering of other skies
leave all the ghosts behind
new air to open wings
gain height, climb, and fly
and airplanes and airports
she'll be flying soon
I had no option, I had no choice
I had no word, I had no voice
not even the right to speak about
she's not going to turn around
no option, no choice, no word, no voice
-
I get speechless everytime you ask me
do I feel happy with your dream come true
it's a fight between my selfish one
and the I that loves you
segunda-feira, 13 de março de 2006
Beep Beep!
O foco central da história era sempre o mesmo: O Coiote vivia querendo acabar com o Papaléguas.
Pra isso, utilizava as mais bizarras armadilhas da ACME pra pegar o bicho, mas sempre davam errado, porque o papaléguas era bem mais esperto e desviava de todas com uma astúcia incrível.
O coitado do Coiote passou dias, meses, anos envolvido com a vida do Papaléguas que acabou esquecendo que tinha a sua própria. Enquanto isso, o Papaléguas, às vezes, aparecia como mero coadjuvante no desenho, passava correndo sempre, pelo simples fato de que ele tinha tanta coisa com o que se preocupar na sua vida (a vida do papaléguas era extremamente movimentada, sabiam?), que o Coiote acabou virando sua diversão.
Tá, a historinha pode ter várias lições no final, mas a mais simples e a que eu mais gosto tá representada nessa cena que ilustra esse post: o papaléguas sempre sabia a hora certa de parar. ;)

domingo, 12 de março de 2006
(sem título)
Queria enxergar as coisas mais longes e não conseguia... Estava presa no presente.
Por vezes, lacrimejava e desistia. Fechava os olhos e viajava cega nos seus pensamentos nítidos.
Andava preocupada - até quando os arranhões vão atrapalhar o meu futuro?
Tropeçava, perdia ônibus, não enxergava mais os conhecidos com quem cruzava na rua.
Estava ficando cada vez mais atormentada, mais cega, mais distante dos sonhos.
Até que um dia, mexendo naquela gaveta das coisas esquecidas, achou os óculos antigos. Simples, com lentes intactas, límpidas e leves. Aproximou-o dos olhos e, como num passe de mágica a vida ficou mais transparente e colorida. E o futuro lhe sorriu o sorriso mais lindo do mundo.
sexta-feira, 10 de março de 2006
do verão de 2003
só deus sabe como viemos parar aqui.
eu lhe disse tudo que posso dizer. ela pensa que estou ocultando algo. não estou. só não sei muito.
nós furtamos olhares ocasionais um ao outro, sorrisos rápido e fugazes. estamos constrangidos agora. chegamos perto demais, falamos muito abertamente.
temos de recuar...deixar as coisas seguirem seu próprio ritmo.
eu tento não pensar a respeito do que aconteceu ou vai acontecer conosco.
tento ser uma parte do cenário, tão tranquilo quanto o mar ou o céu..."
ovo
ele, irritando: "mas eu prefiro que tu gema."
quinta-feira, 9 de março de 2006
início
e olhar nos olhos dele era como submergir num mar agitado e sedento - por respostas, incansável.
aí, já estava sorrindo novamente das idéias insanas que brotavam de um jeito assustadoramente natural daquela mente fértil.
já estava concordando com as teorias absurdas dele que projetavam-na pra um outro mundo, em segundos.
ele tinha a capacidade de abduzi-la da realidade e, sem saber, alimentava suas idéias mais loucas.
tinha o poder de fazê-la flutuar com um sorriso.
e aí, ela só sentia-se à vontade quando olhava novamente aqueles olhos caídos e cansados que, por vezes, escondiam-se atrás de lentes numa tentativa de enxergar o mundo um pouco menos distorcido pela sua própria cabeça.
contava os dias, pra poder admirá-lo outra vez durante horas, dormindo displicente.
fechava os olhos só pra ficar mais fácil de imaginar o toque das mãos dele pelo seu corpo.
ele era a exceção de todas as suas regras e a mais deliciosa das transgressões.
quando viu, estava nessa de sonhar acordada com o dia em que pudesse realmente absorver, devorar, concordar, discordar, descobrir e mergulhar naquela interminável atmosfera de tantas coisas que lhe interessavam como se lhe pertencessem.
Enlouquecida, quis correr para longe... mas quando viu, era tarde demais.
terça-feira, 7 de março de 2006
sobre o dia 08 de março
eu mudo meus horários se for pra ir de carro. pelo simples fato de ser mais rápido e mais confortável.
hoje eu tava voltando da clínica e liguei pra saber onde meu pai estava:
-oi pai, onde tu tá?
-aqui na depaschoal, fazendo balanceamento no carro.
-tá, tou indo aí te encontrar pra pegar uma carona pra casa.
-tá. te espero aqui.
chegando lá, esperei uns 10 minutos até o cara acabar.
daí chega o mecânico com a notícia:
-o pneu traseiro tá com defeito, acho melhor o senhor trocar.
-defeito?! mas eu troquei não faz 2 meses!
daí meu pai foi lá olhar e realmente tava com defeito.
como meu pai não é do tipo que deixa coisas pra depois (ainda mais em se tratando do carro), lá fomos nós na loja onde ele havia trocado os pneus.
eu, como tava de carona, tive que ir junto.
um lugar feio, sujo e cheio de homens suados e engraxados.
e eu lá, de tamanquinho, e bolsinha no ombro, me sentindo um ET naquele cenário, vendo eles falarem sobre coisas que eu não fazia a menor idéia que existiam.
ficamos, meu pai e eu, em pé ali do lado dos caras enquanto eles arrumavam o troço.
vendo que não tinha muita saída, resolvi aprender o máximo de coisas possíveis sobre carros.
prestei atenção nas peças que iam aparecendo e descobri que na roda, existe um negócio, chamado PRISIONEIRO, onde é afixado o pneu, dentre outras coisas.
e o meu pai me explicando tudo, didaticamente, com a paciência de sempre.
eu sabia coisas básicas, por ser curiosa (eu adoro ler manuais de coisas), questionadora (eu pergunto TUDO, sempre) e metida (metida mesmo), e por ter medo de que um dia eu tenha que ir sozinha a uma oficina e os caras tentem me engambelar, pq. eu sou mulher.
mas hoje fiz uma espécie de especialização intensiva.
eu troco lâmpadas, resistência de chuveiros, instalo antenas de tv (UHF, inclusive), conserto tomadas, faço extensões, sempre comprei cabos pro videocassete, faço as instalações de TV/DVD/SOM/COMPUTADOR, sem perguntar pra ninguém. e mato baratas sem o menor problema.
essa é a minha porção masculina, que funciona muito bem.
eu faço quase tudo aquilo cuja responsabilidade é (culturamente) masculina. mas...E DAÍ?
só faço tudo isso pq. o meu pai passa a semana viajando, e alguém tinha que aprender.
o meu lado feminino é TÃO superior, que quando eu casar, podem ter certeza de que o meu marido vai ter uma MULHER de verdade em casa - e não essas coisas esquisitas que têm por aí hoje em dia.
SIM, vou ser do tipo que trabalha fora, cozinha, lava, passa, cuida dos piás e ainda lembra de molhar as violetas. vou lembrar de ter sempre cerveja gelada- SIM, vou agradar o meu marido.
e tudo isso não me faz menos inteligente ou menos independente.
pq. também é com sutileza, carinho e parceria que conquistamos os homens - e o nosso espaço.
chega desse feminismo falso que tá acabando com a sensualidade e a graça natural das mulheres. eu não luto e não quero igualdade.
eu brigo por RESPEITO. mas isso só vai acontecer de verdade, quando as próprias mulheres aprenderem a se respeitar e a se reconhecerem como MULHERES (em caps lock).
e que se dane o dia internacional da mulher.
domingo, 5 de março de 2006
Passa, tempo!
Menos eu.
Eu tou seriamente angustiada, ansiosa, agitada e aflita. Eu tou demorando pra me dar conta que 2 meses e meio é bastante tempo e que eu não posso ignorar esses dias e querer pular pro dia da minha viagem, como se nada mais na minha vida fosse importante.
Eu tenho pacientes me esperando. Tenho um monte de coisas pra organizar e tenho que levar esses meses normalmente. Mas tá difícil.
Talvez poucas pessoas saibam realmente o quanto essa viagem significa pra mim. É como se tu imaginasse uma coisa durante anos e, de repente, essa coisa magicamente começa a aparecer no horizonte. E vai ficando cada vez mais perto...uma chance imperdível e inadiável de realizar um dos meus grandes sonhos.
Eu já encomendei camisas da seleção, bandanas com a bandeira do brasil e outros cacarecos verde-amarelos pra uma tia que vai pra São Paulo no fim do mês (ela vai comprar na 25 de março, lógico) pra vender lá em Munique (não esqueçam que eu serei agraciada pela Copa do Mundo durante o tempo que ficarei lá). E agora, estou treinando as palavras "cerveja, refri e água bem gelados!" em alemão, pra vender na porta do estádio nos dias de jogos. (Hm. Talvez eu troque "cerveja" por "caipirinha", pq. na terra da Oktoberfest, cerveja é uma coisa comum demais).
No dia 18 de junho, (Brasil x Austrália) estejam atentos pq. o jogo é em Munique e eu farei de tudo pra tentar aparecer na TV e mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra "toda gurizada de porto alegre ÊEêEÊêEêêÊEêê!". Tá, se der, eu xingo o Galvão Bueno também.
O mais legal de tudo até agora, é que eu já garanti 6 dias na Itália, com passagem por Veneza e Roma garantidas.
Próxima meta: visita rápida ao Frankreich, com uma passadinha estratégica em Bordeaux, só por birra.
Assim que a gaiola for aberta, duvido alguém conseguir me pegar de volta. Há!
sexta-feira, 3 de março de 2006
quinta-feira, 2 de março de 2006
Navio
O som fica distorcido, a imagem some e só reaparece quando o navio vai embora.
Eu também queria poder justificar os meus dias fora de sintonia- em que os fantasmas tomam conta e o som fica distorcido- dizendo que é só um navio passando. Um naviozão carregado de contêineres cheios de mau humor, que vai causando interferência por aí.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006
Alô bateria...
Até sábado passado, eu tinha dúvidas sérias se eu realmente gostava de pular carnaval ou se preferia pular o carnaval. Mas acho que era por pura preguiça de pensar, refletir e estabalecer uma posição definitiva.
Aos 5 anos eu ganhei um concurso de fantasia na minha praia. Por unanimidade. A fantasia era de "Dama Antiga" (ou damatíga, como eu dizia), lilás. Lindíssima. Meu pai fez uma faixa de incentivo e foi pra torcida com o resto da família.
Dos 5 aos 17 eu pulei carnaval na SAAS (sociedade dos amigos de arroio do sal) e eu esperava o veraneio inteiro por esses 4 dias. Mas eu sempre fui meio reservada. Sempre tive escrúpulos e limites. Limites pra mim e pros outros. Xingava muito, batia boca e, por vezes, esbofeteava um ou outro engraçadinho que resolvia achar que a minha bunda era um local público. Fui retirada do clube por seguranças algumas vezes, mas sempre voltava depois de esclarecer o barraco. Eu nunca beijei 15 numa noite só. Nem nas 4 noites de carnaval inteiras. Nem num verão inteiro. Nunca achei isso muito legal.
Daí, minhas amigas começaram a se desvirtuar e usar saias e shorts cada vez mais curtos e apertados durante o carnaval. Achavam legal usar anéis de latinhas de refri/cerveja penduradas numa corrente, com o número correspondente a quantos "pegaram" durante o carnaval.
E as fantasias se resumiram a um colarzinho chinelão de "havaiana". Bebiam até vomitar e acabavam na calçada antes de começar o baile. Eu ficava PUTA da cara.
Eu resolvi parar de ir no clube. Fui pra avenida.
(esse ano teve um lamentável "carnafunk" no mesmo clube...triste. MUITO triste).
Enfim...alguns carnavais irrelevantes, outro em Houston e outro num bar alternativo em Garopaba dançando músicas dos anos 80 (esse foi divertidíssimo e inesquecível, apesar de não ter tido bateria).
Esse ano, descobri que a minha escola do coração acabou. Era escola de marisqueiros, eles não tinham grana, mas tinham uma bateria que nunca recebeu nota menor do que 10. Eram apaixonados.
Deu uma dor no peito. Mas tratei logo de agilizar uns contatos e procurei um outro lugar pra desfilar. Meio assim, de última hora.
Desfilei numa outra escola: de pés descalços na avenida principal, na ala que homenageou o teatro grego, num enredo que falava de arte.
E, enfim, descobri o que me faz ser apaixonada por esses dias em que todo mundo finge que o país não tem problemas: eu gosto de carnaval na rua. De desfilar na avenida, de gente aplaudindo, de plumas e paetês, de purpurina, de 300 pessoas cantando o mesmo samba-enredo, da bateria. Da bateria, principalmente.
Eu não tenho vergonha de dizer que eu choro e me arrepio quando a bateria começa a tocar.
Eu tenho o maior orgulho da minha brasileirice genuína*, que aflora quando o cara lá em cima do carro de som anuncia que " a hora é eeeeessaaaa!" e "vamulá minha bateria!"
*(eu não tenho ascendentes em lugar nenhum do mundo. devo ser fruto de um caso banal entre um português e uma índia, ou algo assim...essas relações estranhas que originaram a maior parte do povo brasileiro...nunca vou ter dupla cidadania, embora isso fosse bem útil no atual momento).
Só que eu ainda me sinto deslocada, de certa forma.
Porque eu desfilo e vou embora.
Eu não gosto do clima de "pode tudo" que se cria. Eu odeio, ODEIO sprays de espuma.
Eu acho muita chutação de balde um bando de gurias usando camisetas com o logotipo da Whiskas, escrito "comida para gatos".
Eu acho asqueroso gurias desfilando de maria chiquinha e chupeta de nenê na boca com 20 anos na cara.
Eu acho nojento os caras que bebem - e os que não bebem- que chegam agarrando qualquer uma só pq. "é carnaval ôlelê!!!!" E depois usam isso como "desculpa".
Eu acho que falta respeito (próprio, inclusive) e sobra mau gosto.
Eu curto o carnaval sozinha, durante os 60 minutos de desfile e depois vou pra casa dormir.
Quando eu tiver dinheiro de sobra, eu vou desfilar no Rio.
Ano que vem, sairei de destaque lá em Arroio do Sal mesmo. É o primeiro (e estratégico) passo pra ganhar a frente da bateria. Me aguardem.
Voltei...
com melanina a mais, preocupações a menos e pensamentos amenos.
com histórias engraçadas, descobertas que simplificaram a vida e um verão inesquecível.
ainda com cheiro de protetor solar e as lentes dos óculos grudentas de maresia.
aos poucos, vou contando o que interessa.
* tava com saudades daqui.
domingo, 5 de fevereiro de 2006
FÉRIAS
Pra alegria de uns e tristeza de outros.
Mas eu volto. Eu sempre volto.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
Acoooooorda!
A gente nunca sabe se dá uma sacodida de leve, se dá um beijo, se chama a criatura pelo nome em voz alta ou se vai logo acendendo a luz e decretando que "tá na hora de acordar e eu não vou chamar de novo!".
Claro que isso depende muito da pessoa que a gente vai ter que acordar.
Se for irmã(o) não tem muita frescura...vai chamando, sacodindo, acendendo a luz e era isso.
Pai e mãe é um saco de acordar: primeiro, pq. tu nunca sabe se é uma boa hora pra abrir a porta do quarto. Segundo: pedir dinheiro às 7 da manhã é meio delicado, daí a gente tenta ser o mais meiga possível, cochichando perto do ouvido e quase nem encostando a ponta dos dedos no ombro deles. E se afasta rápido da área de alcance deles...vai que rola um tapa meio aleatório...
Dizer "acorda que tu tá atrasado" é a maneira mais traumática, porém a mais eficiente que eu já encontrei pra acabar com a angústia de ter que chamar alguém. A pessoa nem se espreguiça, nem faz cara feia e nem se dá conta de te xingar...simplesmente dá um pulo, senta na cama e, com os olhos arregalados e o coração quase saindo pela boca, ela pergunta, inevitavelmente: "que horas são?", ou ainda as variantes "que dia é hoje?" e "onde eu estou?", pros mais desavisados.
(Tem também "quem sou eu?" e o pior: "quem é tu?", mas isso é outra história).
Eu, normalmente, acordo meio mal-humorada, meio séria e meio calada. Detesto conversar e tudo em mim funciona de maneira extremamente lenta nas primeiras horas da manhã. Eu odeio que me perguntem: "onde tu vai hoje?", "que horas tu volta?" ou "tu vem almoçar?". Isso me deixa profundamente irritada. Solução: evitem falar comigo até umas 9 e pouco, só pra garantir a integridade física e emocional de vocês.
Claro que tudo isso acontece QUASE sempre. Tem (pouquíssimos) dias em que eu acordo bem-humorada, sorridente, saltitante e falante. Mas tudo isso depende também do jeito que eu acordo ou sou acordada. E só existem 2 ou 3 pessoas NO MUNDO (contando a Luísa, que é delicadíssima e meiguíssima sempre), que sabem me acordar de maneira a garantir meu bom-humor matinal e fazer com que ele dure o dia inteiro, no mínimo. Garanto que não é difícil. Só é meio arriscado.
Bom Dia pra vocês também!
:)
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Cross Country Ski
Hoje, durante o almoço, assisti a uma matéria no Globo Esporte sobre um dos atletas que fará parte da delegação do Brasil (sim, o povo do País Tropical tá em todas...). O cara é gaúcho (mas parece que não mora aqui), funcionário público e vai competir na modalidade cross country ski.
Esse negócio, pelo que eu entendi, é mais ou menos como ter que caminhar por um percurso pré determinado, com os skis e com as bengalinhas aquelas, pra ajudar. Ganha quem chegar primeiro, lógico. Não, não é esquiar, é CAMINHAR mesmo. O mais engraçado é que o cara treina na praça central da cidade dele e, sob o sol escaldante de janeiro, veste todo o aparato e sai caminhando pelo meio das árvores, com os skis e as bengalinhas como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas tem umas modalidades legais, tipo as patinações (artística e a de velocidade) e as MELHORES:
Bobsled - Sim, aquele que aparece no filme "Jamaica abaixo de zero", do foguetinho que anda tri rápido e vai uma galera curtindo lá dentro e ficam andando na pista de gelo. Queria ter um pra descer as paredes ali do Centro Administrativo, mas o trenó custa em torno de 80 mil reais.
Skeleton - É tipo um carrinho de lomba, mas a gente anda deitado, de barriga pra baixo. Deve ser trimassa de andar. Esse é mais barato, uns R$ 10 mil, até daria pra comprar se eu fosse rica. Daí certo que ia descer a Lucas de Oliveira ou a Mostardeiro- quem vem da Independência ali antes de chegar na Goethe.
Luge - Esse é quase a mesma coisa que o Skeleton, mas tu anda no trenó deitado de barriga pra cima. Deve ser bem mais difícil de andar e eu, por exemplo, andaria sentada, que nem o skibunda que eu andei em Bariloche e tinha que colocar a mão na neve pra fazer as curvas...super divertidíssimo!Eu e o Thiago estávamos até inventando outras modalidades pras olimpíadas de inverno, tipo o "Snowman Race": ganha quem montar o boneco de neve em menos tempo. Mas tem que ter nariz, olhos e boca. E cachecol.
Enfim...em vez de ficar rindo das modalidades, a gente tem que torcer pro nosso pessoal que vai lá competir, mesmo sendo praticamente impossível tirar a soberania dos atletas da Finlândia, por exemplo, que convivem com a neve durante boa parte do ano. Mas tá, deixa...vale pela diversão!
Ai, ai...falar em neve meio que dá uma refrescada até, né?
domingo, 29 de janeiro de 2006
sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
CUECA DE TELINHA
Entre sorrisos e olhar espantado ela tentava entender aquela surpresa bizarra que a aguardaria em casa.
O namorado, depois de 8 anos de namoro meio morno, resolvera radicalizar...talvez quisesse apimentar as noites de amor...ele ficou por uns bons minutos tentando explicar como era a cueca nova.
Ela desligou o telefone e virou-se para mim, pasma...como se me pedisse socorro para ajudar a entender o que era isso, agora.
- Não sei...sinceramente, nunca imaginei como é uma cueca de telinha...ainda se fosse calcinha vá lá....mas cueca?? Putz...
A única coisa que conseguia pensar era em algo do tipo Village People. Cuecas de couro, chicotes, por que não cueca de telinha?
Fiquei tentando imaginar aquela cena: ela chega em casa, exausta, e lá está ele...de banho tomado, corpo lambuzado de óleo de amêndoas, quarto à meia luz e o Lenny Kravitz tocando baixinho...(sim, porque eu acho que cueca de telinha deve ter tudo a ver com o Lenny)...ele está deitado na cama, tomando whisky, incensos e velas completam o clima...ela chega na porta e se depara com aquilo tudo...
- Ah, não.....com cueca de telinha não dá!
Acordo do meu devaneio...é dia dos namorados no outro dia....brinco com minha amiga, dizendo que, enfim ela vai conhecer a famosa cueca...
- Depois me conta com detalhes! Quero saber sobre a telinha!
Ela ri. De nervosa, eu acho....eu, pelo menos, ficaria nervosa se eu soubesse que teria alguém me esperando com uma cueca de telinha na minha cama.....medo. Muito medo.
No outro dia, ela chega. Poucas palavras. Não consigo distinguir se a falta de conversa é fruto de um mau-humor, ou de um cansaço extremo, afinal, a noite anterior deveria ter sido, no mínimo, exótica!
- Brigamos.
- Como assim?? Brigaram justamente no dia dos namorados??? Na noite da cueca de telinha???
- É. Brigamos.
- Não acredito!!! Mas, tu viu a cueca, pelo menos?
- Claro que não! Nem saí do carro.
- Não acredito! - Decepção total.
Acho que eu estava mais curiosa do que ela. Ela, nem aí. Eu, lamentava profundamente a briga.
Ela recuperou o bom humor em poucos minutos de conversa...acabamos brincando sobre toda aquela situação.
A aula acabou antes do previsto.
- Quer carona? Ele vem me buscar...podemos te deixar na metade do caminho!
Aceitei sem pensar duas vezes...afinal, estava exausta e seria ótimo conseguir chegar um pouco mais cedo em casa.
De repente, me dei conta: ELE, o dono da cueca de telinha me daria uma carona...Entrei no carro, sorrindo, imaginando se ele estaria ou não com a cueca bizarra...gargalhava baixinho...meu superego estava tendo um trabalhão para conter meu id.
Era inacreditável...por trás daquela cara sisuda, séria e formal, havia um outro homem...um homem querendo se libertar...e deixar suas fantasias fluírem...coisa rara...eu ria silenciosamente...(talvez eu também estivesse nervosa)
Agradeci a carona e saí do carro sorrindo...torcendo para que eles fizessem as pazes, afinal, eu não posso ficar sem saber como é uma cueca de telinha.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Baltimore Paradiso
Eu deveria ter uns 7 anos...lembro que o filme era “Uma Cilada para Roger Rabbit” e o cinema, era o –infelizmente- extinto Baltimore. Mais precisamente Baltimore 3. Fui com meu pai e minha tia. Consigo lembrar direitinho de algumas coisas do tipo: meu pai estacionando o carro ali na Osvaldo Aranha, o vestido ultramente sexy da Jéssica Rabbit , que eu achava linda e na época, queria ter aquele cabelo por cima do olho e uma piteira charmosa como a dela...(depois daí, eu passaria a confeccionar piteiras de folhas de caderno).
Devia ser Sábado ou Domingo...eu estava muitíssimo feliz, louca pra contar a novidade pras minhas amigas...fiquei maravilhada com o cinema! Não pelo filme, nem pelo Baltimore em si...mas eu acabara de descobrir uma coisa linda e deliciosa que se tornaria, mais tarde, uma das minhas grandes paixões.
Depois desse dia, queria sempre ir ao cinema...daí, então, o Batman (com o Michael Keaton) acabou sendo meu segundo filme, no mesmo Baltimore, com meu mesmo pai que agora não era meu único “super-herói”: o Batman é lindo, sabe fazer tudo, tem um carrão e uma máscara legal! Agora, eu sonhava ser a “Mulher-Gato”.
Pensando bem, meu Super-Pai será sempre meu único herói. Mesmo que ele não tenha um Batmóvel nem uma máscara legal...mas ele sempre consertou meus brinquedos quebrados, me ensinou a música da “Barata diz que tem”, cantava “Gatinha Manhosa” e, o melhor: foi o primeiro homem a me pegar pela mão e me levar ao cinema.
terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Brega, sim!
Hoje eu tava meio deprê ouvindo a Continental no meu walkman enquanto ia pro trabalho (sim, pq. a Continental é a rádio que mais toca músicas -bregas- que eu sei cantar e, por muitas vezes eu escolho ela pra me acompanhar no T1) e as minhas duas músicas bregas favoritas tocaram!
Primeiro Dona, do Roupa Nova.
Depois, Deslizes, do Fagner.
E tem mais: eu sempre canto elas quando me deparo com um videokê.
Porque brega MESMO é usar mullets e camisa de viscose pra dentro da calça semi-bag.
Acho que sou só eu que ouço a Continental. E alguns pacientes de salas de espera, por aí.
Fiquem com o Fagner pq. é a música do momento.
Leiam a letra com atenção...é de uma preciosidade única. Sério.
Fagner - Deslizes
Não sei por que
Insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim o que bem quer
Se ao teu lado sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei quem você é
Eu sei de tudo com quem andas
Aonde vais
Mas eu desfaço o meu ciúme
Mesmo assim
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer você pra mim
E como prêmio eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo tão antigo
E fecho os olhos para todos
Os teus passos
Me enganando só assim somos amigos
Por quantas vezes me dá raiva de querer
Em concordar com tudo o que você me faz
Já fiz de tudo pra tentar te esquecer
Falta coragem para dizer que nunca mais
Nós somos cúmplices, nós dois
Somos culpados
No mesmo instante em que teu corpo
Toca o meu
Já não existe nem o certo nem errado
Só o amor que por encanto aconteceu
E é só assim que eu perdôo os teus deslizes
E é assim o nosso jeito de viver
Em outros braços tu resolves tuas crises
Em outras bocas não consigo te esquecer
Ui, chego a me arrepiar...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
intuição é foda.
é só o que me consola.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2006
Frágil e incompreendida
Daí eu fico aqui trabalhando, enquanto minha mãe e minhas irmãs douram a pele ao sol de Arroio do Sal. Meu pai também fica trabalhando, coitado, pq. alguém tem que sustentar essa mordomia toda.
Essa semana eu fiquei pseudo-sozinha, pq. a minha irmã ficou junto e tal. Mas ela ficou mais tempo na casa do namorado do que na própria casa.
Ontem eu estava sozinha de noite. Fiz uma jantinha delícia e fui tomar banho, pra ver um dvd logo depois.
Eis que o drama acontece: cheguei na área de serviço pra pegar a toalha e me deparei com um MONSTRO do tamanho do meu dedo mínimo: Aham! Uma lagartixa asquerosa no teto. (Quem me conhece sabe que eu tenho pânico de lagartixas).
Eu berrei (impulso) e logo senti as pernas amolecerem...(eu fico meio paralisada e tal, o que me impede de fugir nesses momentos).
Mas eu tentei respirar fundo e manter a calma, só que pra piorar a situação que tava quase sob controle, sinto algo caindo na minha cabeça...olho pra cima e...UFA...a bicha tá ali, porém....SEM O RABO!
Quando juntei os fatos e me dei conta que o que tinha caído na minha cabeça era o RABO, eu me joguei no chão como se tivesse tendo um ataque epilético e não tinha coragem de tocar nos cabelos. Eu me debatia e sacodia a cabeça como um metaleiro em êxtase e vi o troço cair no meio da cozinha.
Nesse momento, eu chorava copiosamente, me sentindo frágil, desprotegida e abandonada.
Fiquei ali, sentada no chão por uns minutos até conseguir me levantar pra tomar uma água e me acalmar.
Me recompus como deu e, corajosamente, voltei pra pegar a toalha que tinha ficado pendurada. O rabo da medonha ficou na cozinha e eu fui tomar meu banho. Depois, varri aquele coisa nojenta e joguei no lixo.
Fiquei durante uma hora, mais ou menos, em estado de choque deitada na cama e sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem que eu fizesse força.
Não é frescura.
É pânico, mas ninguém me entende.
Foi horrível.
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Guloseimas
O chiclete ficava sem gosto, duro, mas continuava lá...mergulhado na saliva, sendo jogado de um lado pra outro, sendo mascado por todos os dentes (os da frente, inclusive).
Havia adquirido uma técnica tão avançada de manter chicletes sem gosto na boca, que nem se dava conta. O hálito sempre fresquinho dava uma sensação de aparente conforto. Mas toda a situação cansava a mandíbula de uma maneira tal, que chegava a doer a articulação. E doía. Mas o vício permanecia ali. A mania, o comodismo. Desulivre jogar o chiclete fora. E cada vez que fazia isso, era um drama.
E sempre prometia: "tá, agora não quero mais mascar chiclete". Mas a promessa não durava 2 dias. Não conseguia mais viver sem chiclete, era impressionante.
Ninguém mais acreditava que ela fosse deixar de mascar, nem mesmo quando ela jurava, com raiva e gemendo de dor naquela articulação ali, perto da orelha.
Ela mascava sem fazer barulho. Sem estalar a língua. Tinha aprendido a ser tão discreta que poucos desconfiavam que ela tinha um chiclete na boca.
Até que um belo dia, ela descobriu o pirulito em forma de coração.
E gostou tanto, mas tanto, que cuspiu o chiclete fora sem o menor problema.
Só que daí, passou a andar com aquele palitinho plástico branco pra fora da boca. Era menos discreto, verdade. Mas ela gostava tanto do pirulito que não via motivos pra esconder...e até fazia questão de andar com aquele adorno pra fora da boca. Bem faceira.
domingo, 15 de janeiro de 2006
percursos
Tem gente que pensa superficialmente:
"será que eu apaguei a luz do banheiro?"
"onde eu deixei o celular?"
"amanhã eu tenho consulta às 8"
Tem gente que pensa um pouco mais além:
"essa semana vai ser um saco"
"final de semana eu vou pra praia, ainda bem"
"dia 27 tenho uma formatura..."
Tem gente que pensa tanto que demora pra dormir.
Tem gente que dorme antes mesmo de começar a pensar.
E tem gente que não pensa e nem sonha.
Atualmente, eu tenho pensado numa única coisa antes de dormir...acho que é cedo pra pensar na minha viagem, mas é que as coisas estão ficando cada vez mais concretas e eu sou uma pessoa regida pelo elemento AR, do tipo que tem um certo medo de tudo que é concreto.
Não. Não é bem medo. Nem tou querendo desistir, nem nada do tipo.
Só tou pensando em "como será que vai ser?". Daí vem aquele friozinho na barriga e eu penso que já estou estudando alemão, já tenho as passagens e tudo vai dar certo.
Hoje eu recebi um convite (lindo) de formatura. E, sem querer, abro justamente na página onde está escrita a seguinte frase (do Charles Kiefer), em letras garrafais: "LONGE É VIAJAR SOZINHO."
Taí. Resumiu em 3 palavras e 1 letra toda a minha preocupação atual:
não é que Munique seja longe. É que eu vou sozinha...
...suspiro...
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
ele pode tudo
O Elton John é, sem dúvida, uma delas. Figura sempre polêmica, glam e gay, apaixonado e agora casadíssimo, ele é do tipo que tem crédito infinito pra dar qualquer escândalo, tamanha sua contribuição musical para a música pop.
Outro dia tava assistindo um dvd que o meu pai comprou, de um show dele no Madison Square Garden. Inacreditável.O cara tem um piano fenomenal que até os desprovidos de talento musical (eu, por exemplo) têm vontade de arriscar algumas notas. (Num piano tão lindo, até quem não sabe tocar tira um baita som). Além disso, ele tem uma banda descomunal. Os caras tão longe de serem celebridades, o que é muito injusto (ou não).
Eu fico eufórica quando vejo pessoas tocando instrumentos sem olhar pra eles e ainda cantam...sem contar que, por muitas vezes, o Elton ainda fecha os olhos ou olha ternamente para o público! É emocionante.
O dvd tem 32 faixas e todas são excelentes, o que não é surpreendente em se tratando do Sir Elton.
Devo destacar Goodbye Yellow Brick Road (com participação do Billy Joel), Tiny Dancer (sempre), Rocket Man, Can You Feel Tha Love Tonight, um cover espetacular de Come Together e a deliciosa Crocodile Rock.
Eu empresto, se alguém quiser. Mas tudo tem um preço, lógico.
Ouçam e sejam mais felizes.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2006
Coisas que só acontecem com meu pai
Mas só quem conhece MESMO sabe do que ele é capaz.
(Qualquer dia desses eu conto a história do alarme, que aconteceu pouco tempo antes dessa história que eu vou contar agora)
Sábado, umas 2 da tarde, calorão, todo mundo na casa da minha vó (que tem piscina e tal), só faltava meu pai pro churrasco ser servido. Ele chegou, estacionou o carro e eu e minha mãe fomos recebê-lo.
Entramos em casa, e em seguida eu ouço o alarme do carro.
Olhei pela janela e...CADÊ O CARRO???
-Paaaaaai, roubaram o carro!!!! Ahhhhhhhhhh, tão roubando nosso carro!!!!
Saio correndo portão afora, de saia e havaianas, num estilo muito MACHA, correndo loucamente, atrás do carro que andava relativamente devagar.
Minha tia (segundo depoimentos) entrou em casa e ligou pro 190, desesperada.
Minha mãe e mais umas pessoas gritavam pra mim:
-Guria, volta aqui!!!! Vai tomar um tiro!!!
O guarda da rua apitava freneticamente.
Daí, o carro sobe na calçada do lado contrário (ele atravessou a pista) e pára.
Eu chego na maior, de peito aberto, sem sequer pensar que podia ter alguém armado ali dentro.
O pneu tava rasgado, pára-choques quebrado, roda detonada.
Meio manco, chega o meu pai de mansinho ("manco" pq. ele tem um tendão de aquiles rompido numa perna e a outra ele distendeu o músculo do joelho há uns 2 meses):
-Bah! Esqueci de puxar o freio de mão.
Eu olho pra trás, e TODA a vizinhança está mobilizada em achar o MELIANTE que tentou roubar o carro.
A gente troca o pneu meio que disfarçando, até todo mundo voltar às suas casas.
Daí vem o guarda, que a minha mãe não hesitou em chamar de "bocaberta" quando ele gritou que o carro tava andando sozinho:
-Eu disse que o carro andou sozinho! Nunca tinha vistou isso!
Resultado: 1 pneu inutilizado, pára-choques dianteiro trincado, rodas arranhadas e entortadas, nenhuma tentativa de roubo, um guarda que fez o seu papel, uma garota de havaianas TRI corajosa e minha mãe louca de vergonha: o "bocaberta" não era o guarda. Era meu pai.
A parte séria: A polícia não apareceu.
Em breve, mais histórias pra divertir os dias quentes.
domingo, 8 de janeiro de 2006
Ciúme: ON
Nunca dei escândalo.
Mas talvez porque nunca tenha sido preciso. E por causa disso, eu sempre tentei me encaixar num perfil de "não sou ciumenta, imagina". Meu signo também sempre foi totalmente taxativo, com essas histórias de "geminianos são de todo mundo e não são de ninguém", "geminianos não sentem ciúmes", blablabla.
Só que eu agora resolvi assumir: eu sou uma mulher ciumenta.
Daquelas que chora de ciúme. Do tipo que "tem vontade de matar".
O ciúme explica e justifica muitos comportamentos estranhos.
Mas eu sou bem sociável. Continuarei sendo civilizada. E toda vez que eu sentir o "vulcão" surgindo no estômago e sentir o meu corpo sendo tomado pela IRA do ciúme, eu vou contar até dez, respirar, e resolver tudo em casa. Mas aí, é bom se preparar.
Eu sou pequena, mas não sou metade.
Eu tenho ciúme, sim. Mesmo quando não pode.
E cuidado com os comentários porque hoje eu tou azeda.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
Misunderstood
Não que eu MUDE de gosto musical. Mas eu vou adicionando coisas dos mais variados estilos, com uma única condição: tem que ser bom, no mínimo.
Tem coisas que são básicas, como Beatles e Pink Floyd. Led Zeppelin e Jimi Hendrix também.
Eu já tive a fase Nirvana, Alanis Morissette, Red Hot e Pearl Jam, depois a fase tropicalista (quando eu era hippie), Janis Joplin, e a trilha sonora do Hair - o filme.
Mas desde 2003, eu ouço muita coisa que consideram INDIE (eu demorei pra entender esse "rótulo"): Belle&Sebastian, Flaming Lips, Pixies, Weezer, Kinks, Stereolab, Supergrass, Seterophonics, Air, Badly Drawn Boy, Ben Folds, The Dandy Warhols, Ben Kweller, Cake, Placebo e outras coisas do tipo.
Vieram Los Hermanos, Ludov, Moby e nada mudou muito.
Tive a fase Sean Lennon e comecei a sentir uma ponta de preconceito de algumas pessoas.
Voltei a ouvir The Police e conheci mais o Sting.
Ouvi The Cure, Bee Gees, Abba, Creedence, Pet Shop Boys, Madonna, Cindy Lauper, Michael Jackson, The Byrds, Cat Stevens, Minnie Ripperton, Tracy Bonham, Neil Young. (signo de AR, lembram?)
Depois, segui ouvindo Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Astor Piazzolla (que era muito usado nas aulas de expressão corporal, no teatro) e fiquei meio chatona e metida, admito.
(Notem que uma coisa nunca tem muto a ver com a outra).
Por ter visto um show do Bob Dylan (por míseros $10,-), me puxei em ouvir mais coisas dele.
Lou Reed e David Bowie sempre estiveram presentes.
As músicas inocentes, singelas e queridas da Jovem Guarda também.
E, por fim, os sambas de raiz que (pasmem para o momento da confissão): me fazem ferver o sangue. Eu sou brasileira de verdade e adoro samba bem feito.
Eu devo muita coisa pra um monte de gente. Pessoas que foram definitivas na construção do meu gosto musical:
-meu pai, por causa dos beatles e das músicas da jovem guarda, principalmente (e pq. ele me criou cantando "gatinha manhosa") e pelos sambas de raiz.
-o meu primeiro namorado, por mais beatles, todo o pink floyd, led zeppelin, jimi hendrix , coisas do brasil (caetano, gil, chico e coisas tipo raul seixas, secos e molhados e mutantes).
-o Scooby, pelo arsenal indie e o magnífico Ben Folds Five
-o Thiago pela salada musical que ele fez em mim, só de coisas espetaculares, durante todo o tempo que a gente se conhece. Pq. ele é a pessoa que mais me conhece no quesito música, principalmente. Sempre acerta.
-o Guto pelas coisas freak e bizarras (tipo M.I.A.) e coisas trimassa que ele resgatou, tipo The Cure.
-minha ex-chefe e agora colega Ligia Motta, pela Lhasa de Sela, músicas portuguesas, Yo Yo Ma, e Adriana Deffenti.
Só que o maior preconceito musical que eu já sofri até hoje, no meu reduto social, foi quando eu falei que estava ouvindo (e gostando) uma banda chamada Dream Theater. quase fui expulsa do lugar, me negaram cerveja e ficaram me chamando de metaleira durante todo o tempo. Isso é preconceito e dá cadeia!
Gente, as músicas são excelentes! Ouçam, se é que vocês confiam no meu (bom) gosto musical. E vocês CONFIAM, que eu sei.
Eu sei que vão me xingar nos comments, mas eu tinha que compartilhar isso.
Tá certo que a pessoa que me apresentou DT, tentou me fazer gostar de Pain of Salvation, mas não rolou.
-por último: obrigada vinícius, por ter me feito escutar Dream Theater. E por ter provado que eu realmente gosto de tudo que é bom, independente do rótulo.
Se fodam os que me xingarem.
\m/
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
retrospectiva
que atire a primeira pedra quem não faz nem que seja uma mini retrospectiva do ano que passou.
eu faço sempre.
normalmente no último dia do ano. Dessa vez, eu tava na praia.
Fiz minha retrospectiva sentada na areia, brincando com uma conchinha e olhando o mar. Eu sou apaixonada pelo mar. Mas apaixonada assim, como se ele fosse meu pai. é uma paixão misturada com respeito e profunda admiração. é amor de filha.
meu ano de 2005 foi definitivo. pra muitas coisas.
o começo foi espetacular, abandonei um monte de sentimentos inúteis que a gente vai guardando sem saber bem o motivo. já de cara, me senti leve.
conheci gente especial, dividi sorrisos, caretas e finais de tarde.
depois, algumas turbulências, confusões, bagunças, furacões. interna e externamente.
um monte de gente misturada, como num reality show que nunca daria certo. deixou cicatrizes profundas.
veio formatura. e a consolidação de quase 5 anos de coisas novas e apaixonantes. quem participou desse meu dia, aposto que viu as estrelinhas nos meus olhos. dia mais feliz da minha vida. e a ficha caiu algumas semanas depois.
vieram as propostas de trabalho. e eu comecei a me enxergar num molde diferente: a menina das caretas, agora numa atmosfera de gente grande. cobranças e (muito) medo.
os últimos meses do ano me fizeram crescer absurdamente. e dentro dos meus 163 cm, explodiu a guerra entre os seres femininos que me habitam. resultado: uma pessoa ainda meio desconhecida, mas louca pra se descobrir (e ser descoberta). surgiu a possibilidade da viagem e a oportunidade única de realizar um sonho. mesmo que dure pouco.
ganhei uma afilhada linda, experimentei um sentimento nobre de uma "mãe de mentira" e assumi, emocionada a responsabilidade pela menina dos olhos esverdeados.
todo o meu ano de 2005 foi magnífico. eu adotei -definitivamente- a filosofia da verdade, da transparência, do amor e do bem (incondicionais). E a vida ficou muito mais leve.
durante todo o tempo, selecionei meio sem querer as pessoas especiais que quis manter por perto. resgatei amizades, descobri outras novas. e tudo ficou mais fácil.
ganhei o surpreendente título de "mais divertida da família", mesmo acordando mal humorada quase sempre.
mas a última semana do meu ano merece um destaque mais que especial.
foi divertida, leve, deliciosa.
assim, a passagem do ano foi mais que tranquila, internamente.
externamente, eu dei o vexame do ano, e apaguei no final da festa.
feio, muito feio pra uma menina cheia de superstições que nem eu. não pulei as 7 ondas nem fiz ritual nenhum.
bom, pode ser que dê sorte.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
domingo, 25 de dezembro de 2005
Mutig
Tem gente querendo me fazer desistir da idéia de ir viajar SÓ porque eu NÃO SEI falar alemão.
Pra essas pessoas, venho com boas notícias:
minha ERMÃ querida, me tirou de amigo secreto e me deu um incrível dicionário de alemão, com gramática, cores, parte do corpo e mais outras coisas tri úteis.
Agora vai! Vocês vão ver!
Tem até dicas de pronúncia!
(Sabiam que aquele "B" meio style tem som de "ss"?)
Então, fiquem tranquilos! Eu vou me dar bem!
ele
E a gente vê ele chegando
Tocando o sino
De barba branca e de saco cheio. de presentes.
E dá um frio na barriga
(A roupa dele cheira a naftalina)
Papai Noel não cansa nunca?
Caminha devagar
Fala devagar
Abraça devagar
O meu coração ainda fica acelerado, devo admitir.
Os meus olhos se enchem de lágrimas
A pequena Luísa segura minha mão com força
Ansiosa pela Barbie Fada (esse ano é pela Barbie Fada)
Mal sabe a pequena que sou eu quem seguro a mão dela
E seguro as lágrimas também
Querido Papai Noel: não quero a Barbie Fada. Nem nenhum outro brinquedo.
Eu me comporto o ano inteiro
pra ver o sorriso da Pequena
pra ver os olhinhos dela brilhando
pra ver o senhor chegando
e levando os meus problemas por um segundo
pra que eu possa novamente ter o direito de me sentir pequena como a Luísa.
~ Não sei da noite de vocês, mas a minha, tenho certeza absoluta, é sempre muito, muito feliz. Porque eu tive a sorte de nascer na melhor família do mundo.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
-ah, claro, pode preencher essa ficha, por favor.
-(lê os meus dados) ah, vais fazer alguma especialização por lá?
-é, na verdade serão estágios.
-legal. qual cidade?
-munique.
-ah, vais gostar de lá!
-espero.
-e quando tu vai?
-em abril.
-ah, então já tens alguma noção da língua...
-hm. não.
-(olhos arregalados) tu sabe que o intensivo é o nível mais básico né?
-sei.
-(quase desesperada) tu sabe que não vai dar tempo de tu fazer o módulo dois?
-aham.
-(quase me sacudindo pelos ombros) tu vai viajar sabendo o BÁSICO de alemão, sabia?! Alfabeto, dias da semana, números, "oi", "tchau", "bom dia"...só isso...
-sim.
-(senta na cadeira e respira) bom, nós temos professores particulares também...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Pessoas
E a gente não sabe se dá prioridade praquela senhora de 78 anos que viajou desde às 4 da manhã, ou praquela mãe com o bebê recém saído da UTI, que carrega (de ônibus) um balão de oxigênio que garante a vida do filho.
Eu não sei se gosto mais dos olhos ansiosos que me seguem quando eu chego, ainda com sono, ou se gosto do sorriso tímido que sempre brota no canto da boca, no final da sessão, soando como um alívio.
Não sei se gosto mais quando essas pessoas me emocionam todos os dias com suas histórias heróicas, por vezes inacreditáveis, ou quando dizem, com o maior amor do mundo, que dariam a própria vida pra tirar “aquele tubo da garganta do filho”.
Eu só não gosto quando eu sou obrigada a usar jaleco branco, jaleco esse que acaba funcionando como uma grande muralha no início, distanciando a gente dessas pessoas incríveis. Não gosto quando me chamam de “doutora”. Não gosto quando eles perguntam “quanto é cada sessão?”, não gosto quando eu não posso atender de graça.
Não gosto das expressões “lista de espera”, “não dá”, “não pode”, “não tem leito” e “o SUS não paga isso ou aquilo”, “a agenda tá lotada” e nem “não dá pra fazer”.
Eu gosto do sorriso dos pais quando, depois de meses, conseguimos dar uma colherada qualquer de comida pra criança por onde ela sempre deveria ter entrado: pela boca e não pelo tubo que vai do nariz até o estômago.
Eu gosto do abraço trêmulo dos velhinhos e gosto quando me chamam de “minha filha” e me apertam as mãos como se me abençoassem, me fazendo encher os olhos de lágrimas.
Eu gosto de achar furos nas agendas e atender até mais tarde “só hoje, pra ver se ele melhora mais um pouco”.
Eu gosto tanto, mas tanto do que eu faço que, não fossem as minhas próprias contas, faria tudo de graça. E gosto tanto, mas tanto dessas pessoas que admiro cada uma delas com a maior verdade do mundo.
Eu não tenho muita experiência.
Muitas vezes, eu não sei o que responder pros pacientes, nem pra equipe médica, nem pra família.
Mas eu tenho tanto amor pela minha profissão e acredito tanto nela, que eu saio de lá leve, e com a plena certeza de que eu fiz tudo o que eu podia pra melhorar a vida daquelas pessoas pelo menos por mais um dia. Incríveis pessoas.
Mirandolina
Mirandola - de Carlos Goldoni
Personagem: Mirandolina
Ato I - Quadro I
Paixão por esse texto desde a primeira vez que botei os olhos nele.
Sei decor. Até interpreto se alguém quiser, insistir e fizer muita questão.
E de brinde, faço o cover da Nelly Furtado cantando "I'm like a bird".
...porque eu ando demasiadamente desprendida de tudo e de todos.
domingo, 11 de dezembro de 2005
Wünsch du mir Glück
Eu já havia dito -e provei- que esse blog não é pouca coisa.
Desde que o Outrasmentiras nasceu, tivemos correspondente nos últimos grandes eventos musicais interessantes: Claro que é Rock e o show do Pearl Jam. (Aguardem resenha do show dos Stones em Buenos Aires, em fevereiro).
Então, nada mais normal do que termos correspondente na Alemanha, durante a Copa do Mundo.
Fiquem atentos e comecem a pensar na lista de encomendas. Prometo me esforçar para trazer os pedidos de vocês na mala, além do Hexacampeonato, lógico. Já adianto que não vou trazer nenhuma alemã peituda.
Mas se eu conseguir fazer uma grana extra vendendo latinhas de cerveja, refri e água na porta do estádio, ou sambando em cima do balcão dos pubs de Munique, prometo que trago umas lembrancinhas pra quem provar que ficou com saudades.
Ah, cruzem os dedos pra eu conseguir ficar lá até a Oktoberfest.
domingo, 4 de dezembro de 2005
Flores Partidas

Só o fato de ter o nome do Bill Murray nos créditos já é suficiente pra garantir um excelente filme.
Mais uma vez, o injustiçado Murray dá um show de interpretação na pele do solteirão mulherengo Don Johnston que, já no começo do filme, se depara com uma delicada situação minutos depois de ser deixado pela namorada- recebe uma carta anônima e cor-de-rosa que revela: Don tem um filho.
A partir daí, incentivado pelo vizinho Winston (Jeffrey Wright, igualmente impecável), um etíope fascinado por detetives e viciado em investigar casos policiais, Don vai atrás de cinco namoradas que teve há 20 anos para tentar obter alguma pista sobre o suposto filho.
Flores Partidas (Broken Flowers) possui uma riqueza inumerável de detalhes que fazem toda a diferença: desde a imagem do retrovisor, presente em todas as viagens de Don, até a trilha sonora (Mulatu Astatke, um jazzista etíope misturado com Marvin Gaye e rock alternativo), passando pelo semblante inconfundível de Murray como o "homem de emoções represadas, mas indisposto a romper o dique para deixá-las sair" e participações grandiosas de Sharon Stone e Jessica Lange.
O final surpreende mais pela precisão do que por qualquer outra coisa. O diretor e roteirista Jim Jarmusch consegue finalizar a obra no momento exato, deixando o público com um confortável ponto de interrogação na cabeça.
Uma comédia dolorida ou um drama cômico. Qualquer um dos rótulos cabe, na tentativa de definir a incômoda dor de Don Johnston que, mesmo implícita, pula aos olhos dos espectadores mais sensíveis: em toda sua vida de Don Juan (título que Don abomina durante o filme), nunca conseguiu saber, afinal, de qual das mulheres ele gostou de verdade. Se é que gostou. A frase da namorada, no início do filme, resume a situação: "Don, você me trata como sua amante mas nem sequer é casado."
Da mesma linha de Encontros e Desencontros, Flores Partidas surge glorioso como um road movie onde o protagonista, ao invés de buscar experiências novas, vai reencontrar o passado.
sábado, 3 de dezembro de 2005
-Sabe por que eu resolvi voltar atrás dessa vez?
-não...
-É que eu tou indo embora.
-como assim embora?
-eu vou viajar.
-pra onde?
-pra europa.
-quando?
-mês que vem.
-e volta quando?
-não sei se eu volto.
silêncio...
-daí eu pensei que a gente teria que se despedir e...
-eu não quero me despedir!
-nem sempre a gente faz só aquilo que quer. mas olha...eu preciso te dizer uma coisa...é que tem uma frase que eu só falei pra um cara até hoje...e que eu tenho certeza de que eu posso tranquilamente repetir pra ti...
e cochichou-lhe um eu te amo ao pé do ouvido que fez ele se arrepiar e encher os olhos de lágrima.
-eu sei que tu sempre soube disso. mas entre saber e ouvir, tem diferença. e como talvez a gente nunca mais se veja, eu pensei que...
-como assim, nunca mais vamos nos ver?!
-ué, eu não sei por quanto tempo eu vou ficar longe e não sei como vão estar nossas vidas quando eu voltar - SE eu voltar... e mesmo que a gente continue se falando, não é a mesma coisa....a gente vai acabar se distanciando até esquecermos um do outro. isso é natural.
silêncio...
ele envolvia-na com os dois braços ao redor da cintura, como se não fosse nunca mais deixar ela ir embora.
-eu quero que tu lembre dessa frase que eu te disse, tá? eu não costumo dizer isso pra qualquer um.
-eu sei.
Silêncio...
-quando tu terminar de ler o livro que eu te recomendei, tu vai entender por que eu vou dizer isso:
e voltou a aproximar a boca da orelha dele, como se falasse um segredo:
-eu te amei com todo o peso e com toda a leveza do mundo.
-por que tu falou o verbo no passado, agora?
-porque eu não tenho mais tempo de praticar ele.
-tem um mês ainda.
-um mês é pouco...eu pratiquei ele sozinha durante quase um ano...e tem uma coisa... na verdade eu viajo amanhã...tu sabe que eu sempre procuro encurtar as despedidas...
-eu vou sentir saudades...
-promete que vai te cuidar?
-aham.
-tu sabe que amor não morre nem acaba, né?
-não?
-não. ele se transforma em outros sentimentos. que nem células-tronco.
-hmm..então pode se transformar em raiva também? em desprezo?
-pode.
silêncio...
-mas não é o caso. eu vou torcer por ti e desejar as melhores coisas, sempre.
-tá.
-agora me deixa ir.
-espera....
-o quê?
-toma o último gole do vinho pra não ir fora.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
In: sensível
Me dei conta de que eu não tenho nenhum talento pra criar textos e poemas que emocionam e fazem pensar. Mas em contrapartida, tenho talento pra apreciar essas coisas e me emociono com uma facilidade absurda. Consigo apreciar a letra separada da música, coisa que muita gente me recrimina. Às vezes, nem sei do que se trata a letra, mas me arrepio só com a música. Noutras, leio a letra antes de ouvir as notas e já basta pra me encher os olhos de lágrimas.
O rodrigoluiz, dono do blog aí do lado, consegue me atingir em cheio sempre. Não é rasgação de seda, ele sabe que é verdade.
Pink Floyd com Learning to Fly também.
Beatles nem se fala.
Faming Lips com Do you realize?, Fight Test e When You Smile também.
Alphonsus Gimaraens com o poema Ismália.
Ben Folds com quase todas.
Yann Tiersen com a trilha do filme da Amélie...
esses são os principais.
Sendo assim, deixo aqui mais um desses poemas que me arrepiam inteira, porque hoje eu tou tri sensível:
Antonio Augusto Ferreira
Você não abra mais o seu sorriso
Porque eu posso pensar que foi pra mim.
Da outra vez me veio sem aviso
E então meu coração ficou assim
Foi um girar de céu e me bateu na alma,
Me envenenou o sangue, me atingiu em cheio,
E eu fiquei perdido e me sumiu a calma,
Me tremeu a base e me rachou no meio
Este andar de bobo, esta barriga fria,
Esta judiaria de esperar querendo...
E o engolir palavras, me fazer de mudo,
E o sonhar com tudo,mesmo nada tendo
Foi você chegar e me parei aceso,
Foi você sorrir e me cristalizou,
Me frouxou as pernas, me secou a boca,
Me molhou a roupa e me petrificou
E foi você partir, e meu melhor pedaço
Se quebrou em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente irresponsavelmente,
Que eu preciso tempo pra me remendar.
Mas é Claro

Sexta passada me mandei para São Paulo para conferir de perto as atrações do Claro Que É Rock, promovido pela famosa empresa de telefonia celular.
Já no sábado, chegamos ao local por volta das 19:30, estrategicamente a tempo de perder a apresentação da banda Good Charlotte - banda essa que possui um visual mezzo Charlie Brown Jr. mezzo Sérgio Malandro -, porém, ainda deu tempo de ouvir um "good night Rio" antes da saída da banda do palco.
A próxima atração no palco oposto foi a Nação Zumbi. Sempre admirei essa galera de Recife, tão elogiada no mundo todo e semi-ignorada em seu país. A mistura de modernidade, regionalismo, rock and roll e boas letras, credencia a banda como a melhor do Brasil (sem dúvidas) e uma das mais vanguardistas no cenário-rock mundial. Seu show? Excelente, como os outros 5 ou 6 que eu já havia visto deles.
A cada música finalizada, os minutos que antecediam o show tão aguardado por mim diminuiam (sim, eu sou um tiete). Mas como o palco que seria usado pelos Flaming Lips era o mesmo da Nação Zumbi, ainda teríamos um show antes de Wayne Coine e cia se apresentarem. E esse show seria a performance da banda estepe Fantômas, que acabou substituindo de última hora a Suicidal Tendencies. O som do Fantômas, poderia ser definido como diarréia musical ou rock churriu. Mike Patton despejava esquisitíces sem nenhuma idéia boa aparente, apenas tentava ser o mais estranho e esquisito possível. Um dos passatempos que criei enquanto ouvia o show, de costas para o palco era o de descobrir alguma nota musical no meio das músicas.
Enquanto isso, eu, na beira do palco oposto, grito para o líder dos Flaming Lips "uueeeiiniiii", e não é que ele ouve e me abana? Melei as cuecas.
"Quero que vocês contem para todos que não vieram que eu desci de uma nave espacial, dentro de uma bolha, direto nos braços do público". Assim começou o espetáculo em forma de show musical dos Flaming Lips. Wayne cumpriu a promessa e desceu dentro de uma bolha, enquanto a banda tocava Race for the Prize. Paralelo, um telão emitia cores e frases extremamente coloridas e fãs pescados antes do show dançavam em cima do palco vestidos de bichos de pelúcia-gigante. Simplesmente antológico.

Ainda surgiriam ETs, sóis e papais noéis, além da participação de um fantoche cantando Yoshimi, do uso de um teclado de criança para emitir sons de animais, da bazuca de serpentinas coloridas usadas por Coine e das covers de Bohemian Rapsody (que fez o público inteiro se emocionar e dos petardos próprios, os Flaming Lips ainda fariam mais uma cover tocando War Pigs do B. Sabbath, em forma de protesto contr a guedda do Iraque.
O que se seguiu ao show, eu não poderei falar muito, pois fiquei atordoado por um bom tempo. Mas destacaria a saúde do Iggy Pop, que colocou abaixo os espectadores no auge dos seus 58 anos (carinha de 70 e corpinho de 25) com sua calça começando no meio da bunda.
Ainda teríamos a apresentação quase sonsa do Sonic Youth e o vigoroso e testosterônico show do Nine Inch Nails. Mas já era tarde demais, Trent Raznor reclamava demais e tinha angústias adolescentes demais para um senhor que beira os 40.
A alegria venceu a tristeza, mais uma vez.
terça-feira, 29 de novembro de 2005
O show
Sei que tem um monte de gente em êxtase ainda então, tá aberto o blog pra quem quiser escrever a resenha. É só me mandar por e-mail que eu posto aqui COM OS DEVIDOS CRÉDITOS, porque eu não sou nenhuma pilantra.
A única coisa que eu consigo dizer é:
"TOCA O BOLO, EDDIE VEDDER!!!!!"
domingo, 27 de novembro de 2005
orgulho
Não. Com o Grêmio tudo sempre foi dramático, arrastado, sofrido, emocionante ao extremo. Desde partidas do Gauchão até as da Libertadores.
Mas ontem, foi a superação. Um jogo histórico...sobrenatural eu diria.
Mais uma vez, o meu time levou todos os torcedores aos limites dos controles emocional, cardíaco e vocal.
Sorte? Merecimento? Raça? Não tem o que explique. Não se atrevam a querer justificar os acontecimentos.
O tricolor pôs em prova todas as teorias que rondam o futebol e mostrou que sim, tudo é possível até que o juiz apite o final da partida. Aconteça o que acontecer.
Em segundos, tudo se inverteu. E ficou chato até pros comentaristas, que EU OUVI, falaram que terminaríamos o campeonato da série B de maneira melancólica e chamaram o Grêmio de "várzea" depois de toda a confusão que no fim, se tornou pequena diante da vitória heróica.

Esse post não é pra falar sobre a atuação dos jogadores. Nem sobre a confusão e as baixarias. Nem sobre o juiz. Nem se as expulsões foram ou não merecidas, nem NADA desse tipo.
Eu escrevi aqui, só pra reforçar o meu mais profundo orgulho desse time que não se entrega nunca, esteja onde, como e COM QUANTOS estiver.
Salve Tricolor!
sexta-feira, 25 de novembro de 2005
OutrasMentiras no CLARO QUE É ROCK

Pra quem achou que este era um blog amador, bagaceiro e chinelão, quebrem a cara:
O outrasmentiras terá um correspondente exclusivo no CLARO QUE É ROCK em São Paulo nesse final de semana.
Isso mesmo! Nosso querido Tialerson embarca hoje à noite para sua INDIEada na terra da garoa.
Em breve, teremos resenhas detalhadas sobre os shows, em especial, sobre o show do Flaming Lips!
Do you realize?
PROCURA-SE NA FÁBRICA
A banda Procura-se quem fez isso fará show nesse sábado, dia 26, na Metalúrgica Scavone (Plínio Brasil Milano, 1689).
Ingressos a 5 pilas e cerveja a 2.
A partir das 22:30 já dá pra ir chegando.
Apareçam!
É pra beber, cantar e se divertir. Eu garanto.
quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Doação de Sangue! (clica aqui)
Geralzão:
Requisitos básicos:
- Ter entre 18 e 65 anos
- Ter mais de 50 kg
- Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24h
Local:
Banco de Sangue do Hospital São Lucas da PUC
2º andar
Telefone de lá: 3320.3455
Valeu.
segunda-feira, 21 de novembro de 2005
Sobre os ingressos...

Eu e o Tialerson já garantimos os nossos....
E tu?
* Ei! Acho até que a gente poderia se organizar e fazer uma concentração cervejística antes do show, hein, hein?! O que vocês acham?!
Daí só depois seremos separados pelos BRETES do Gigantinho: Povão aqui>, Burguesia ali>. Farei parte do primeiro grupo, lógico. Sigam-me os bons!
sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Me diz o que tu vê aqui
quarta-feira, 16 de novembro de 2005
É FATO.
Eu, hein.
(não sei que título colocar)
Segue a conversa:
Magnólia: tu abandonou o blog?
Tialerson: tu não te ligou no meu papel no blog?
Magnólia: deveria ter me ligado? As pessoas acham que eu e o Tialerson somos a mesma pessoa.
Tialerson: foi só pra tu perder o medo de assumir um blog sozinha.
Magnólia: TU NÃO É LOUCO! eu não sei fazer um blog sozinha!
Tialerson: hehehe...tu mesmo se desmentiu com os teus posts...
Quando eu conheci o alter-ego do Tialerson, eu descobri que ainda existem pessoas que valem a pena nesse mundo. Um guri querido, inteligente, me ensinou a lidar com o meu computador de maneira civilizada, tem o melhor gosto musical do mundo, fala sobre QUALQUER assunto, conhece todas as bandas que eu gosto e sempre me apresenta outras que eu não conheço (e eu sempre gosto). Pra ele, eu posso despejar qualquer coisa que se passa na minha cabeça (e não é pouca coisa) que eu sei que ele vai entender e vai entrar no jogo sem me recriminar ou fazer perguntas idiotas.
Nos primórdios ele gostava de me irritar. Ainda hoje ele faz isso, mas agora é de um jeito tão leve, que eu não tenho coragem nem de xingar mais.
Agora, me vem com essa de que só entrou no blog pra me fazer perder o medo de escrever sozinha. Eu tinha medo, realmente...agora passou.
Só eu gostaria muito que o Tialerson escrevesse DE VERDADE aqui também, e não ficasse me engambelando. Porque ele tem histórias ótimas. E quando não tem, ele inventa. Que nem eu.
Eu adoro esse guri pq. ele me faz rir até quando eu tou PUTA DA CARA.
Bom, fica aqui o meu apelo.
Posta, Tialerson!
terça-feira, 15 de novembro de 2005
Boa dica:
Kenny G nunca foi uma boa opção, eu sempre falei.
Seal já enjoou.
Sean Lennon não é todo mundo que gosta, daí pode rolar uma má impressão, ainda mais no primeiro encontro.
Air é sempre uma boa opção, pra quem conhece, claro.
Tá, Pink Floyd (assim como Led Zeppelin) é coringa, até quem não conhece gosta. Não tem erro...nunca enjoa mesmo. Pode continuar ouvindo na hora do vamuvê.
Pode continuar ouvindo também Barry white, Marvin Gaye e Isaak Hayes. Mas dá pra variar um pouco, olha só:

Eu tenho aqui uma dica infalível praqueles momentos mais íntimos: caros leitores, gravem STING.
Sim, o cara que teve aquela banda afudê acumula um arsenal infalível de músicas deliciosas pra serem ouvidas na horizontal - e variantes (com uma bela companhia, lógico).
Comecem com a versão de Little Wing, daí dá até pra puxar aquele papinho de quem é entendido de música (sempre agrada): "ó, essa música é do Jimi Hendrix, mas ouve essa versão que é tri boa..."
Sacaram a maldade?
Depois, sigam com I burn for you, Fragile, Be still my beating heart, Tea in the Sahara, They dance alone e Consider me gone, entre outras pérolas.
Pra hora da virada pro lado + cigarro, recomendo Bring on the night. Aposto que vai rolar até "air drums". Essa é mais animadinha, pra ninguém pegar no sono. Afinal, sempre tem um segundo tempo.
E não me venham com aquele cd da CARAS com "as melhores músicas românticas - volume I" que tem Every breathe you take. Esse melô do Big Brother tá mais que manjado e se o teu parceiro tiver mais de 2 neurônios, vai sacar o clichê. E tu não vai agradar.
Vai por mim.
Depois comenta se a minha dica deu certo.
domingo, 13 de novembro de 2005
Tell me what you see
That touched my heart
It's not the way you kiss
That tears me apart
Many many, many nights go by
I sit alone at home and I cry over you
What can I do?
Can't help myself
Cause baby it's you
Baby it's you
You should hear what they say about you:
"Cheat! Cheat!"
"Cheat! Cheat!"
It doesn't matter what they say
I know I'm gonna love you any old way
What can I do? Then it's true
Don't want nobody, nobody
Cause baby it's you
Baby it's you
It doesn't matter what they say
I know I'm gonna love you any old way
What can I do? And it's true
Don't want nobody, nobody
Cause baby it's you
Baby it's you
Don't leave me all alone,
Come home
sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Dále! (CENSURADO)
Agora: ele que venha tocar flauta no MEU time. Aí vai rolar a performance do Body Combat.
quinta-feira, 10 de novembro de 2005
NÃO MEXE COMIGO.
Já pensei em fazer judô, boxe, karatê e tudo mais.
Mas eu nasci menininha, primeira filha e primeira neta pelo lado da minha mãe.
Daí, ÓBVIO que nunca me colocariam em qualquer um desses negócios PRA MENINO.
Fiz ballet, ginástica olímpica e natação.
Só que eu cresci (não muito) e, agora que já garanti minha feminilidade e delicadeza, pude ENFIM aprender alguns movimentos de socos, chutes, ganchos, cruzada de direita e esquerda, cotovelaços no queixo e até aquele chutão tipo voadora. Sim, eu faço Body Combat! E é a melhor coisa que existe numa academia. É o que realmente me faz ter energia pra (depois de 8 horas de atendimento frenético num hospital) ficar pulando e chutando criaturas imaginárias durante 1 hora e 15 minutos SEM PARAR.
Eu realmente me sinto a quarta integrante d'As Panteras.
A partir de agora, não recomendo mais que discutam comigo. Só pra avisar.
(A foto é pra dar mais medo)
quarta-feira, 9 de novembro de 2005
O cérebro eletrônico
Queria poder travar e desligar sem ter que dar satisfações. E, depois, quando fosse reiniciada, eu seria dotada de um scandisc que corrigisse todos os erros da sessão anterior que encerrou incorretamente e o melhor: apagasse os erros da memória.
Podia ainda, ter um navegador com um botão "atualizar". (Eu me sinto muito old fashioned em alguns momentos).
O botão "parar" seria outra coisa muito útil. Desistiu? Viu que a faculdade que tu escolheu não era bem isso? Entrou no lugar errado? Caiu de pára-quedas naquela relação doentia? Quer acabar com tudo antes que começe? Clica em "parar" e tudo certo.
Nem vou entrar no mérito dos botões "voltar" e "avançar" porque seria petulância e irresponsabilidade demais poder controlar o tempo.
O histórico atuaria como um: "olha só, tu já entrou nessa e não gostou" ou "te lembra que tu já viu isso e foi legal?". Seria ótimo pros momentos de "esquecimento".
A seção "Favoritos" é como o coração. A gente vai adicionando tudo o que gosta. E fica tudo ali: no lugarzinho VIP. Mas se a gente funcionasse como a máquina, seria bem mais simples excluir alguém de lá. E melhor: sem nenhum ressentimento.
Mas eu faria questão de um bloqueador de popups. Popups são aquelas pessoas chatas que saltam na tua frente quando a gente menos espera. Normalmente ninguém dá a mínima bola pros popups e foge deles o mais rápido possível. Pra evitar constrangimentos: repelente contra chatos.
Eu sei que eu sou exigente, mas só mais uma coisinha: um atalho pro google. Daí nunca mais alguém ficaria boiando nos assuntos.
Mas tem dois botões que seriam os mais importantes: "ir" e "home".
Porque o ser humano só é realmente completo quando tem raízes e asas.
segunda-feira, 7 de novembro de 2005
Sonhos bizarros - Parte I: Futebolísticos

Eu já sonhei que:
1. eu era goleira do Santos e sofria pra fazer as defesas por causa da minha miopia. Dilema: jogar de óculos não dava (as lentes embaçavam com o suor) e sem óculos eu não enxergava a bola. Foi um jogo tenso.
2. o Platini (foto) recuperou o meu celular roubado e veio de avião, de Belo Horizonte, me entregar pessoalmente o telefone na minha casa.
3. eu jogava no Vasco. Durante a partida, fiz meu 10º gol no campeonato e o 111º na carreira. Apareceu escrito no placar.
domingo, 6 de novembro de 2005
No verão é...
PROIBIDO:
1.Calça Jeans
2.tênis e meia
3.cabelo solto roçando no pescoço
4.leite em temperatura ambiente
5.perfumes doces
6.relógios, anéis e pulseiras
7.um banho só por dia
8.feijão
9.coisas feitas no forno
10.batom escuro
11.cinto
12.gravata
13.camisa manga longa
14.jaquetinha da adidas
15.fritura
16.café
17.ônibus lotado
18.porto alegre
19.moletom amarrado na cintura
20.ficar na frente da churrasqueira assando o churrasco
21.sauna
22.carro estacionado no sol
PERMITIDO:
1.saias, bermudas e vestidos
2.havaianas, sandálias, tamanquinhos e semelhantes
3.piranha (de prender o cabelo), borrachinha de cabelo e passadores
4.leite gelado
5.perfumes cítricos ou uma colônia pós banho
6.escassez de acessórios
7.muitos banhos (de chuveiro, de mangueira, de banheira, de piscina, de chuva, de mar...)
8.salada, gelatina, iogurte (gelado), sanduíche, e frutos do mar
9.sorvete e picolé
10.batom clarinho ou NADA
11.camiseta
12.biquíni e calção de banho
13.grelhados
14.carro com ar condicionado
15.muita água
16.aguar a grama
17.cortar caminho por dentro do shopping só pra pegar o arzinho gelado
18.chopp
19.melancia, chuchu (sim, eu gosto) e outras frutas, verduras e legumes
20.caminhar na beira da praia com os pés na água
21.jogo de taco no final da tarde
22.banho de mar e piscina de noite
Quando eu assinava Capricho sempre tinha umas listas assim. Eram TRI úteis.
Fica aqui minha singela homenagem à revista que me ajudou (durante 5 anos) a entender (?!) os guris, tirou todas as minhas dúvidas (desde como fazer intercâmbio na Austrália e biscoitinhos de natal, até pra que serve o DIU e como limpar o aparelho dos dentes), explicou que existe hímem complacente e que por isso a primeira vez nem sempre sangra e que, DEFINITIVAMENTE, bota de cano curto não combina com mini-saia, dentre muitas outras coisas que merecem um post individual.
Por enquanto: Obrigada, Capricho!
sábado, 5 de novembro de 2005
Em terra de cego, quem tem olho ajuda o narrador.

Do que o ser humano é capaz quando não está sendo observado?
O que são as pessoas quando comandadas apenas pelos instintos?
Do que somos capazes para garantir nossa sobrevivência?
(Não, isso não é o anúncio da nova edição de "survivors" ou "no limite", mas poderia ser)
José Saramago vai muito além da discussão clichê "no fundo somos todos cegos ainda que enxerguemos".
Ensaio sobre a cegueira, relata o caos de um lugar onde toda a população fica cega num piscar de olhos (literalmente) e, um a um, mergulham em uma cegueira branca, contrariando a associação comum dessa deficiência com a escuridão. O desepero aumenta quando os cegos são arrebanhados e levados a um manicômio desativado. Amontoados lá dentro, a única lei que rege é a da sobrevivência.
Diálogos separados apenas por vírgulas, exigem o mínimo de concentração durante a leitura.
Além disso, não existe nenhuma pista histórica que situe o romance, fazendo dele um retrato contundente da condição humana justamente pela ausência de marcadores de tempo, espaço e identidade. Personagens sem nomes, são identificadas por características físicas, profissão ou parentesco. "Todas elas, temem muito mais a revelação do que realmente são do que a sensação de impotência causada pela cegueira".
Leitura maciça, capaz de prender até os leitores mais aéreos e dispersivos (eu) da primeira à última página.
Acima de tudo, uma grande metáfora levada até as últimas conseqüências que faz pensar sobre moral e ética.
sexta-feira, 4 de novembro de 2005
Diarinho News

Dois putos caem com 1kg de droga na barriga
Os caras se empapuçaram com o pó do diabo em pleno dia dos mortos. Só podia dar merda
Na tarde de quarta-feira, Anderson David Áries Sena, 19, e Manoel Edvaldo Ortiz Gil, 24, foram grampeados pelos meganhas peixeiros, na divisa de Itajaí com Balneário Camboriú. Os dois safados acharam que por ser feriado, os policiais estariam dormindo, mas tavam errados e se phoderam. Eles estavam em um busão que foi interceptado às margens da BR-101.
Alguém que não vai muito com a cara do Sena e do Gil cagüetou os dois pra PM. E fez um bem à sociedade. É que numa revista normal os caras sairiam de boa, já que os fiadasputa comeram um monte de cápsulas de cocaína, que ficaram escondidinhas no bucho. Mas como os PMs tavam a par de tudo, não teve choro nem vela. Os aviõezinhos do tráfico foram encaminhados pro hospital Marieta Borráuse, pra ser realizada uma radiografia, que constatou que eles tinham comido a porcariada mesmo.
De acordo com os barnabés do Marieta, Sena engoliu 77 cápsulas de cocaína, e Gil se empapuçou com 93. A droga, misturada com bicarbonato de sódio, tá dividida em cápsulas de cinco e oito gramas. Parece pouco, mas se somar tudo, tem praticamente 1kg do pozinho do diabo na pança dos jaguaras.
Os putos estavam no hospital, onde foram submetidos a lavagens até cagar as cápsulas pra fora, igual cabrito. O Sena já botou pra fora as 77, enquanto o Gil mandou 92 e ficou faltando uma baguinha. Os safados iriam ainda ontem fazer um tur e conhecer a delegacia de polícia Federal de Itajaí. Eles vinham de Ponta Porã (divisa com o Paraguai), no Mato Grosso do Sul, e receberiam 800 pila pelo transporte. Vai fazer pilantragem no dia dos mortos dá nisso. É dia de respeito, pô!
quinta-feira, 3 de novembro de 2005
Tialerson por ele mesmo - parte 1
* Aprendeu que é coisa de pessoa inteligente falar em terceira pessoa.
Início e fim
Coisas, quaisquer que sejam: trabalhos, cartas, arrumações extraordinárias no meu quarto, livros, relacionamentos, conversas, academia, projetos científicos...
No início é tudo muito legal e, como eu sempre tive uma mente que meio que se atropela sozinha, pela minha intensa capacidade de imaginação e criatividade (o que nem sempre é bom), começar sempre foi muito tranquilo. Até porque, os meus inícios normalmente são fruto de um surto intempestivo ou um momento de impulsividade.
O problema tá é no fim.
Sim, porque se eu começo 10 coisas ao mesmo tempo (e eu começo mesmo), se eu acabar uma delas é lucro. Eu simplesmente não consigo pôr fim nos meus começos. E isso é terrível.
Eu durmo e acordo pensando nas coisas pendentes. E daí, tudo chega num limite (e o limite pode esperar durante meses) e eu acabo tendo que tomar medidas drásticas.
Por exemplo: meu roupeiro tá um caos há muito tempo. E há muito tempo eu venho dizendo que tenho que arrumar. Bom, ontem foi o limite: abri a porta, enfiei a mão na lateral das prateleiras até chegar ao fundo e derramei todas as roupas no chão. Mas, como era feriado, eu deixei tudo assim no chão mesmo e saí.
Aproveitei o dia.
Quando cheguei, mais à noite, já na porta do quarto vi a cena deprimente: putz. agora serei obrigada a arrumar. Afinal, eu preciso ENTRAR no quarto.
E, enfim, arrumei. Solução: eu mesma me castigo. Porque, eu sou o meu carrasco e meu escravo, meu patrão e minha empregada, o cavaleiro e o cavalo...eu venho sempre de dupla. Mais que isso: eu sou umas quantas.
Tudo piora quando as pessoas começam a te cobrar um fim. E isso acontece, lógico. Nenhum chefe pede um relatório pra daqui 4 meses, por exemplo. E cobranças (inclusive as bancárias) me deixam no último grau de stress. Mas como eu sou minha própria chefe (e não é à toa que eu sou profissional autônoma), não tive muitos problemas com isso ainda.
Eu sempre deixo pra depois o que eu deveria fazer hoje. Isso é mais que comprovado.
Enfim, tem mais coisas caóticas chegando no meu limite.
E depois que eu decido, modéstia à parte, meus finais são sempre imbatíveis. Fica tudo muito bem acabado.
Agora, eu realmente não sei como pôr fim nesse post.
Podia me despedir com uma música (The Doors, por exemplo, falando do Fim), ou com uma mensagem do tipo "amigos são anjos que caíram do céu..." mas até hoje, o melhor jeito que eu encontrei pra acabar as minhas coisas, é o ponto final.
terça-feira, 1 de novembro de 2005
Insustentavelmente Leve

Se "A Insustentável Leveza do Ser" não é a melhor obra da categoria soco na boca do estômago, então eu não sei qual é.
Milan Kundera nos atinge em cheio quando desnuda as relações humanas, instiga a razão dos nossos atos e propõe uma reflexão aparentemente sutil sobre conceitos antagônicos: peso/leveza, forte/fraco, apego/liberdade, guerra/paz.
Tendo a Primavera de Praga como pano de fundo, a obra de Kundera facilita o entendimento de atos e escolhas que, à primeira vista, podem soar como "inconseqüências" mas que são perfeitamente cabíveis dentro da filosofia "só se vive uma vez".
De tão leve, chega a ser insustentavelmente pesado.
Personagens característicos, parecem ser a personificação dos sentimentos mais primitivos da humanidade: quatro extremos; quatro linhas paralelas que, contrariando todas as leis, se cruzam em determinados pontos.
Sobre o filme: Indispensável a leitura prévia. Do contrário, não passa de um aglomerado de clichês num triângulo amoroso superficial.
Elenco de peso: Daniel Day-Lewis, Lena Olin e Juliette Binoche, direção de Philip Kaufman.
Recomendado pra ilustrar o livro. Sempre lembrando que adaptações de livros normalmente pecam pela ausência de detalhes preciosos.
Depois do fim, cai aquela mochila de culpa que a gente normalmente carrega, afinal, "o homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento."
Nota: Não confundir com o "ligar o foda-se".
(A imagem que ilustra esse post é do filme, não do livro)




